{"id":11001,"date":"2015-03-09T08:00:20","date_gmt":"2015-03-09T11:00:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=11001"},"modified":"2015-03-09T10:21:50","modified_gmt":"2015-03-09T13:21:50","slug":"queda-na-renda-do-trabalhador-deve-chegar-a-5-dizem-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/queda-na-renda-do-trabalhador-deve-chegar-a-5-dizem-especialistas\/","title":{"rendered":"Queda na renda do trabalhador deve chegar a 5%, dizem especialistas"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Rendimento nas principais regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds subiu 33,1% acima da infla\u00e7\u00e3o de 2004 a 2014<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O per\u00edodo de ouro para as fam\u00edlias brasileiras, que nos \u00faltimos dez anos consumiram como nunca, compraram autom\u00f3vel, viajaram para o exterior pela primeira e viram a dist\u00e2ncia entre ricos e pobres se reduzir, est\u00e1 pr\u00f3ximo do fim. Depois de dez anos de aumentos reais, a renda deve experimentar a primeira queda real \u2014 que pode chegar a 5%, nas estimativas mais pessimistas de estudiosos do mercado de trabalho \u2014 ou ficar, no melhor dos casos, na estabilidade. Com o desemprego mais elevado, uma infla\u00e7\u00e3o estimada em 7,5% e dificuldades para fechar reajustes nas negocia\u00e7\u00f5es salariais, 2015 pode ser o ano com a maior redu\u00e7\u00e3o para o poder de compra dos trabalhadores desde 2002.<\/p>\n<p>A renda nas principais regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds subiu 33,1% acima da infla\u00e7\u00e3o desde 2004. Para muitos, tratou-se de um per\u00edodo at\u00edpico, n\u00e3o apenas pela alta prolongada do rendimento \u2014 o sal\u00e1rio m\u00ednimo, por exemplo, avan\u00e7ou 76,54% desde 2002 \u2014, mas porque coincidiu com uma alta nos pre\u00e7os de alimentos abaixo da infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia nos primeiros anos da d\u00e9cada e com a queda nos artigos eletroeletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>\u2014 Com a aus\u00eancia de crescimento econ\u00f4mico e com a infla\u00e7\u00e3o alta, o grande castigo vir\u00e1 pela queda no rendimento, o que complica ainda mais uma retomada do crescimento. A d\u00e9cada de bonan\u00e7a acabou \u2014 afirma o economista Claudio Dedecca, da Unicamp, que estima recuo de 5% ou at\u00e9 superior neste ano. \u2014 Desde 2012, o parco crescimento do PIB se dava por conta do mercado de trabalho, que elevava o consumo. Com a renda em decl\u00ednio, e o investimento que n\u00e3o consegue ser destravado, o crescimento fica comprometido.<\/p>\n<p><strong>Menos carros e eletrodom\u00e9sticos<\/strong><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da infla\u00e7\u00e3o registrada nos primeiros anos do governo Lula, que tamb\u00e9m contou com queda real na renda (em 2004 frente ao ano anterior, houve recuo de 1,3%, descontados os efeitos da infla\u00e7\u00e3o) na esteira da alta do d\u00f3lar e da desconfian\u00e7a dos mercados com o governo petista, hoje, as principais press\u00f5es para a alta de pre\u00e7os v\u00eam de tarifas, combust\u00edveis e alimentos. Essa composi\u00e7\u00e3o atinge de forma mais direta trabalhadores com renda at\u00e9 tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos.<\/p>\n<p>\u2014 Os grupos de renda m\u00e9dia baixa v\u00e3o sofrer mais porque concentraram os maiores ganhos na \u00faltima d\u00e9cada e agora ter\u00e3o o maior efeito da alta da taxa de desemprego \u2014 calcula o economista da Opus Gest\u00e3o de Recursos e professor da PUC-Rio Jos\u00e9 Marcio Camargo, que espera recuo de at\u00e9 2% na renda, descontados os efeitos da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A renda m\u00e9dia ainda dever\u00e1 crescer nos dois primeiros trimestres deste ano, sob influ\u00eancia do aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo. O quadro dever\u00e1 come\u00e7ar a virar no segundo semestre, com queda de 0,7% no quarto trimestre frente ao mesmo per\u00edodo do ano passado. A renda encerrar\u00e1 o ano est\u00e1vel, pelas estimativas da FGV\/Ibre.<\/p>\n<p>J\u00e1 o espa\u00e7o para o consumo de bens, ve\u00edculos, eletrodom\u00e9sticos dever\u00e1 ter a maior retra\u00e7\u00e3o desde 2003. A renda dispon\u00edvel das fam\u00edlias, ou seja, aquela que desconta o peso de itens essenciais no or\u00e7amento, como transporte, alimenta\u00e7\u00e3o e bebida, deve registrar um recuo de 2,1% neste ano, de acordo com o economista Rodrigo Baggi, da Tend\u00eancias Consultoria.<\/p>\n<p><strong>Desigualdade deve voltar a crescer<\/strong><\/p>\n<p>O encanador industrial Carlos Eduardo Lima Rodrigues j\u00e1 sente os efeitos da renda menor. Funcion\u00e1rio da Alumini (ex-Alusa), que prestava servi\u00e7os no Complexo Petroqu\u00edmico do Rio de Janeiro (Comperj), n\u00e3o recebe sal\u00e1rio desde novembro. Sem a renda de cerca de RS 2.500 mensais, a fam\u00edlia sobrevive de bicos e do sal\u00e1rio de cerca de R$ 800 que a mulher de Carlos Eduardo recebe em uma farm\u00e1cia. A fam\u00edlia teve de tirar a filha de nove anos da escola particular e suspender as presta\u00e7\u00f5es do carro usado, enquanto o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho do Rio tenta uma a\u00e7\u00e3o para reembolsar os trabalhadores dos meses atrasados.<\/p>\n<p>\u2014 Meus cart\u00f5es est\u00e3o todos atrasados. N\u00e3o posso arranjar outro emprego porque minha carteira de trabalho continua retida, e estamos a ver navios \u2014 afirma Rodrigues.<\/p>\n<p>Para o coordenador de rela\u00e7\u00f5es sindicais do Dieese, Jos\u00e9 Silvestre, as negocia\u00e7\u00f5es coletivas dever\u00e3o ficar mais dif\u00edceis neste ano, mesmo que ainda obtenham um aumento real:<\/p>\n<p>\u2014 Embora as proje\u00e7\u00f5es indiquem que a economia brasileira viver\u00e1 uma recess\u00e3o, haver\u00e1 diferen\u00e7as nos resultados das negocia\u00e7\u00f5es entre os diversos setores. A ind\u00fastria poder\u00e1 apresentar resultados m\u00e9dios abaixo daqueles que dever\u00e3o ser observados em outros setores.<\/p>\n<p>A queda na renda tamb\u00e9m dever\u00e1 empurrar de volta ao mercado de trabalho os jovens que, nos \u00faltimos anos, preferiram se dedicar aos estudos. A participa\u00e7\u00e3o dos jovens entre 15 e 24 anos que trabalhavam ou buscavam emprego hoje est\u00e1 em 59%. Em 2004, era de 64%.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o deve acontecer imediatamente, mas no ano que vem, porque existe um c\u00edrculo virtuoso dos \u00faltimos dez anos ainda muito forte para o consumo \u2014 avalia Na\u00e9rcio Menezes Filho, do Insper.<\/p>\n<p>O economista Gustavo Gonzaga, da PUC-Rio, tamb\u00e9m v\u00ea a influ\u00eancia do per\u00edodo de \u201cvacas gordas\u201d nesse movimento:<\/p>\n<p>\u2014 Como a renda est\u00e1 em alta h\u00e1 muito tempo, houve um per\u00edodo longo em que as pessoas fizeram um colch\u00e3o. Outros membros v\u00e3o voltar ao trabalho, mas ser\u00e1 uma volta lenta e que vai aumentar o desemprego.<\/p>\n<p>A melhora do mercado de trabalho na \u00faltima d\u00e9cada foi o principal vetor para a redu\u00e7\u00e3o de desigualdades sociais e respondeu pela ascens\u00e3o social de uma nova classe m\u00e9dia. E a queda real da renda, corro\u00edda pela infla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o dever\u00e1 deixar inc\u00f3lumes os ganhos sociais obtidos. A economista do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) Sonia Rocha lembra que a alta da renda respondeu por cerca de 60% da redu\u00e7\u00e3o da desigualdade no pa\u00eds entre 2003 e 2013. Agora o quadro dever\u00e1 mudar:<\/p>\n<p>\u2014 Havendo queda da renda do setor de servi\u00e7os, que \u00e9 o grande empregador das pessoas menos qualificadas, o impacto \u00e9 certeiro sobre a pobreza e a desigualdade \u2014 estima Sonia.<\/p>\n<p>Dedecca tamb\u00e9m v\u00ea uma grande chance de a desigualdade crescer por causa do aumento mais contido do sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>\u2014 Um aumento da desigualdade de renda tem razo\u00e1vel probabilidade, considerando a evolu\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel da renda do trabalho, de um lado, e uma taxa de juros real elevada, de outro, al\u00e9m do controle fiscal que rebater\u00e1 negativamente sobre as pol\u00edticas sociais \u2014 afirma.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo \/ Clarice Spitz &#8211; Colaborou Lucas Moretzsohn, estagi\u00e1rio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rendimento nas principais regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds subiu 33,1% acima da infla\u00e7\u00e3o de 2004 a 2014 O per\u00edodo de ouro para as fam\u00edlias brasileiras, que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":7050,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-11001","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11001","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11001"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11001\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11002,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11001\/revisions\/11002"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7050"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}