{"id":10757,"date":"2015-02-23T09:25:24","date_gmt":"2015-02-23T12:25:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=10757"},"modified":"2015-02-23T09:25:24","modified_gmt":"2015-02-23T12:25:24","slug":"sindicatos-calculam-mais-de-20-mil-demissoes-em-estaleiros-de-todo-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/sindicatos-calculam-mais-de-20-mil-demissoes-em-estaleiros-de-todo-o-brasil\/","title":{"rendered":"Sindicatos calculam mais de 20 mil demiss\u00f5es em estaleiros de todo o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>A maranhense Edilene Ara\u00fajo foi cabeleireira antes de se tornar soldadora naval. Foram sete anos entre as poltronas e os espelhos de um sal\u00e3o na cidade de Rio Grande (RS), a 330 quil\u00f4metros de Porto Alegre, antes do curso de soldagem que a colocou nos quadros do estaleiro Rio Grande, em 2012. Desempregada h\u00e1 seis meses &#8211; data que coincide com o momento em que a controladora do estaleiro em que trabalhava apareceu na lista de empresas investigadas pela Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato -, ela n\u00e3o se arrepende da mudan\u00e7a na carreira. Como metal\u00fargica, ganhava melhor e n\u00e3o precisava lidar com &#8220;qu\u00edmica&#8221; o dia inteiro.<\/p>\n<p>&#8220;Continuo mandando curr\u00edculo, mas \u00e9 dif\u00edcil&#8221;, afirma. O sindicato local calcula que, como ela, outras 17 mil pessoas perderam o emprego no setor naval entre novembro e janeiro, s\u00f3 nas cidades de Rio Grande e S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte &#8211; onde fica o estaleiro EBR, administrado pela Toyo Setal, tamb\u00e9m citada na opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p>Com demiss\u00f5es na Bahia, Pernambuco e Rio, o setor naval &#8211; que multiplicou o volume de trabalhadores de 2 mil para mais de 80 mil entre 2004 e 2012 &#8211; j\u00e1 conta mais de 20 mil baixas desde a den\u00fancia do esquema de pagamento de propina na estatal, segundo contas de sindicatos de trabalhadores. Parte desses cortes \u00e9 c\u00edclico, j\u00e1 que a maioria dos contratos no setor \u00e9 tempor\u00e1ria.<\/p>\n<p>O que preocupa os sindicatos \u00e9 a perspectiva de redu\u00e7\u00e3o significativa de novos projetos diante da desacelera\u00e7\u00e3o dos investimentos. No lugar de novas contrata\u00e7\u00f5es, a expectativa das entidades que representam metal\u00fargicos e trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil \u00e9 que os cortes continuem.<\/p>\n<p>No curto prazo, o principal problema s\u00e3o os pagamentos em atraso da Sete Brasil com cinco estaleiros contratados para produzir 29 navios-sonda: Rio Grande, em Rio Grande (RS); BrasFels, em Angra dos Reis (RJ); Jurong, em Aracruz (ES); Enseada Paragua\u00e7u, em Maragojipe (BA), e Atl\u00e2ntico Sul (EAS), em Ipojuca (PE).<\/p>\n<p>Em crise financeira, a Sete Brasil &#8211; criada para gerenciar a constru\u00e7\u00e3o das sondas que seriam alugadas \u00e0 Petrobras e usadas para explorar o pr\u00e9-sal, perfurando novos po\u00e7os &#8211; depende de empr\u00e9stimos previstos com o BNDES para resolver problemas de caixa. A assinatura dos contratos est\u00e1 travada desde que o primeiro diretor de opera\u00e7\u00f5es da empresa de sondas, Pedro Barusco, afirmou ter recebido propina de empreiteiras quando era gerente de servi\u00e7os da Petrobras.<\/p>\n<p>A Sete Brasil informou ao Valor que est\u00e1 &#8220;o tempo todo em negocia\u00e7\u00e3o com os estaleiros&#8221; e que &#8220;trabalha para concluir a contrata\u00e7\u00e3o de linhas de cr\u00e9dito de longo prazo, em especial, com o BNDES (aprovado em 2013)&#8221;. A empresa diz tamb\u00e9m que &#8221; segue atuando para a obten\u00e7\u00e3o de novas linhas de financiamento de curto prazo&#8221;.<\/p>\n<p>No m\u00e9dio prazo, a lista de 23 grupos impedidos temporariamente de participar de licita\u00e7\u00f5es da estatal preocupa, j\u00e1 que muitas delas s\u00e3o tamb\u00e9m acionistas dos maiores estaleiros do pa\u00eds. Algumas empresas e especialistas ainda t\u00eam d\u00favidas sobre se o bloqueio vale tamb\u00e9m para as subsidi\u00e1rias, entre elas os estaleiros.<\/p>\n<p>A Petrobras, por sua vez, ainda n\u00e3o esclareceu o assunto, mas convocou apenas empresas estrangeiras a participar da concorr\u00eancia aberta em janeiro para recontratar os servi\u00e7os de constru\u00e7\u00e3o dos m\u00f3dulos de compress\u00e3o de g\u00e1s inicialmente \u00e0 cargo da Iesa \u00d3leo e G\u00e1s.<\/p>\n<p>O Sindicato dos Metal\u00fargicos do Rio de Janeiro (Sindimetal-Rio) teme perder metade dos quase 7 mil funcion\u00e1rios do Enseada Inha\u00fama &#8211; controlado por Odebrecht, OAS, UTC e pela japonesa Kawasaki &#8211; depois de setembro, quando deve ser conclu\u00edda a montagem da plataforma P-74.<\/p>\n<p>&#8220;Como as outras tr\u00eas encomendas [P-75, P-76 e P-77] foram transferidas para a China, depois disso n\u00e3o temos mais nenhum pedido&#8221;, diz Alex Santos, presidente da entidade. Ele critica a &#8220;paralisia&#8221; dos investimentos no setor desde a deflagra\u00e7\u00e3o da Lava-Jato e alerta para o impacto da in\u00e9rcia sobre os quase 30 mil empregos que os estaleiros mant\u00eam s\u00f3 no Rio.<\/p>\n<p>O hom\u00f4nimo baiano do estaleiro, que pertence ao mesmo cons\u00f3rcio, tinha pouco mais de 5 mil funcion\u00e1rios at\u00e9 o fim do ano passado &#8211; cerca de 3,3 mil trabalhavam na constru\u00e7\u00e3o da infraestrutura, com entrega prevista para dezembro de 2015, e o restante montava dois dos seis navios-sonda encomendados pela Sete Brasil.<\/p>\n<p>Segundo Bebeto Galv\u00e3o, deputado federal pelo PSB e presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Pesada do Estado da Bahia (Sintepav), a Sete Brasil tem atrasado pagamentos desde outubro, um total de US$ 210 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O cons\u00f3rcio Enseada confirma 3,5 mil cortes entre novembro e janeiro, sendo 1.081 no Enseada e 2.428 no Cons\u00f3rcio Construtor Bahia (CEP), respons\u00e1vel pela estrutura, que j\u00e1 estaria 80% conclu\u00edda. Segundo o diretor de pessoas e organiza\u00e7\u00e3o, Ricardo Lyra, parte das demiss\u00f5es foi &#8220;preventiva&#8221; &#8211; uma maneira de readequar o planejamento da obra ao &#8220;atual cen\u00e1rio do pa\u00eds, com impacto direto na ind\u00fastria naval brasileira&#8221;.<\/p>\n<p>Para destravar os investimentos no setor, Galv\u00e3o, do Sintepav-BA, defende a libera\u00e7\u00e3o para a Sete Brasil dos recursos do BNDES e de empr\u00e9stimos-ponte negociados com a Caixa e com o Banco do Brasil.<\/p>\n<p>Em Niter\u00f3i (RJ), o estaleiro UTC demitiu at\u00e9 o come\u00e7o de fevereiro 650 dos 800 funcion\u00e1rios. Os cortes teriam sido reflexo, segundo o sindicato de metal\u00fargicos local, da conclus\u00e3o de dois m\u00f3dulos da plataforma P-56, entregues no come\u00e7o do m\u00eas. Os 150 empregos remanescentes, segundo Edson Rocha, dirigente da entidade, estariam em risco caso a empresa, que tamb\u00e9m figura na lista de grupos bloqueados de novas licita\u00e7\u00f5es da Petrobras, n\u00e3o consiga fechar novos contratos at\u00e9 mar\u00e7o.<\/p>\n<p>A UTC declarou apenas que &#8220;\u00e0 medida que os trabalhos referentes \u00e0 encomenda de quatro cascos s\u00e3o entregues e os contratos s\u00e3o encerrados, tamb\u00e9m o contrato de m\u00e3o de obra chega ao fim&#8221;.<\/p>\n<p>O grupo Keppel Singmarine Brasil, dona do estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis (RJ), colocou todos os 700 funcion\u00e1rios de seu estaleiro em Itaja\u00ed (SC) &#8211; que n\u00e3o presta servi\u00e7os diretamente para a Petrobras &#8211; em f\u00e9rias coletivas at\u00e9 o fim do m\u00eas. Procurada, a empresa disse que n\u00e3o se manifestaria sobre o assunto. Para Oscar Jo\u00e3o da Cunha, presidente do sindicato de metal\u00fargicos local, a empresa de Cingapura estaria esperando os desdobramentos do esc\u00e2ndalo na estatal para decidir o que vai fazer com os investimentos no Brasil.<\/p>\n<p>Em Pernambuco, o estaleiro Atl\u00e2ntico Sul registra cerca de 300 demiss\u00f5es desde o in\u00edcio do ano e conta com pouco mais de 4 mil funcion\u00e1rios. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 pior na cadeia de fornecedores do setor metal\u00fargico. Em 2014, as ind\u00fastrias de equipamentos ligadas ao setor naval fecharam 1.995 vagas, 36% do total de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>No Estado, a situa\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil, segundo Alexandre Valen\u00e7a, do Sindicato das Ind\u00fastrias Metal\u00fargicas, Mec\u00e2nicas e de Material El\u00e9trico, \u00e9 a das pequenas e m\u00e9dias empresas que forneciam para as chamadas &#8220;epcistas&#8221; &#8211; companhias que prestam servi\u00e7os de engenharia, suprimentos e constru\u00e7\u00e3o para o cons\u00f3rcio do estaleiro.<\/p>\n<p>Procurada, a Petrobras n\u00e3o respondeu \u00e0s quest\u00f5es enviadas pela reportagem sobre o prazo de vig\u00eancia da lista de empresas bloqueadas, sobre a possibilidade de flexibiliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de conte\u00fado nacional e sobre os riscos de perda de empregos e investimentos no setor naval.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico\/Camilla Veras Mota | De S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maranhense Edilene Ara\u00fajo foi cabeleireira antes de se tornar soldadora naval. 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