{"id":10738,"date":"2015-02-23T08:45:43","date_gmt":"2015-02-23T11:45:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=10738"},"modified":"2015-02-23T08:45:43","modified_gmt":"2015-02-23T11:45:43","slug":"novo-centro-de-pesquisa-da-petrobras-teve-propina-de-r-36-milhoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/novo-centro-de-pesquisa-da-petrobras-teve-propina-de-r-36-milhoes\/","title":{"rendered":"Novo centro de pesquisa da Petrobras teve propina de R$ 36 milh\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Com aditivos e desvios, projeto custou R$ 2,5 bilh\u00f5es, dos quais R$ 1,83 bilh\u00e3o pagos a empreiteiras investigadas na Lava-Jato<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Instalado h\u00e1 40 anos na Ilha do Fund\u00e3o (RJ), o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) foi duplicado para atender ao desafio de buscar novas tecnologias para retirar petr\u00f3leo de \u00e1guas ultraprofundas, o pr\u00e9-sal. Or\u00e7ado em R$ 1 bilh\u00e3o em 2004, o projeto acabou custando R$ 2,5 bilh\u00f5es, dos quais R$ 1,83 bilh\u00e3o corresponde a pagamentos feitos a empreiteiras investigadas na Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. Segundo o ex-gerente da estatal Renato Barusco Filho, ex-bra\u00e7o direito do diretor Renato Duque, a propina paga pelos cons\u00f3rcios Novo Cenpes e Citi e pela UTC Engenharia alcan\u00e7ou pelo menos R$ 36,6 milh\u00f5es \u2014 o correspondente a 2% do valor que elas receberam pelas obras.<\/p>\n<p>Barusco, que assinou acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada, detalhou em planilhas como foi dividida a propina: 1% ficou para diretores e funcion\u00e1rios da Petrobras, sob a rubrica \u201cCasa\u201d, e 1% foi destinado a \u201cPart\u201d \u2014 ou partido. Na diretoria de Servi\u00e7os, comandada por Duque, o partido era o PT.<\/p>\n<p>A escalada de pre\u00e7os foi embalada por aditivos. Juntos, os tr\u00eas principais contratos tiveram 55 aditivos. Documentos internos da Petrobras, aos quais o GLOBO teve acesso, mostram que Barusco e Duque analisaram e deram aval \u00e0 maioria dos aumentos de pre\u00e7os pedidos pelas empreiteiras e tiveram a chancela da diretoria executiva da estatal.<\/p>\n<p>O contrato do Cons\u00f3rcio Novo Cenpes, liderado pela OAS e integrado pelas construtoras Schahin, Construbase, Carioca Christiani-Nielsen e Construcap, teve o valor mais alto. Fechado por R$ 849,9 milh\u00f5es, recebeu 17 aditivos e alcan\u00e7ou R$ 1.023.570.295,40. Segundo Barusco, o empres\u00e1rio M\u00e1rio Goes foi o respons\u00e1vel, sozinho, por operar a distribui\u00e7\u00e3o da propina, de cerca de R$ 20 milh\u00f5es. De acordo com depoimento de outro delator, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, o Cenpes, tocado integralmente por Duque, foi a principal obra da OAS para a Petrobras.<\/p>\n<p>O pacote do cons\u00f3rcio Novo Cenpes incluiu at\u00e9 o fornecimento de m\u00f3veis e mobili\u00e1rio e tamb\u00e9m gerou benef\u00edcios il\u00edcitos. De acordo com as investiga\u00e7\u00f5es, uma das filhas de Costa, com a ajuda do pai, intermediou a venda de m\u00f3veis para o cons\u00f3rcio. A propina correspondente foi depositada na conta da Costa Global, empresa criada pelo ex-diretor para gerenciar e receber propina.<\/p>\n<p>Dono do segundo maior contrato, o Cons\u00f3rcio Citi (Andrade Gutierrez, Queiroz Galv\u00e3o e Mendes J\u00fanior) iniciou sua parte nas obras cobrando R$ 452,9 milh\u00f5es, 17,83% acima do esperado pela estatal. No t\u00e9rmino dos servi\u00e7os, o pre\u00e7o havia alcan\u00e7ado R$ 489.3 milh\u00f5es. Segundo Barusco, tamb\u00e9m neste caso a propina de 2% foi distribu\u00edda e a tarefa coube a Goes e a Ildefonso Colares, presidente da Queiroz Galv\u00e3o.<\/p>\n<p>A UTC, acusada de usar sua sede como quartel-general do cartel, angariou o projeto executivo, a constru\u00e7\u00e3o e a montagem da Central de Utilidades e do Centro Integrado de Processamento de Dados do Cenpes. A empresa fechou contrato por R$ 178,15 milh\u00f5es, mas acabou recebendo R$ 318,069 milh\u00f5es \u2014 78,5% a mais. A entrega da propina, de acordo com Barusco, coube a Goes e ao presidente da UTC, Ricardo Pessoa.<\/p>\n<p>Os valores da propina pelas obras do Cenpes podem estar subestimados, pois 2% era o percentual m\u00e9dio da \u201cvantagem\u201d. Alguns aditivos, segundo os delatores, podiam gerar propinas de at\u00e9 5%.<\/p>\n<p>A festa de irregularidades no Cenpes foi tamanha que uma auditoria do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) constatou que at\u00e9 funcion\u00e1rios da Petrobras ou seus parentes atuaram como fornecedores do Cenpes em pequenos contratos. O decreto 7.203\/2010 pro\u00edbe que \u00f3rg\u00e3os da administra\u00e7\u00e3o federal contratem empresas cujo administrador ou s\u00f3cio seja parente at\u00e9 o terceiro grau de funcion\u00e1rios com cargo em comiss\u00e3o ou fun\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a no poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>Numa auditoria que incluiu tr\u00eas \u00e1reas da Petrobras, entre elas o Cenpes, o TCU identificou 81 contratos fechados com 25 empresas ligadas a 19 funcion\u00e1rios de alto escal\u00e3o da Petrobras. Firmados entre 2009 e 2011, estes contratos somaram R$ 712 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Procuradas pelo GLOBO, as empreiteiras envolvidas negaram as acusa\u00e7\u00f5es. Em nota, o Cons\u00f3rcio Novo Cenpes afirmou que \u201crefuta veementemente tais alega\u00e7\u00f5es\u201d. A Queiroz Galv\u00e3o informou que n\u00e3o comenta investiga\u00e7\u00f5es em andamento e reitera que suas atividades e contratos seguem rigorosamente as leis. A Andrade Gutierrez afirmou que os contratos realizados no Cenpes \u201cforam executados dentro do estabelecido nas diretrizes contratuais da Petrobras e as obras foram adequadamente conclu\u00eddas e entregues\u201d. A UTC n\u00e3o se pronunciou.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo \/ Cleide Carvalho, Renato Onofre e Thiago Herdy<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com aditivos e desvios, projeto custou R$ 2,5 bilh\u00f5es, dos quais R$ 1,83 bilh\u00e3o pagos a empreiteiras investigadas na Lava-Jato Instalado h\u00e1 40 anos na&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":10739,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[93,297,66,1493,100,630,58,504],"class_list":["post-10738","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-centro","tag-investigacao","tag-investimentos","tag-lava-jato","tag-novo","tag-pesquisa","tag-petrobras","tag-propina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10738"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10738\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10740,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10738\/revisions\/10740"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10739"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}