{"id":10266,"date":"2015-01-23T11:24:52","date_gmt":"2015-01-23T13:24:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=10266"},"modified":"2015-01-23T11:25:55","modified_gmt":"2015-01-23T13:25:55","slug":"sem-receber-trabalhadores-de-empresa-do-comperj-protestam-e-contam-dificuldades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/sem-receber-trabalhadores-de-empresa-do-comperj-protestam-e-contam-dificuldades\/","title":{"rendered":"Sem receber, trabalhadores de empresa do Comperj protestam e contam dificuldades"},"content":{"rendered":"<p>Com nariz de palha\u00e7o, trabalhadores da empresa Alumini Engenharia S\/A depositaram seus macac\u00f5es em caix\u00f5es em um protesto, na manh\u00e3 de ontem (22), em frente \u00e0 sede da Petrobras. Com cartazes e apitos, eles cobram a responsabiliza\u00e7\u00e3o da estatal e que esta ajude a encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para as d\u00edvidas trabalhistas de sua terceirizada.<\/p>\n<p>Sem receber h\u00e1 dois meses pelo trabalho nas obras do Complexo Petroqu\u00edmico do Rio de Janeiro (Comperj), alguns tamb\u00e9m se preocupam com o risco de ficar sem moradia, j\u00e1 que a empresa custeava a estadia na pousada do trabalhador para parte dos que vieram de outros estados em busca de emprego e suspendeu esse pagamento.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 estamos l\u00e1 porque o dono da pousada est\u00e1 com pena, mas n\u00e3o tem mais nem refei\u00e7\u00e3o. Tem dia que que n\u00e3o almo\u00e7o e como biscoito&#8221;, disse o mec\u00e2nico montador Jo\u00e3o*, que deixou a fam\u00edlia na Bahia \u00a0para trabalhar na obra, h\u00e1 tr\u00eas anos. A mulher e os dois filhos adolescentes dependem da renda que ele envia mensalmente n\u00e3o apenas para o sustento. A filha mais velha, de 17 anos, foi aprovada em\u00a0 medicina em uma universidade particular, mas, sem o sal\u00e1rio, ele n\u00e3o sabe como tornar esse sonho realidade: &#8220;Moro longe, mas criamos muito bem os meus filhos&#8221;, diz, orgulhoso.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o deixou sua terra porque achava imposs\u00edvel conseguir l\u00e1 a renda mensal de R$ 2,1 mil, al\u00e9m das horas extras. Sem sal\u00e1rio e sem saber se continuar\u00e1 na casa onde mora, ele ressalta que n\u00e3o conseguiu juntar dinheiro nem para pagar a passagem de volta para a Bahia, caso precise: &#8220;Mandei tudo para l\u00e1, mas, h\u00e1 dois meses, j\u00e1 n\u00e3o mando nada. Eles est\u00e3o passando dificuldade\u201d.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem parecida com a do eletricista Marcos*, de 28 anos, que tamb\u00e9m veio da Bahia, mas n\u00e3o conseguiu vaga na pousada e mora de aluguel. &#8220;Pago R$ 900 por m\u00eas por uma quitinete. Os pre\u00e7os aumentaram muito e agora estou h\u00e1 dois meses sem pagar. A propriet\u00e1ria disse que vai me despejar.&#8221;<\/p>\n<p>Ele deixou a mulher h\u00e1 nove anos na Bahia e, nas visitas ao longo desse tempo, ela engravidou duas vezes. Agora, ele se preocupa tamb\u00e9m com a educa\u00e7\u00e3o dos dois filhos, de 5 e 8 anos: &#8220;Acho que meus filhos n\u00e3o v\u00e3o conseguir estudar este ano. J\u00e1 estou devendo a mensalidade de dezembro e n\u00e3o consegui pagar a matr\u00edcula&#8221;, lamenta Marcos.<\/p>\n<p>Casada e m\u00e3e de uma jovem de 17 anos, M\u00e1rcia* conta que conseguiu segurar as despesas de in\u00edcio de ano com o dinheiro que tinha guardado, mas n\u00e3o sabe como ser\u00e1 em fevereiro, se n\u00e3o receber. O marido de M\u00e1rcia foi demitido da mesma empresa em setembro, mas recebeu todos os direitos e agora ganha o seguro-desemprego: &#8220;Eu quero continuar na Alumini, porque \u00e9 uma empresa boa. A gente n\u00e3o tinha o que falar dela, mas n\u00e3o sabemos qual \u00e9 a real situa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a t\u00e9cnica, que n\u00e3o recebeu explica\u00e7\u00f5es sobre o atraso de nenhum representante da empresa.<\/p>\n<p>Assim como M\u00e1rcia, que mora em casa pr\u00f3pria, o encanador Jos\u00e9* pelo menos n\u00e3o precisa se preocupar com o aluguel. Sua frustra\u00e7\u00e3o, no entanto, \u00e9 que estava construindo a casa e teve que vender parte dos materiais de constru\u00e7\u00e3o para que eles n\u00e3o estragassem enquanto a obra est\u00e1 parada. &#8220;Estamos vivendo \u00e0s custas de parentes, nem tenho como procurar outro emprego, porque n\u00e3o fui demitido e minha carteira est\u00e1 com eles.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Empregados nas Empresas de Manuten\u00e7\u00e3o e Montagem Industrial do Munic\u00edpio de Itabora\u00ed,\u00a0 2,5 mil funcion\u00e1rios da\u00a0 empresa Alumini Engenharia S\/A est\u00e3o sem receber desde dezembro e outros 469 foram demitidos sem o pagamento da rescis\u00e3o contratual.<\/p>\n<p>A Alumini teve suas contas bloqueadas, mas obteve uma recupera\u00e7\u00e3o judicial na Justi\u00e7a na \u00faltima terca-feira (20). Segundo a assessoria de imprensa, um plano de pagamento ser\u00e1 apresentado aos credores em cerca de 60 dias, o que inclui os direitos trabalhistas. A empresa explica que as contas foram bloqueadas por uma decis\u00e3o da Justi\u00e7a do Trabalho de Ipojuca (PE), &#8220;por causa do n\u00e3o cumprimento integral do acordo de rescis\u00e3o dos trabalhadores da empresa que atuavam na Refinaria do Nordeste&#8221;. A Alumini afirma que n\u00e3o cumpriu as rescis\u00f5es porque a Petrobras n\u00e3o liberou R$ 1,2 bilh\u00e3o em aditivos em favor da empresa, referentes a trabalhos j\u00e1 executados.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Brasil procurou a Petrobras, mas a empresa n\u00e3o se manifestou at\u00e9 o fechamento desta mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com nariz de palha\u00e7o, trabalhadores da empresa Alumini Engenharia S\/A depositaram seus macac\u00f5es em caix\u00f5es em um protesto, na manh\u00e3 de ontem (22), em frente&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":3719,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-10266","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10266","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10266"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10266\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10268,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10266\/revisions\/10268"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3719"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}