{"id":10158,"date":"2015-01-19T09:29:33","date_gmt":"2015-01-19T11:29:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=10158"},"modified":"2015-01-19T09:29:33","modified_gmt":"2015-01-19T11:29:33","slug":"estaleiro-aguarda-ha-meses-ordem-de-servico-da-petrobras-para-comecar-obra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/estaleiro-aguarda-ha-meses-ordem-de-servico-da-petrobras-para-comecar-obra\/","title":{"rendered":"Estaleiro aguarda h\u00e1 meses ordem de servi\u00e7o da Petrobras para come\u00e7ar obra"},"content":{"rendered":"<p>Passadas as festas de fim de ano, janeiro deveria ser marcado pela plena retomada das atividades na ind\u00fastria naval no Rio Grande do Sul, mas os desdobramentos da opera\u00e7\u00e3o Lava Jato est\u00e3o prejudicando as obras e aumentando as preocupa\u00e7\u00f5es de curto prazo na regi\u00e3o. Os estaleiros do polo naval localizado no sul do Estado, que t\u00eam contratos bilion\u00e1rios com a Petrobras para a constru\u00e7\u00e3o de plataformas, sentem no dia a dia os reflexos da crise envolvendo a estatal. As dificuldades passam pela libera\u00e7\u00e3o de verba, o pagamento de fornecedores e a contrata\u00e7\u00e3o de pessoal.<\/p>\n<p>O caso mais delicado \u00e9 o do Estaleiro Hon\u00f3rio Bicalho, operado pela QGI na cidade de Rio Grande. Desde 2005, quatro plataformas foram conclu\u00eddas na unidade, que responde pela constru\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o de m\u00f3dulos. Ultimamente, no entanto, a palavra que impera no local \u00e9 expectativa, j\u00e1 que o estaleiro enfrenta um per\u00edodo de &#8220;entressafra&#8221; que dura mais de um ano. Em setembro de 2013, quando estava prestes a entregar a P-58, a QGI assinou contrato para a constru\u00e7\u00e3o da P-75 e da P-77. De l\u00e1 para c\u00e1, milhares de trabalhadores foram demitidos e o rein\u00edcio das obras \u00e9 seguidamente adiado.<\/p>\n<p>De acordo com uma fonte ligada \u00e0 ind\u00fastria naval ga\u00facha, o primeiro ano ap\u00f3s a assinatura de um contrato para a constru\u00e7\u00e3o de uma plataforma costuma ser dedicado \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o do projeto, o que envolve solu\u00e7\u00f5es de engenharia, adequa\u00e7\u00e3o do canteiro e compra de material. No caso da QGI, portanto, as contrata\u00e7\u00f5es de pessoal e o pontap\u00e9 inicial nas obras estavam previstos para o \u00faltimo trimestre de 2014, s\u00f3 que nada foi feito at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 devia ter come\u00e7ado, mas a Petrobras tem que emitir a ordem de servi\u00e7o e fazer os primeiros pagamentos&#8221;, disse a fonte ao Broadcast, servi\u00e7o de not\u00edcias em tempo real da Ag\u00eancia Estado. &#8220;Para algu\u00e9m assinar alguma coisa na Petrobras est\u00e1 dif\u00edcil. A (opera\u00e7\u00e3o) Lava Jato est\u00e1 atrasando tudo. Eu diria que n\u00e3o h\u00e1 uma previs\u00e3o concreta (para o in\u00edcio das obras).&#8221;<\/p>\n<p>Nesta semana, fonte ouvida pelo Broadcast no Rio de Janeiro disse que o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Petrobras reiterou a decis\u00e3o j\u00e1 informada pela presidente da estatal, Gra\u00e7a Foster, de que n\u00e3o ir\u00e1 recorrer a financiamento de bancos em 2015 para captar recursos, em meio \u00e0 crise enfrentada pela companhia. A ideia seria aproveitar o atraso no cronograma de projetos para economizar o caixa da empresa.<\/p>\n<p>Procurada, a assessoria da QGI se limitou a afirmar que j\u00e1 est\u00e1 recebendo material para os projetos da P-75 e P-77. A assessoria de imprensa da Petrobras informou que os contratos das plataformas P-75 e P-77 est\u00e3o em andamento<\/p>\n<p>De acordo com a estatal, no cronograma dos projetos somente \u00e9 prevista no Estaleiro Hon\u00f3rio Bicalho a execu\u00e7\u00e3o de atividades de constru\u00e7\u00e3o e montagem no in\u00edcio de 2015 para a P-75. &#8220;Atualmente, est\u00e3o em progresso no estaleiro o recebimento de equipamentos cr\u00edticos como compressores de g\u00e1s e turbo geradores e as atividades de montagem de estruturas met\u00e1licas de 8 m\u00f3dulos da P-75. De acordo com o planejamento da empresa QGI, ocorrer\u00e1 nos pr\u00f3ximos meses o aumento do efetivo de trabalhadores para fazer frente \u00e0s necessidades das atividades de constru\u00e7\u00e3o e montagem&#8221;, diz a nota.<\/p>\n<p>A Petrobras tamb\u00e9m tem outros contratos em vigor no sul do Estado. O Estaleiro Rio Grande, operado pela Ecovix, entregou a P-66 no final de 2014 e, atualmente, est\u00e1 fazendo os cascos da P-67 e da P-69. J\u00e1 o EBR (Estaleiros do Brasil), operada pela japonesa Toyo e a brasileira Setal, tem contrato para realizar a integra\u00e7\u00e3o da plataforma P-74 na cidade de S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte, vizinha a Rio Grande. A estrutura do estaleiro come\u00e7ou a ser erguida em 2013 e n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es oficiais do andamento da obra &#8211; o site do EBR est\u00e1 fora do ar e a dire\u00e7\u00e3o da empresa foi procurada mais de uma vez pelo Broadcast, mas n\u00e3o quis se manifestar. A Petrobras tamb\u00e9m foi consultada sobre esse caso, mas at\u00e9 o fechamento dessa reportagem n\u00e3o havia enviado resposta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos problemas envolvendo a Petrobras, os estaleiros do sul do RS enfrentam desafios internos tamb\u00e9m provocados pela opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, j\u00e1 que todos t\u00eam participa\u00e7\u00e3o direta ou indireta de empresas que s\u00e3o investigadas pela Pol\u00edcia Federal. A QGI \u00e9 controlada pela Queiroz Galv\u00e3o e pela Iesa, ambas envolvidas no esc\u00e2ndalo. A Ecovix, por sua vez, faz parte da mesma holding da Engevix, igualmente alvo da Lava Jato. No caso da Toyo Setal, que controla o estaleiro EBR, dois executivos fizeram acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada sobre o esquema de corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras.<\/p>\n<p>Embora os estaleiros insistam em negar que as investiga\u00e7\u00f5es estejam prejudicando as atividades, nos bastidores a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que as obras est\u00e3o &#8220;com o p\u00e9 no freio&#8221;. Em nota ao Broadcast, a Petrobras informou que os contratos vigentes com as empresas envolvidas na opera\u00e7\u00e3o Lava Jato &#8220;foram preservados e continuam v\u00e1lidos e mantidos os requisitos contratuais, incluindo cronograma&#8221;. No fim do ano passado, a Petrobras suspendeu temporariamente 23 empresas envolvidas no esc\u00e2ndalo de participar de novas licita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Emprego<\/strong><\/p>\n<p>As incertezas colocam em d\u00favida o futuro da ind\u00fastria naval ga\u00facha e, no curto prazo, afetam os trabalhadores do setor. A QGI, quando estiver no pico do cronograma de constru\u00e7\u00e3o da P-75 e da P-77, dever\u00e1 ter uma equipe de cerca de 4 mil funcion\u00e1rios em atividade. Hoje, por\u00e9m, sem o aval da Petrobras para o in\u00edcio das obras, apenas 300 pessoas atuam na QGI em Rio Grande &#8211; em 2013, quando tr\u00eas plataformas eram feitas simultaneamente na unidade, o n\u00famero de colaboradores chegou a 10 mil.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos hoje com cerca de 7 mil metal\u00fargicos experientes desempregados na regi\u00e3o, aguardando contrata\u00e7\u00f5es&#8221;, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Ind\u00fastrias Metal\u00fargicas de Rio Grande e S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte, Benito de Oliveira Gon\u00e7alves. Ele alega que a Ecovix demitiu funcion\u00e1rios depois de entregar a P-66 e que a demora da QGI em contratar est\u00e1 agravando a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Procurada pelo Broadcast, a assessoria da Ecovix informou que a constru\u00e7\u00e3o das plataformas segue etapas que exigem um n\u00famero maior ou menor de trabalhadores e que &#8220;as movimenta\u00e7\u00f5es de pessoal est\u00e3o ligadas a estas etapas&#8221;. De acordo com a empresa, hoje o quadro de funcion\u00e1rios tem 7 mil pessoas e n\u00e3o h\u00e1 demiss\u00e3o em massa no estaleiro.<\/p>\n<p>O presidente do sindicato tamb\u00e9m afirma que o EBR &#8211; onde segundo ele hoje trabalham cerca de 600 pessoas &#8211; teria outras mil vagas abertas, mas que os oper\u00e1rios locais, mesmo j\u00e1 tendo participado da constru\u00e7\u00e3o de outras plataformas, estariam com dificuldade de coloca\u00e7\u00e3o devido \u00e0 prefer\u00eancia do estaleiro em trazer m\u00e3o de obra de outros Estados.<\/p>\n<p>Em Charqueadas, a 60 quil\u00f4metros de Porto Alegre, outras centenas de pessoas aguardam recoloca\u00e7\u00e3o profissional, depois de serem dispensadas pela Iesa \u00d3leo e G\u00e1s &#8211; que teve o contrato rescindido pela Petrobras para a constru\u00e7\u00e3o de 24 m\u00f3dulos de plataformas. Representantes sindicais de Rio Grande e de Charqueadas est\u00e3o programando manifesta\u00e7\u00f5es para os pr\u00f3ximos dias, com o objetivo de chamar a aten\u00e7\u00e3o das autoridades estaduais e federais para o problema envolvendo o setor.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Estado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passadas as festas de fim de ano, janeiro deveria ser marcado pela plena retomada das atividades na ind\u00fastria naval no Rio Grande do Sul, mas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":5708,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-10158","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10158"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10159,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10158\/revisions\/10159"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5708"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}