{"id":10109,"date":"2015-01-15T10:03:12","date_gmt":"2015-01-15T12:03:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=10109"},"modified":"2015-01-15T10:03:12","modified_gmt":"2015-01-15T12:03:12","slug":"shell-projeta-o-maior-navio-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/shell-projeta-o-maior-navio-do-mundo\/","title":{"rendered":"Shell projeta o maior navio do mundo"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Embarca\u00e7\u00e3o ter\u00e1 488 metros de comprimento, com estrutura para armazenar mais de 600 mil toneladas de g\u00e1s natural liquefeito, tr\u00eas motores, mais de 3 mil quil\u00f4metros de cabos el\u00e9tricos e ainda vai suportar tuf\u00f5es de categoria 5<br \/><\/em><\/strong><br \/>Centenas de engenheiros uniram suas experi\u00eancias e conhecimentos para projetar a maior instala\u00e7\u00e3o flutuante offshore do mundo. A Shell anuncia a constru\u00e7\u00e3o do primeiro navio plataforma com tecnologia integrada para liquefa\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural, o <em>Prelude Floating Liquefied Natural Gas<\/em> (FLNG).<\/p>\n<p>Segundo a empresa anglo-holandesa, o navio ir\u00e1 explorar campos de g\u00e1s natural a 200 quil\u00f4metros da costa da Austr\u00e1lia e converter a subst\u00e2ncia para a forma l\u00edquida ainda em alto mar, dispensando o uso de gasodutos para convers\u00e3o em unidades terrestres e posterior transporte.<\/p>\n<p>A Shell informa que, quando conclu\u00eddo, o Prelude FLNG ter\u00e1 488 metros de comprimento (equivalente a quatro est\u00e1dios de futebol), 74 metros (240 p\u00e9s) de largura e ir\u00e1 pesar mais de 600 mil toneladas quando estiver totalmente equipado e com seus tanques de cargas completos. A unidade disp\u00f5e ainda mais de tr\u00eas mil quil\u00f4metros de cabos el\u00e9tricos, o que equivale \u00e0 dist\u00e2ncia entre Barcelona e Moscou. De acordo com informa\u00e7\u00f5es da companhia, foram gastas mais de 1,6 milh\u00f5es de horas trabalhadas em pesquisas e diferentes op\u00e7\u00f5es de design para chegar a este tipo de projeto.<\/p>\n<p>O megaprojeto contemplar\u00e1 o mais alto <em>Turrent System<\/em>, com 93 metros (305 p\u00e9s) de altura torre, para suportar ventos muito fortes e ondas gigantes. Como as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas na costa da Austr\u00e1lia e Mar de Timor, n\u00e3o s\u00e3o muito agrad\u00e1veis nas temporadas dos ciclones, o projeto foi desenvolvido para resistir os \u201ctuf\u00f5es de categoria 5\u201d (a mais alta categoria), e assim permanecer com seguran\u00e7a ancorado no mar.<\/p>\n<p>Conforme informa\u00e7\u00f5es da Shell, o projeto foi desenvolvido a partir de um sistema seguro que permite a possibilidade do navio girar lentamente no vento &#8211; absorvendo o impacto das condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas fortes \u2013 mantendo o mesmo atracado ao longo do campo de g\u00e1s.<\/p>\n<p>A embarca\u00e7\u00e3o utilizar\u00e1 6.700 propulsores para retirar 50 milh\u00f5es de litros de \u00e1gua do oceano por hora para ajudar a resfriar o g\u00e1s natural. Outro destaque do projeto ser\u00e1 a planta de liquefa\u00e7\u00e3o, que esta unidade ter\u00e1 no conv\u00e9s, pois o g\u00e1s poder\u00e1 ser comprimido 600 vezes, numa temperatura de refrigera\u00e7\u00e3o para -162\u00b0 Celsius (-260 \u00b0 F) \u2013 dentro dos tanques o g\u00e1s liquefeito ir\u00e1 ocupar 1\/600 do volume natural. Com isso, uma grande quantidade de g\u00e1s poder\u00e1 ser armazenada nos tanques, e depois enviada aos navios LNG (gaseiros). Somente na constru\u00e7\u00e3o do navio ser\u00e3o utilizadas mais de 260 mil toneladas de a\u00e7o, isto \u00e9, cinco vezes a quantidade de a\u00e7o consumido para levantar a ponte Harbour, em Sydney (Austr\u00e1lia).<\/p>\n<p>A Shell informa ainda que, as solu\u00e7\u00f5es de engenharia desenvolvidas pela empresa evita o potencial impacto ambiental da constru\u00e7\u00e3o e a opera\u00e7\u00e3o de uma planta em terra, incluindo a coloca\u00e7\u00e3o de dutos para a praia e expans\u00e3o de outras obras de infraestrutura.<\/p>\n<p>A Prelude est\u00e1 sendo fabricada no estaleiro Samsung Heavy Industries (SHI), localizado em Geoje, na C\u00f3reia do Sul. Pioneira na tecnologia FLGN, a Shell espera come\u00e7ar a produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 em 2016.<\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva ao SINCOMAM, o gerente de Tecnologia da Shell Brasil, Jo\u00e3o Mariano, revela os principais pontos deste novo conceito de FPSO, o processo de desenvolvimento e a import\u00e2ncia dela para a produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s mundial.<\/p>\n<p>\u201cNum primeiro momento, a Prelude ser\u00e1 empregada na Austr\u00e1lia. Nada impede, entretanto, que processos e tecnologias desenvolvidas durante a sua constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o sejam empregadas em outras partes do mundo em que a Shell opera, inclusive no Brasil\u201d, diz Mariano.<br \/><strong><br \/>Revista SINCOMAM &#8211; Por quais raz\u00f5es a Prelude FLNG \u00e9 considerada uma pot\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural?<br \/><\/strong><strong>Jo\u00e3o Mariano &#8211;<\/strong> A embarca\u00e7\u00e3o \u00e9 a maior plataforma flutuante do mundo em raz\u00e3o de suas dimens\u00f5es. H\u00e1 alguns anos, a ideia de aproveitar os campos de g\u00e1s em alto-mar, minimizar a grande dist\u00e2ncia da costa e solucionar a inviabilidade de instala\u00e7\u00e3o de infraestrutura de transporte via duto era perseguida pela ind\u00fastria de \u00f3leo e g\u00e1s.<\/p>\n<p>H\u00e1 quase uma d\u00e9cada, a Shell estuda a alternativa de criar uma embarca\u00e7\u00e3o deste tipo. O fator que acelerou a decis\u00e3o da companhia em avan\u00e7ar no projeto de um FLNG foi a descoberta de campos com uma grande quantidade de g\u00e1s natural recuper\u00e1vel em alto-mar na Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s dois anos de estudos de viabilidade e projeto b\u00e1sico, a Shell decidiu, em maio de 2011, construir o primeiro FLNG (<em>Floating Liquified Natural Gas<\/em>) da ind\u00fastria, para aplica\u00e7\u00e3o nos campos australianos offshore. Esta verdadeira f\u00e1brica flutuante \u00e9 capaz de tratar e liquefazer o g\u00e1s produzido e transferi-lo para navios gaseiros, para posterior distribui\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2013, a Shell lan\u00e7ou ao mar o casco de 488 metros de comprimento (maior do que quatro campos de futebol) da instala\u00e7\u00e3o flutuante de g\u00e1s natural liquefeito Prelude, fabricada no estaleiro da Samsung Heavy Industries \u2013 parceiro da Shell que apresentou as melhores condi\u00e7\u00f5es para a execu\u00e7\u00e3o do projeto.<br \/><strong><br \/>R.S. &#8211;<\/strong> <strong>Quais s\u00e3o os objetivos e expectativas com a constru\u00e7\u00e3o desta embarca\u00e7\u00e3o?<br \/><\/strong><strong>Mariano \u2013<\/strong> Uma vez terminada, a Prelude FLNG ser\u00e1 a maior instala\u00e7\u00e3o flutuante j\u00e1 constru\u00edda e ir\u00e1 desbloquear novas fontes de energia offshore, produzindo anualmente cerca de 3,6 milh\u00f5es de toneladas de g\u00e1s natural liquefeito (GNL) para atender \u00e0 crescente demanda por energia do mercado mundial.<\/p>\n<p>A embarca\u00e7\u00e3o permitir\u00e1 \u00e0 Shell produzir g\u00e1s natural no mar, transform\u00e1-lo em g\u00e1s natural liquefeito e depois transferi-lo diretamente para os navios que o transportar\u00e3o para os clientes.<\/p>\n<p>Ela ir\u00e1 possibilitar o desenvolvimento de recursos de g\u00e1s que v\u00e3o desde grupos de campos mais remotos, menores \u2013 mas com grande potencial de produ\u00e7\u00e3o, at\u00e9 campos maiores, atrav\u00e9s de m\u00faltiplos locais onde, por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es, um desenvolvimento que transporte o g\u00e1s at\u00e9 o continente n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel. Isso pode significar estrat\u00e9gias de desenvolvimento e implanta\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pidas, mais baratas e mais flex\u00edveis para os recursos que antes eram economicamente invi\u00e1veis ou limitados por riscos t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p><strong>R.S. \u2013 Depois de constru\u00edda, qual ser\u00e1 a capacidade da Prelude FLNG?<br \/><\/strong><strong>Mariano &#8211;<\/strong> A unidade apresenta um casco de 488 metros de comprimento, os tanques de armazenamentos da instala\u00e7\u00e3o est\u00e3o no conv\u00e9s inferior. Eles podem acumular at\u00e9 220.000 m3 de GNL, de 90.000 m 3 de GLP, e 126.000 m 3 de \u00e1gua de condensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A capacidade total de armazenamento de g\u00e1s natural liquefeito \u00e9 equivalente a cerca de 175 piscinas ol\u00edmpicas. Uma vez conclu\u00edda, a unidade FLNG vai pesar mais de 600 mil toneladas quando totalmente carregada, deslocando a mesma quantidade de \u00e1gua de seis dos maiores porta-avi\u00f5es do mundo.<\/p>\n<p>A Prelude dever\u00e1 produzir 5,3 milh\u00f5es de toneladas por ano (Mtpa) de l\u00edquidos; 3,6 milh\u00f5es de toneladas por ano (Mtpa) de g\u00e1s natural liquefeito (GNL), 1,3 Mtpa de condensado e 0,4 mtpa de g\u00e1s liquefeito de petr\u00f3leo (GLP).<br \/><strong><br \/>R.S. &#8211; Quantos profissionais trabalham no projeto de instala\u00e7\u00e3o do navio?<br \/><\/strong><strong>Mariano \u2013<\/strong> Mais de 600 engenheiros estiveram envolvidos apenas no design da plataforma. O projeto de constru\u00e7\u00e3o ir\u00e1 gerar cerca de 350 empregos diretos e 650 posi\u00e7\u00f5es de trabalho indireto. \u00a0<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>R.S. &#8211; Como ser\u00e1 composta a tripula\u00e7\u00e3o do Prelude?<br \/><\/strong><strong>Mariano &#8211; <\/strong>Esperamos que a tripula\u00e7\u00e3o da Prelude seja composta por aproximadamente 280 pessoas em per\u00edodos regulares de opera\u00e7\u00e3o. \u00a0O n\u00famero de t\u00e9cnicos a bordo pode aumentar em per\u00edodos de manuten\u00e7\u00e3o. \u00a0Este n\u00famero n\u00e3o inclui pessoal em terra e equipes de apoio, que podem elevar essa contagem em at\u00e9 650 pessoas. \u00a0Ainda \u00e9 cedo para comentar sobre a identidade dos oficiais de comando da embarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>R.S. &#8211; \u00c9 verdade que a estrutura produz g\u00e1s natural suficiente para responder \u00e0s necessidades energ\u00e9ticas de uma cidade como Hong Kong?<br \/><\/strong><strong>Mariano &#8211; <\/strong>Sim. Quando em opera\u00e7\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural liquefeito da Prelude poder\u00e1 atender a 117% da demanda anual de Hong Kong por este insumo. O navio ir\u00e1 operar em uma bacia remota, 475 quil\u00f4metros ao nordeste de Broome, na Austr\u00e1lia Ocidental, por cerca de 25 anos. Isso vai permitir o processamento e comercializa\u00e7\u00e3o de uma significativa produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural na regi\u00e3o.<br \/><strong><br \/>R.S. &#8211; Como voc\u00ea pode afirmar que a embarca\u00e7\u00e3o foi constru\u00edda de maneira a resistir a condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas adversas, como tuf\u00f5es de categoria 5?<br \/><\/strong><strong>Mariano &#8211; <\/strong>A Prelude est\u00e1 sendo constru\u00edda para suportar condi\u00e7\u00f5es severas em alto mar.\u00a0Enquanto a maior parte das embarca\u00e7\u00f5es oce\u00e2nicas \u00e9 projetada para voltar a um dique seco para manuten\u00e7\u00e3o a cada cinco anos, a Prelude deve passar 25 anos no mar sem parada em terra para manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte: SINCOMAM \/ Margarida Putti<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embarca\u00e7\u00e3o ter\u00e1 488 metros de comprimento, com estrutura para armazenar mais de 600 mil toneladas de g\u00e1s natural liquefeito, tr\u00eas motores, mais de 3 mil&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":10110,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[263,1570,1423,281,57,51,1216,275,1567,1210,1215,47,1569,785,1568],"class_list":["post-10109","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-categoria","tag-engenheiro","tag-entrevista","tag-fpso","tag-gas","tag-lancamento","tag-liquefeito","tag-maior","tag-motores","tag-mundo","tag-natural","tag-navio","tag-prelude","tag-shell","tag-tufao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10109"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10109\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10111,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10109\/revisions\/10111"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10110"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}