TCU fiscaliza ações de recuperação do programa de revitalização da bacia hidrográfica do Rio São Francisco

TCU fiscaliza ações de recuperação do programa de revitalização da bacia hidrográfica do Rio São Francisco

O Tribunal de Contas da União (TCU) realizou monitoramento de decisões resultantes de auditoria operacional que avaliou o Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (PRSF), com foco nas ações de recuperação e controle de processos erosivos. Devido à relevância do projeto, o tribunal tem realizado diversas ações desde 2001 para acompanhar a qualidade das medidas empreendidas pelo governo federal.

O projeto de Integração do São Francisco representa o maior empreendimento conduzido pelo governo federal na área de recursos hídricos. O PRSF objetiva implementar e integrar projetos e ações governamentais visando à sustentabilidade socioambiental no território da bacia hidrográfica do rio São Francisco, à recuperação de áreas degradadas, à conservação e uso racional dos seus recursos naturais, à ampliação da oferta de seus recursos hídricos, à sua despoluição e outras intervenções voltadas para o desenvolvimento sustentável dessa região.

A auditoria realizada em 2011 apontou ausência de coordenação das iniciativas de recuperação e controle de processos erosivos, assim como baixo volume de investimentos nas ações de revitalização, insuficientes para reverter o quadro de degradação da Bacia. Por consequência, foram expedidas recomendações e uma determinação para aprimorar o desempenho institucional do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) nos aspectos relacionados ao PRSF.

O monitoramento atualmente realizado pelo TCU verificou que o MMA e a Codevasf não cumpriram de modo satisfatório as recomendações constantes do acórdão anterior, salvo o encaminhamento de planos de ação, que foram considerados insuficientes para o atendimento às orientações formuladas por este tribunal.

O relator do processo, ministro Augusto Nardes, comentou que “a inclusão de projetos de revitalização executados no PRSF, capazes de prover alternativas econômicas que garantam a sobrevivência de pequenos produtores obrigados por lei a recuperar e preservar margens, nascentes e encostas, também não foi concretizada a contento pelo MMA”.

Quanto ao não atendimento das deliberações anteriores, o ministro-relator também mencionou que “o fato se faz gravoso quando a própria Agência Nacional de Águas divulga que a bacia do São Francisco vem sofrendo condições hidrológicas que estão prejudicando os reservatórios”. “Segundo a equipe do tribunal, existem indícios de que a vazão do rio São Francisco e de seus afluentes pode estar sendo reduzida, entre outros motivos, pelos processos erosivos que têm provocado o assoreamento do rio e o rebaixamento do lençol freático”, afirmou o ministro.

Em decorrência do monitoramento, o TCU determinou ao MMA e à Codevasf que apresentem um plano de ações corrigindo as impropriedades apontadas pela auditoria e alertou esses órgãos de que o não cumprimento de decisão do tribunal pode ensejar a aplicação de multa.

Fonte: TCU