Taxa de investimento do Brasil deve ser menor que a de 82% dos países em 2022, aponta FGV

Taxa de investimento do Brasil deve ser menor que a de 82% dos países em 2022, aponta FGV

A taxa de investimentos no Brasil segue há anos em patamar baixo e deve ficar menor que a de 82% dos países em 2022, segundo um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), antecipado com exclusividade para o g1.

O estudo da pesquisadora Juliana Trece mostra que 139 de um total de 170 países devem apresentar um nível de investimento em proporção ao PIB (Produto Interno Bruto) maior do que o Brasil neste ano – uma piora frente a 2021, quando 132 países, ou 77%, tiveram um desempenho melhor que o brasileiro.

O estudo foi feito com base nas últimas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a economia global e nas estimativas do Monitor do PIB-FGV para o 1º trimestre.

A taxa de investimentos apura tudo o que se investe em máquinas, bens duráveis, aumento da capacidade produtiva, construção civil, infraestrutura, além de pesquisa e desenvolvimento. O avanço deste componente do PIB é considerado fundamental para abertura de novas empresas, geração de mais empregos e, consequentemente, um maior crescimento potencial de uma economia.

A taxa de investimento prevista para o Brasil em 2022 é de 18,4% do PIB, contra 19,2% em 2021. Se confirmada, será a primeira queda após 5 anos de recuperação. Já a taxa de investimento média no mundo no ano é projetada em 27,3% para a lista de 170 países, o que representaria um avanço ante os 26,7% do ano passado.

Para a China, a previsão é de uma taxa de 42,5% do PIB neste ano. Entre os países do topo do ranking de investimento, destaque também para outros emergentes como Coreia (33,5%), Índia (32,11%) e Turquia (31,7%). Na América do Sul, a taxa deve chegar a 26,7% do PIB no Chile e a 25,1% no Peru. Até a Argentina, que enfrenta há anos uma forte crise econômica, deve apresentar um índice maior que a do Brasil, com taxa prevista de 19,6% do PIB.

“Mesmo quando a gente olha América Latina e Caribe, que têm um retrato mais próximo do nosso, a taxa de investimento do Brasil é mais baixa. Historicamente, o Brasil tem mesmo uma taxa de investimento abaixo da maioria dos países, só que a proporção subiu a partir de 2000”, afirma a pesquisadora, destacando que até as décadas de 70 e 80 o percentual de países com desempenho melhor que o brasileiro no indicador continuava na casa dos 70%.

O que explica o patamar baixo dos investimentos?
A taxa de investimento, medida pela formação bruta de capital fixo (FBCF) cresceu nos últimos 4 anos e fechou 2021 em de 19,2% do PIB em 2021, acima dos 16,6% registrados em 2020.

Apesar de surpreender no ano passado, o nível de investimentos ainda se manteve abaixo do patamar de 2013 (20,9%) e longe do pico de 26,9% registrado no final dos anos 80.

De acordo com o estudo do Ibre, o componente da taxa de investimentos que mais encolheu no país nos últimos anos foi a construção, que inclui também as grandes obras de infraestrutura nas áreas de energia, transportes e saneamento.

Historicamente, a construção sempre apresentou um peso maior nos investimentos, porém, vem perdendo representatividade desde a década de 2000.

Fonte: G1