Subsea aquecido estimula inovação local e atrai fornecedores estrangeiros de robótica submarina
O aquecimento do mercado subsea vem despertando o interesse de fornecedores estrangeiros e estimulando empresas brasileiras no desenvolvimento de soluções locais. Na última semana, representantes de oito empresas da Noruega com foco em robótica submarina, participaram de eventos e reuniões no Rio de Janeiro (RJ), que também contaram com a presença de profissionais e de companhias do Brasil ou que já estão consolidadas no país. No último dia 12 de março, elas participaram de um evento dedicado à integração tecnológica e comercial com empresas brasileiras associadas ao Cluster Tecnológico Naval-RJ e convidadas.
O encontro promovido pelo Cluster reuniu empresas especializadas em robótica submarina, sistemas autônomos, inspeção e soluções para o ambiente oceânico. Essas oito empresas norueguesas dos setores de robótica oceânica, sistemas autônomos e operações remotas vieram numa missão ao Brasil promovida pela agência de fomento Innovation Norway e com o apoio do Consulado Geral da Noruega no Rio de Janeiro.
O grupo tinha dois fornecedores de serviços submarinos com embarcações de superfície não tripuladas (USVs) com WROV (Work Class Remotely Operated Vehicle) elétrico para inspeção e pesquisas (Reach Subsea e DeepOcean); fornecedor de USV e navegação autônoma (Maritime Robotics); e uma empresa que trabalha com mini ROV para serviços de inspeção subaquática (Blueye Robotics).
Outra empresa nórdica, OceanTech Innovation, é voltada para trabalho em zonas de potenciais derramamentos que utilizam robôs personalizados para inspeção, limpeza, reparo e modificações. Completam o grupo empresas de tecnologia de controle remoto (Ixys), de drones para inspeção em espaços confinados (ScoutDI) e de instrumentação para medição de movimento subaquático (Nortek Group).
“Espero que a inovação na robótica oceânica e em soluções remotas represente possibilidades para o próximo capítulo da nossa colaboração marítima, combinando indústria e responsabilidade ambiental”, afirmou a cônsul geral da Noruega, Mette Tangen, em recepção da missão na residência oficial do Consulado Geral no Rio de Janeiro, no último dia 10 de março.
Na ocasião, o diretor do Innovation Norway Brasil, Thomas Conradi Granli, destacou que existe uma relação de longa data entre os dois países, especialmente na indústria marítima. Ele disse que o encontro foi uma oportunidade para gerar negócios, parcerias tecnológicas e cooperação internacional, conectando o ecossistema norueguês de inovação ao ambiente empresarial e industrial brasileiro. “Uma das coisas que fazemos é levar delegações de companhias norueguesas para outros mercados a fim de tentar expandi-los”, disse Granli, que apresentou os fornecedores.
No dia seguinte (11/03), o CEO da OceanPact Tech, Maurício Latado, falou em um evento da DNV que a robótica é um dos focos do grupo, que vem apostando nos serviços e na engenharia para o subsea. Ele contou que, com a fusão da OceanPact com a CBO em curso, há um potencial de diversificação de clientes nessa área. “Vemos potencial de substituir ROVs da CBO contratados por ROVs próprios, com a gente operando. Isso traz vantagens”, disse Latado, no Seminário OSV da DNV Maritime, promovido pela classificadora.
Latado listou uma série de soluções para área submarina que a empresa vem desenvolvendo em parceria com clientes e com universidades, como a UFRJ. Ele destacou sistemas de lançamento e recolhimento para ROVs e unidades robóticas com tamanhos reduzidos, para operações até 2.500 metros de profundidade, com utilização de embarcações menores do que as utilizadas atualmente.
No painel, o diretor de classificação offshore da DNV na América do Sul, Marcelo Mazzaroppi, disse que o Brasil virou um ‘laboratório vivo’ para testar novas soluções, o que acarreta uma grande responsabilidade e onde confiabilidade e segurança viraram estratégia e diferencial competitivo. Ele avalia que, quando técnica, operação e o digital andam juntos, o resultado aparece rapidamente. “As melhores soluções não chegam prontas da Europa, elas nascem da junção entre a tecnologia global e nossa realidade operacional aqui no Brasil. Ajustadas, adaptadas e muitas vezes melhoradas”, afirmou Mazzaroppi.
Em outro painel do seminário, o diretor da Clarksons, Jens Behrendt, mencionou que no subsea existe uma grande quantidade de projetos sendo licitada e que os principais EPCistas que hoje atuam no mercado offshore registraram recorde de utilização em 2025, enquanto a frota deles diminuiu consideravelmente. A leitura da consultoria é que muito do trabalho desses epcistas precisará ser subcontratado. “Eles vão ter que ir ao mercado para afretar novas embarcações porque há muito projeto e a frota deles está está bem menor”, analisou Behrendt.
Fonte: Revista Portos e Navios






