Praticagem avaliará uso de tecnologias espaciais

Praticagem avaliará uso de tecnologias espaciais

Usar a tecnologia espacial para a atividade de praticagem. Este é o principal objetivo do protocolo de intenções assinado nesta terça-feira (3), em Santos, entre a Praticagem do Brasil e a Agência Espacial Brasileira (AEB). O documento oficializa uma parceria para troca de conhecimento entre as instituições e o desenvolvimento de estudos para otimizar e melhorar a atividade dos práticos nos portos brasileiros.

Válido para todo o País, o protocolo foi assinado na sede da Praticagem de São Paulo, na Ponta da Praia, devido ao trabalho desenvolvido no local, que é referência de tecnologia no complexo portuário do País. “A gente veio conhecer melhor como a Praticagem de São Paulo funciona para ver como que poderemos contribuir de forma específica”, explica o presidente da AEB, Carlos Augusto Teixeira de Moura.

De acordo com ele, os sistemas espaciais podem ser utilizados nas mais diversas aplicações, mas a principal melhoria na atividade da praticagem deverá ser na qualidade e precisão de informações de satélites. “Assim como são colocadas boias em canais para entender melhor o meio ambiente, no momento em que há outros sensores que conseguem trazer mais informações, certamente os especialistas na área conseguirão tirar um melhor resultado daquilo, aumentando o calado dinâmico aqui na região”.

Um dos efeitos práticos com a tecnologia espacial é a possibilidade de preparação dos práticos para eventos extremos. “Sabemos que no Sul do Brasil, por exemplo, acontecem ciclones bomba de vez em quando. Em Santa Catarina, nós começamos a implantação de uma constelação de nanosatélites para ajudar a antecipar a previsão desses efeitos e contribuir para a Defesa Civil se preparar melhor”, exemplifica o presidente da AEB.

A segurança da operação também deve melhorar com a tecnologia. Para o presidente da Praticagem de São Paulo, Bruno Tavares, a previsão de ventos ou correntezas, por exemplo, será mais precisa. “Muitas das vezes, a gente é pego durante uma manobra com um vento ou correnteza muito forte que a gente não esperava. Trazendo mais tecnologia e mais previsibilidade para manobra, ajudará muito na otimização do Porto de Santos”.

Tavares entende que a parceria proporciona um “universo muito abrangente”, pois as duas entidades já lidam diretamente com tecnologia. “Isso tudo pode trazer milhões de benefícios. Um deles seria a parte de batimetria, por meio de imagens de satélite. Outro é a parte de comunicação, que se tornaria muito mais dinâmica”.

O presidente do Conselho Nacional de Praticagem (Conapra), Ricardo Falcão, também enfatiza a união, fazendo uma comparação com a parceria selada em terras norte-americanas entre a Nasa (Agência Aeroespacial dos Estados Unidos) e a Praticagem de San Francisco. “Foi o que gerou os protocolos que hoje estão desenvolvidos para a praticagem, como o ritmo circadiano (mudanças regulares dos estados mental e físico que ocorrem em 24h) e a questão da fadiga”.

Referência
No País, Falcão diz que enxerga a agência espacial e a Praticagem dentro do mesmo objetivo, “sempre buscando extremos”. O presidente da AEB concorda. “O nível de responsabilidade e dos riscos em que se está trabalhando é parecido. Com engenharia e conhecimento, a gente está procurando aperfeiçoar o uso dos sistemas que o homem produz e conhecendo melhor a natureza para poder trabalhar com ela sem poluir, sendo sustentável e criando qualidade de vida para todos”.

Para o presidente do Conapra, a praticagem brasileira já é referência global. Ele diz que as décadas em busca de inovação, tecnologia e treinamento colocaram o Brasil em um patamar elevado. “Ter dois milésimos de acidente em um país com investimento tão baixo em infraestrutura, em especial quando o comparamos com Estados Unidos e Bélgica, que investem muito mais… Tem alguma coisa por trás que não é facilmente explicado”.

“Para não haver acidentes, que é sempre o nosso objetivo, a gente tem que investir”, conclui o presidente do Conapra, ressaltando que o Brasil possui tecnologia de ponta. “Às vezes, a gente não precisa de tecnologia estrangeira. No Brasil, somos capazes de desenvolver aplicativos e colocar um satélite que nos resuma as informações e nos faça ter um sistema de coordenação de tráfego melhor”.

Fonte: A Tribuna