“PIB do mar” ainda tem potencial a ser explorado no Brasil, dizem especialistas

“PIB do mar” ainda tem potencial a ser explorado no Brasil, dizem especialistas

O Produto Interno Bruto (PIB) de um país pode ser dividido em várias partes. É possível analisar apenas o PIB industrial ou o de serviços. E uma das divisões possíveis gera o chamado PIB do mar, cujo potencial ainda não é totalmente explorado no Brasil, segundo especialistas.

Como o nome sugere, o PIB do mar, ou economia do mar, se refere a uma série de atividades, algumas tradicionais e outras mais recentes, que dependem ou são beneficiadas dos recursos dos mares e oceanos.

Andréa Carvalho, professora da Universidade Federal de Rio Grande (FURG), afirma que, a partir dos anos 1990, surgiu um novo tipo de PIB do mar, o chamado PIB azul.

“Ele é um upgrade, traz um forte componente de sustentabilidade e inovação ao tema”, diz. Quando se fala em PIB azul, portanto, a referência é apenas a atividades ambientalmente sustentáveis.

No Brasil, o potencial desse tipo de economia é ainda menos conhecido, até pela falta de tecnologias para executá-la, sendo mais comum em países desenvolvidos.

O surgimento do termo, segundo Carvalho, indica que a economia do mar “não é exploratória, destruidora. É uma economia tradicional que passa por transição, como qualquer outro setor”.

PIB do mar no Brasil
Carlos Dias Chaym, professor da Unifac, afirma que o PIB do mar não fica restrito, como o nome sugere, a atividades praticadas nos mares ou regiões costeiras. É possível incluir, por exemplo, algumas atividades fluviais, como a do porto de Manaus.

Em geral, os setores desse tipo de economia mais presentes no Brasil são o de navegação, turismo, geração de energia no mar (offshore) ou em costa, pesca, aquicultura e extração de petróleo e gás.

“O tamanho dessa economia do mar varia de país para país, e quais atividades eles consideram como sendo da economia do mar, e nem sempre tem dados tão atualizados, mas o Brasil tem uma costa muito grande, mais de 9 mil quilômetros de litoral”, diz.

Esse tamanho, misturado com uma grande Zona Econômica Exclusiva do país para atividades no mar, representam um potencial significativo para o setor no Brasil, por mais que ele não necessariamente seja concretizado.

Nas estimativas de Chaym, a economia marítima equivaleu a cerca de 19% do PIB brasileiro em 2019, ou cerca de R$ 1,3 trilhão.

Carvalho avalia que a dificuldade em estimar o tamanho do PIB do mar no Brasil está em definir exatamente quais atividades entram ou não nele. Em cidades costeiras, por exemplo, a localização próxima ao mar valoriza imóveis ou redes hoteleiras, e esse benefício pode ser considerado um elemento da economia marítima.

Por isso, o PIB do mar englobando atividades mais indiretas sempre será maior que as diretas. “O Brasil tem uma zona costeira com forte concentração industrial, no litoral ou perto, e muitas regiões metropolitanas também em zonas litorâneas, isso faz com que a economia do mar considerando tudo isso seja mais alta”, diz.

A professora afirma que existem hoje seis setores diretamente ligados ao mar: o de serviços, com foco em turismo, o de energia, o de manufaturas, o de defesa, o de pesca e o de transporte.

Fonte: CNN