Petrobras será forçada a republicar balanços

Petrobras será forçada a republicar balanços

As baixas contábeis que a Petrobras terá de fazer referentes a pagamento de propinas não serão lançadas de uma só vez no resultado de 2014. Elas serão alocadas retrospectivamente nos balanços dos últimos anos, a depender do momento em que os contratos com as empreiteiras foram assinados.

Esse é o procedimento correto a ser seguido, no caso de correção de erros em demonstrações financeiras, conforme fontes ouvidas pelo Valor. Uma implicação direta disso é que aumentam as chances de os detentores de ações ordinárias receberem o pagamento normal de dividendos. Isso porque, com o ajuste sendo diluído em vários anos, o lucro de 2014 não deve ser prejudicado, ou ao menos não de forma relevante.

Outra consequência é que a KPMG, que auditou os balanços da Petrobras entre 2006 e 2011, deve ser chamada novamente para reemitir os pareceres dos anos anteriores.

Ontem, apesar do empenho da diretoria da estatal em mostrar seus esforços para prevenir, combater e punir atos de corrupção, as ações da Petrobras voltaram a cair na bolsa, voltando à cotação de março, quando foi deflagrada a Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. As ações ON recuaram 5,08%.

Em entrevista ao lado da presidente da empresa, Graça Foster, o diretor de exploração e produção da estatal, José Formigli, disse que poderão ser modificados os contratos fechados com as companhias denunciadas na mais recente fase da Lava-Jato, mas eles não serão cancelados ou interrompidos. “Em eventuais revisões que possam ocorrer em contratos onde sejam identificadas práticas não adequadas de contratação, eles vão ser corrigidos, mas a priori não vão ser rompidos”.

Ontem, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e o ex-diretor executivo da Queiroz Galvão Ildefonso Colares Filho usaram a estratégia de negar participação no suposto esquema criminoso na estatal.

Fonte: Valor Econômico/Fernando Torres, Cláudia Schüffner, Rodrigo Polito e André Ramalho | De São Paulo e do Rio