O papel da Autoridade Marítima no desenvolvimento socioeconômico da Amazônia Ocidental
A Amazônia é uma região do País que impõe diversos desafios logísticos, devido à sua imensidão territorial, à densa floresta e ao reduzido número de estradas. Na Amazônia Ocidental, esses desafios são ainda mais acentuados, sendo os mais de 22 mil quilômetros de rios navegáveis um ponto essencial para a integração regional e nacional.
Nesse contexto, a Marinha do Brasil (MB), na condição de Autoridade Marítima, exerce papel fundamental na garantia da segurança da navegação e na formação profissional dos aquaviários da região. Atuando nos Estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia, o Comando do 9° Distrito Naval (Com9°DN), trabalha de forma contínua para manter as rotas fluviais seguras e bem reguladas.
A navegação segura, elemento essencial para a integração das comunidades ribeirinhas e o escoamento de produtos locais, contribui significativamente para o desenvolvimento socioeconômico da região. A atuação da Marinha nas hidrovias, no controle de embarcações e na qualificação de profissionais da navegação também impulsiona o crescimento de atividades ligadas à logística e à indústria naval, ampliando as oportunidades de emprego e renda.
Na Amazônia Ocidental está localizado o principal polo industrial da Região Norte e um dos mais relevantes do País. O Polo Industrial de Manaus depende diretamente da navegação para o recebimento dos insumos e o escoamento dos produtos finalizados. Quanto mais a navegação no Amazonas se desenvolve, maior é a segurança para que as indústrias invistam e planejem sua expansão.
Além da indústria, o abastecimento energético da região depende fortemente da navegação. Nos períodos de seca, o Com9°DN apoia a Petrobras, assegurando que a produção de Petróleo e Gás da Usina de Urucu, localizada em Coari (AM), chegue até Manaus. Esse apoio é viabilizado por meio das sondagens realizadas pelo Centro de Hidrografia e Navegação do Noroeste (CHN-9) e das operações do tipo “follow-me”, conduzidas pelas embarcações da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC).
O Rio Madeira integra o Arco Norte e desempenha um papel estratégico como rota alternativa aos corredores tradicionais de transporte, escoando os grãos produzidos no Centro-Oeste para as demais regiões do Brasil.
Todo esse panorama evidencia a relevância da Autoridade Marítima na região, tanto como elemento fomentador da segurança quanto como articulador de ações voltadas ao desenvolvimento do setor de navegação em uma perspectiva ampla.
Nesse sentido, a Marinha uniu esforços com diversas entidades civis dos setores industrial, comercial e de pesquisa, viabilizando a criação do Cluster Naval do Amazonas. A iniciativa é voltada a fomentar o desenvolvimento econômico, tecnológico e social da região amazônica, com ênfase no fortalecimento da indústria naval.
A iniciativa segue o modelo de cooperação entre Estado, setor empresarial e academia, conhecido como “Tripla Hélice”, e busca potencializar investimentos, estimular cadeias produtivas, promover a qualificação profissional e incentivar a internacionalização das empresas ligadas à Base Industrial de Defesa.
Entre os objetivos institucionais, destacam-se a conscientização sobre a importância da defesa das águas nacionais, o incentivo à mentalidade marítima e fluvial, a difusão do poder marítimo como indutor do desenvolvimento socioeconômico, além da atração de investimentos e da geração de emprego e renda na região.
Ensino Profissional Marítimo
Além da questão econômica, a região amazônica apresenta um ambiente peculiar, no qual os ribeirinhos dependem da navegação para atividades cotidianas, como nos deslocamentos ao trabalho, à escola e aos centros comerciais. Nesse contexto, o acesso à navegação está diretamente relacionado ao direito de ir e vir dessas pessoas.
Para essas populações, a Força cumpre um dever social ao levar cursos de formação que garantem o deslocamento seguro dos ribeirinhos. Sendo assim, a MB enquanto Autoridade Marítima, exerce um papel fundamental na qualificação profissional dos aquaviários da região. Nos dois últimos anos, mais de 5 mil amazônidas foram capacitados por meio de cursos ofertados em toda a Amazônia Ocidental, inclusive em locais de difícil acesso, como a Comunidade Indígena Waimiri-Atroari.
Além disso, representantes da Autoridade Marítima se fazem presentes em ações de conscientização e regularização de documentos nas localidades mais distantes, por meio das iniciativas da Capitania Itinerante.
Tanto as ações de fiscalização e formação quanto as ações de conscientização utilizam a capacidade de interiorização da MB, com dezenas de Capitanias, Agências, Agências Flutuantes e embarcações que facilitam o acesso dos amazônidas aos serviços prestados pela Autoridade Marítima.
Fiscalizações
A segurança das hidrovias é essencial não apenas para o fluxo logístico de mercadorias e insumos, mas também para o dia a dia da população ribeirinha que vive nessas áreas. Em 2025, acidentes envolvendo comboios no Rio Madeira motivaram a Marinha a intensificar a fiscalização na região, além de promover diversas reuniões com a comunidade fluvial e emitir novos dispositivos regulatórios.
Em março, inspeções navais no Rio Madeira, sob coordenação da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental e da Capitania Fluvial de Porto Velho, reforçaram aos navegantes e condutores de embarcações a importância de trafegar com cautela, manter vigia extra nas embarcações e auxiliar o piloto na condução segura da navegação.
Nesse mesmo período, o Navio-Patrulha Fluvial “Rondônia”, além de atuar nas ações de inspeção naval, também realizou Patrulha Naval na região com objetivo de coibir práticas ilícitas e reforçar o combate a crimes transfronteiriços e ambientais. Durante as operações, foram apreendidos itens utilizados em atividades de garimpo ilegal em quatro dragas abordadas, além de uma embarcação com material ilícito.
Em julho, a Operação “Ordem nos Rios” foi realizada em pontos críticos do Rio Madeira, nas proximidades dos municípios de Borba (AM), Humaitá (AM) e na chegada a Porto Velho (RO). Ao longo da operação, foram efetuadas 274 abordagens, 6 apreensões e 20 notificações a embarcações.
Além das ações no Rio Madeira, também foram realizadas inspeções na região metropolitana de Manaus (AM). Em setembro, a CFAOC conduziu a Operação “Tarumã”, durante a qual militares, distribuídos em nove embarcações, inspecionaram embarcações de esporte e recreio em cinco pontos estratégicos do Tarumã. Ao final da operação, foram realizadas 426 abordagens, 107 notificações e 5 apreensões.
Levantamentos hidrográficos
O trabalho desenvolvido pelo CHN-9 tem reflexo direto no dia a dia da população da Amazônia. Durante os períodos de seca, quando os níveis dos rios diminuem drasticamente e impedem a navegação em determinados trechos, as informações e medições fornecidas pelo CHN-9 são decisivas para planejar as rotas seguras e garantir o fluxo logístico e econômico da região.
Um exemplo prático da contribuição da Marinha para o fluxo contínuo de insumos e combustíveis na região foram as ações realizadas pelos meios do CHN-9 no Rio Madeira e no Rio Solimões. Em outubro, o Navio Hidroceanográfico Fluvial (NHoFlu) “Rio Branco” executou um levantamento hidrográfico nas proximidades da foz do Madeira e, em conjunto com uma lancha da CFAOC, guiou um navio mercante pelo canal de navegação.
No Rio Solimões, o Aviso Hidroceanográfico Fluvial (AvHoFlu) “Rio Solimões”, fez levantamentos hidrográficos em trechos críticos à navegação de navios de grande porte, entre as cidades de Codajás e Coari (AM). Com base nas informações coletadas, foi possível auxiliar a navegação com segurança do Navio Mercante “Gilberto Freyre”, responsável pelo transporte de gás liquefeito de petróleo extraído em Coari.
Além de contribuir para a pesquisa científica e a proteção ambiental, a atuação da Marinha garante que a Amazônia permaneça conectada — por meio dos rios que, há séculos, funcionam como as verdadeiras estradas da região.
Fonte: Agência Marinha de Notícias






