Número de pedidos de refúgio ao Brasil aumenta 930% em três anos
Acre pede ajuda ao Governo Federal para risco de ebola em fronteira com Peru
O número total de pedidos de refugiados no Brasil aumentou mais de 930% entre 2010 e 2013. A informação, que foi divulgada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, revela que, há três anos, 566 solicitações de refúgio foram registradas no país. No ano passado, foram 5.882. A quantidade de pedidos continua a crescer, só até outubro deste ano mais 8.302 solicitações foram encaminhados para o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare).
Nesta terça-feira, o secretário nacional de Justiça e presidente do Conare, Paulo Abrão, e o representante do Acnur, Andrés Ramirez vão anunciar um novo acordo internacional para a proteção de refugiados e apátridas no Brasil.
De acordo com o Conare, o Brasil possui atualmente 7.289 refugiados reconhecidos, de 81 nacionalidades distintas, incluindo refugiados reassentados. Entre os refugiados reconhecidos pelo Brasil, os sírios representam o maior grupo, com 20% do total. Em seguida estão os refugiados da Colômbia, de Angola e da República Democrática do Congo.
Em 2014, a maioria dessas solicitações foi apresentada em São Paulo (26% do total), Acre (22%), Rio Grande do Sul (17%) e Paraná (12%). Regionalmente, estão concentradas nas regiões Sul (35%), Sudeste (31%) e Norte (25%).
Risco de Ebola no Acre
O Acre pediu ajuda ao Governo Federal para impedir que o vírus ebola chegue ao Estado. A intenção é que técnicos do órgão federal atuem na fronteira com o Peru para controlar a entrada de imigrantes senegaleses, que tem se intensificado nas últimas semanas.
Na última sexta-feira, o Senegal confirmou o registro do primeiro caso de paciente com vírus ebola. A vítima é um estudante da Universidade de Conakry, de 21 anos, que está em quarentena na capital Dakar, onde chegou com sinais de hemorragia na última quarta-feira. O jovem veio da Guiné, um dos países com maior número de mortes e doentes.
De acordo com o governo do Acre, o pedido de ajuda foi feito durante a vinda da ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) Ideli Salvatti, ao estado. Segundo o portal de notícias G1, atualmente existem 267 imigrantes em abrigos no estado. E embora a maioria tenha vindo do Haiti, 39 são do Senegal.
Ainda segundo o governo do Acre, funcionários da Polícia Federal, da Receita e de outros ministérios que atuam em fronteiras estão temerosos quanto à falta de estrutura para lidar com possíveis imigrantes infectados por ebola.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que o vírus já tenha feito 1.552 vítimas fatais e contagiou, ao todo, 3.069 pessoas. Na Guiné, origem do paciente do Senegal e onde o primeiro caso foi detectado em março, 430 mortes já foram registradas.
Fonte: O Globo






