Mercadante defende apoio à indústria naval e promete liberar R$ 2 bi do Fundo da Marinha Mercante
O presidente do BNDES, Aloízio Mercadante, defendeu o apoio do banco à indústria naval, dias após o governo federal lançar, em Brasília, uma nova política industrial, que promete R$ 300 bilhões em financiamentos até 2026. Segundo o executivo, os desembolsos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), operado pelo banco, vão dobrar para R$ 2 bilhões neste ano.
O BNDES será o carro-chefe do novo programa, com R$ 250 bilhões do valor total, parte em crédito subsidiado, o que levantou dúvidas entre investidores do mercado financeiro e suscitou críticas de economistas que alertaram para o custo fiscal elevado e o retorno duvidoso dos subsídios.
– Já tivemos uma forte indústria da construção naval nos anos 1970. O Brasil hoje é um dos três países que constrói avião. Temos que voltar a produzir navios, mas o navio do futuro, porque é isso que vai ser exigido nos próximos anos – afirmou Mercadante a jornalistas, no Rio, após participar de cerimônia de lançamento do BNDES Azul, conjunto de iniciativas do banco para apoiar “o fortalecimento da indústria naval e o incentivo à descarbonização da frota marítima”.
A referência ao “navio do futuro” se deve a uma “oportunidade” identificada por Mercadante. Conforme o presidente do BNDES, as metas da Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), que preveem multas para países que não descarbonizarem suas frotas até 2030, exigirá obras em embarcações antigas, para converter seu combustível para renovável, e a construção de novas, já com combustíveis verdes.
– Até 2030, 40% da frota marítima mundial tem que ter combustível renovável. Isso significa que temos uma grande oportunidade. O Brasil, como tem muita especialidade em etanol e biocombustíveis, pode sair na frente e ocupar a liderança – disse Mercadante.
O BNDES Azul inclui reduções nos spreads (a taxa que o banco adiciona aos juros, para cobrir seus custos operacionais e risco) do banco nos financiamentos a projetos que “comprovem a redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs)”, conforme os padrões IMO. Em nota, o banco informou que as reduções vão de 0,2 ponto percentual a 0,4 ponto percentual.






