Internacional: novo vídeo do Estado Islâmico mostra decapitação de refém americano
Na gravação de 16 minutos, um jihadista mascarado aparece ao lado de uma cabeça decapitada, que seria de Peter Kassig
O presidente Barack Obama confirmou neste domingo a morte do refém americano Peter Kassig nas mãos do Estados Islâmico (EI). Mais cedo, um novo vídeo mostrou um jihadista segurando a cabeça de Kassig, um trabalhador humanitário que havia sido capturado em outubro de 2013 na Síria. Kassig é o quinto refém dos EUA e do Reino Unido morto a sangue frio no país, como parte de uma iniciativa de propaganda do grupo extremista.
— A morte de Kassig é um ato de pura maldade — disse Obama, horas depois de o Conselho Nacional de Segurança afirmar que estava averiguando a autenticidade do filme.
“Estamos chocados com o assassinato brutal de um inocente trabalhador humanitário americano e expressamos nossas mais profundas condolências à sua família e amigos”, disse a porta-voz do Conselho, Bernadette Meehan, em comunicado.
Após a divulgação da notícia, os pais de Peter pediram que fotos e vídeos do americano morto não sejam publicados pela mídia. Em maio deste ano, Ed e Paula Kassig, de Indiana, haviam gravado uma mensagem em vídeo pedindo a libertação de Peter.
“A família pede respeitosamente que os meios de comunicações não entrem no jogo dos sequestradores e evitem a publicação das fotos ou vídeos divulgados”, afirmaram Ed e Paula Kassig em um comunicado.
No vídeo de quase 16 minutos, o terrorista de sotaque britânico do EI conhecido como Jihad John, vestido de preto e com o rosto coberto, exibe uma cabeça decepada. As imagens, significativamente diferentes das anteriores, mostram ainda uma das cenas mais terríveis já divulgadas pelo grupo: a decapitação em massa de pelo menos 15 soldados sírios.
Embora rumores dissessem que o extremista que conduz a gravação teria sido atingido em um ataque aéreo dos EUA recentemente, não há indícios de ferimentos nas imagens. Falando para a câmera, ele faz um discurso dirigido a Obama, como em vídeos anteriores.
— Para Obama, o cão de Roma, hoje estamos matando os soldados de Bashar (al-Assad, presidente da Síria), e amanhã estaremos sacrificando os seus soldados — disse o rebelde mascarado. — E com a permissão de Alá, o Estado Islâmico em breve começará a massacrar o seu povo em suas ruas.
A filmagem foi feita em Dabiq, uma aldeia na província de Aleppo, a 25 quilômetros da fronteira com a Turquia. Não é a única diferença entre os vídeos anteriores. Vestidos com roupas camufladas, os combatentes do EI têm os rostos descobertos ao exibirem suas facas de caça enquanto levam os prisioneiros sírios para serem executados. Todos os reféns estão com calças e camisas pretas e têm as mãos amarradas.
Até 200 mil soldados
Desde agosto, o grupo extremista reivindica a decapitação de quatro reféns ocidentais. Entre as vítimas, estavam os jornalistas americanos James Foley e Steven Sotloff, e os trabalhadores humanitários David Haines e Alan Henning.
Os vídeos, no entanto, eram relativamente curtos, com menos de cinco minutos, em média, e incluíam um discurso do refém, em que ele é forçado a acusar o governo de seu país por supostos crimes contra os muçulmanos. Já a morte de Kassig aparece nos dois minutos finais de uma gravação de 16 minutos, que traça a história do Estado Islâmico desde as suas origens, com a invasão do Iraque por aliados ocidentais em 2003, e comemora promessas recentes de lealdade de combatentes em Líbia, Sinai, Argélia e Iêmen, afirmando “que a era da divisão entre os jihadistas tinha acabado”.
Neste domingo, Fuad Hussein, chefe de gabinete do presidente da região autônoma curda no Iraque, afirmou que o número de combatentes do Estado Islâmico pode ser sete ou oito vezes maior que o número estimado pela CIA — de 31.500 homens. Segundo ele, a capacidade do EI para atacar em várias frentes amplamente separadas no Iraque e na Síria ao mesmo tempo indica que o número de soldados é de pelo menos 200 mil.
Em entrevista exclusiva ao “The Independent”, Hussein afirmou que “eles são capazes de mobilizar jovens árabes nos territórios que tomaram”.
Fonte: O Globo / com Agências Internacionais






