Intermodalidade e cabotagem seriam solução para maior eficiência dos portos brasileiros
Estudo realizado pela Maersk mostra que as soluções intermodais podem ser de 16 a 20% mais econômicas que a opção rodoviária
Em 2013 o Porto de Roterdã, na Holanda movimentou 440 milhões de toneladas ou 12 milhões de Teus, enquanto Santos operou 114 milhões de toneladas ou 3,4 milhões de Teus.
Segundo Mauro Lourenço Dias, vice presidente da Fiorde Logística Internacional a comparação pode ser irrealista pelo porto ser o mais movimentado e eficiente do mundo ocidental, porém aponta que até 2030, Roterdã pretende ampliar sua movimentação para 30 milhões de Teus, enquanto Santos espera alcançar em 2024 a marca de 6,8 milhões de Teus. “A diferença é brutal, mas serve para mostrar que Santos está muito aquém do que poderia desenvolver no mercado internacional, até porque a área de Maasvlakte 2, o novo espaço portuário de Roterdã, de sete quilômetros de extensão, é pouco menor que o do Porto de Santos, mas deverá movimentar em breve 11,5 milhões de Teus por ano”, diz.
Segundo o executivo, é fato que o número de contêineres movimentados no Brasil cresceu três vezes do início do século para cá, mas os números do porto santista, se comparados com os de Roterdã, são irrelevantes, levando-se em consideração o potencial que o País oferece. “Isso ocorre porque, ao contrário do que se dá em Roterdã, somente uma pequena parte do transporte fretado para o Porto de Santos é realizado de maneira intermodal, em razão da insuficiência da sua capacidade ferroviária e do pouco aproveitamento do sistema hidroviário, agravados pela falta de integração entre os modais”.
O executivo cita ainda um estudo realizado pela Maersk que mostra que as soluções intermodais podem ser de 16 a 20% mais econômicas que a opção rodoviária. Outra alternativa para um país de dimensões continentais como o Brasil, segundo ele, seria a cabotagem que é até 25% mais barata que o modal rodoviário. “Obviamente, não se faz aqui a execração do modal rodoviário, que continuará imbatível e insubstituível para médias e pequenas distâncias”, completa.
Para ele não basta investir apenas na infraestrutura logística, sem adequar o porto aos novos padrões internacionais, que preveem a retirada do contêiner de vagões por um portêiner e seu transporte para uma plataforma móvel até o pátio. Tudo automaticamente, sem a participação humana.. “É por isso que o Brasil ocupa a 123ª colocação num ranking de 185 países, o Indice Ease of Doing Business, de 2013, que calcula o tempo, o custo e a documentação exigida para a exportação ou importação. Em breves e resumidas palavras: o Brasil figura entre os piores do mundo, quando o assunto é alfândega. É preciso, portanto, reverter esta situação o quanto antes”, finaliza.
Fonte: Guia Marítimo






