Expansão histórica no Porto de São Sebastião vai gerar mais de 6 mil empregos

Expansão histórica no Porto de São Sebastião vai gerar mais de 6 mil empregos

O Porto de São Sebastião se prepara para o maior salto de sua história recente. Com o arrendamento de um novo terminal, a área SSB01, o complexo do litoral norte paulista deve receber R$ 2,5 bilhões em investimentos privados, quadruplicar a capacidade de movimentação de cargas para até 4,3 milhões de toneladas por ano e criar um novo terminal com 426 mil metros quadrados de área operacional. A estimativa é de geração de mais de 6 mil empregos, somando vagas temporárias e permanentes ao longo do contrato.

A expansão é conduzida em parceria pelo governo federal e pelo governo do Estado de São Paulo, por meio da Companhia Docas de São Sebastião (CDSS) e da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). A licitação do terminal está prevista para março de 2026, etapa considerada decisiva para consolidar o porto como um dos principais hubs logísticos de São Paulo.

Arrendamento do SSB01 e impacto na logística paulista

A visita do ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, ao Porto de São Sebastião marcou o início da fase final de preparação do leilão da área SSB01. Na agenda, ele confirmou a intenção do governo federal de levar o projeto a leilão em 2026, com contrato de longo prazo e foco em cargas gerais, granéis e contêineres.

O projeto de arrendamento ainda passa por ajustes técnicos e jurídicos e precisa de aval do Tribunal de Contas da União (TCU) antes da publicação definitiva do edital. A modelagem atual prevê aumento de 187% na capacidade de movimentação, permitindo que o porto alcance até 4,3 milhões de toneladas anuais, além de até 1,3 milhão de contêineres por ano quando o terminal estiver em plena operação.

A CDSS e o governo estadual tratam o SSB01 como o principal motor de um novo ciclo de crescimento para o porto, com expectativa de atrair grandes operadores logísticos, ampliar rotas internacionais e fortalecer o papel do litoral norte na cadeia de exportação e importação do estado.

Novo terminal de 426 mil m²

Pela modelagem em discussão, o novo terminal ocupará 426 mil m² de área operacional, com pátios de armazenagem, edificações de apoio e um píer equipado com dois berços de atracação para navios de grande porte.

Um dos berços deverá permanecer sob operação pública, o que garante flexibilidade para o atendimento a diferentes tipos de carga e a manutenção de espaço para operações sob controle direto da autoridade portuária.

O contrato de arrendamento terá prazo de cerca de 35 anos, período em que o investidor privado será responsável pela implantação, operação e manutenção da infraestrutura.

Em contrapartida, pagará outorga e tarifas previstas em contrato, além de seguir parâmetros de desempenho operacional e ambiental definidos pela agência reguladora e pela União.

Entre as obras previstas estão a construção do píer, ampliação de pátios de manobra, instalação de sistemas modernos de carga e descarga de caminhões, dragagem pontual de adequação e melhorias de acessos internos.

A expectativa é que essas intervenções ampliem a eficiência e reduzam gargalos hoje observados em períodos de maior fluxo.

Investimentos e empregos no litoral norte

A projeção oficial indica R$ 2,5 bilhões em investimentos privados ao longo do contrato do SSB01.

Desse total, uma parcela relevante se concentra na fase inicial de obras, quando serão construídas as principais estruturas marítimas e terrestres do terminal.

Durante a construção, a estimativa é de geração de cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos, em funções ligadas à engenharia, serviços, transporte, comércio e apoio logístico.

Na fase operacional, o terminal deve manter cerca de 1,3 mil postos de trabalho permanentes, entre empregos diretos e terceirizados, elevando o impacto total para mais de 6 mil vagas ao longo do ciclo.

A perspectiva é que a expansão altere a dinâmica econômica do litoral norte paulista, com reflexos em São Sebastião, Caraguatatuba, Ilhabela e cidades do Vale do Paraíba, fortalecendo cadeias como construção civil, serviços portuários, transporte rodoviário e atividades ligadas ao turismo de negócios.

Canal profundo e recuperação da movimentação

Um dos principais trunfos do Porto de São Sebastião é seu canal natural profundo, que permite a recepção de navios de grande calado sem necessidade de dragagens constantes. Isso reduz custos operacionais e torna o complexo competitivo para cargas de maior volume e valor agregado. O porto vem registrando avanços de movimentação.

Em 2024, superou a marca de 1,4 milhão de toneladas entre janeiro e novembro. Em 2025, o ritmo de crescimento se mantém. Até setembro, foram movimentadas 1,12 milhão de toneladas, com destaque para barrilha, malte, trigo, açúcar e equipamentos industriais. O desempenho reforça a diversificação da carteira de cargas e a recuperação do protagonismo do porto entre os terminais públicos do país. Esse resultado rendeu a São Sebastião o reconhecimento no prêmio Portos + Brasil, na categoria de maior crescimento percentual de movimentação entre portos públicos.

Controle de caminhões e nova organização logística

Paralelamente ao projeto do SSB01, a CDSS implementou medidas para organizar a chegada de caminhões ao porto.

Desde outubro, passou a operar o Centro de Triagem Serramar, área de apoio logístico localizada em Caraguatatuba.

Todos os veículos com destino ao Porto de São Sebastião devem, obrigatoriamente, passar pelo pátio, com acesso condicionado a agendamento prévio realizado pelas transportadoras.

O espaço conta com cerca de 32 mil m², estacionamento, sanitários, refeitório, área de descanso e monitoramento 24 horas.

Governança e integração regional

Sob a gestão da Companhia Docas de São Sebastião, vinculada à Semil, o plano é que a expansão ocorra com foco em eficiência operacional, sustentabilidade ambiental e integração urbana.

Estudos em andamento preveem manutenção de um berço de atracação sob operação pública e exigências ambientais rigorosas para o futuro arrendatário, incluindo controles de emissão, gestão de resíduos e monitoramento de impactos sobre o entorno.

Para o governo estadual e a CDSS, o arrendamento do SSB01 se soma a outras iniciativas que pretendem consolidar o Porto de São Sebastião como alternativa estruturada aos grandes complexos portuários do Sudeste, especialmente na movimentação de granéis, carga geral e contêineres.

Fonte: Click Petróleo e Gás