Economia do Mar: Potenciais e desafios debatidos em Alagoas

Economia do Mar: Potenciais e desafios debatidos em Alagoas

A importância da economia do mar para o desenvolvimento econômico e sustentável do Brasil foi o tema central de um encontro realizado na Federação da Indústria de Alagoas (FIAL). O evento trouxe o Subsecretário Adjunto da Secretaria de Energia e Economia do Mar do Rio de Janeiro, Marcelo Felipe Alexandre para abordar experiências de sucesso do Rio de Janeiro, onde reforçou a necessidade de políticas públicas e iniciativas locais para potencializar os recursos marítimos e gerar novas oportunidades de emprego e renda.

Economia do mar: um potencial estratégico para o Brasil

A Economia do Mar, ou Economia Azul, representa um conjunto de atividades econômicas que utilizam os recursos marítimos de forma sustentável, gerando valor para a sociedade. Desde o transporte marítimo até a exploração de energia e o turismo costeiro, o setor tem se destacado como um motor de desenvolvimento global.

Em 2030, a economia do mar deve movimentar 3 trilhões de dólares no mundo, empregando diretamente cerca de 40 milhões de pessoas. Para o Brasil, com um extenso litoral e uma das maiores zonas econômicas exclusivas do planeta, as possibilidades são imensas. O evento em Alagoas destacou que explorar esse potencial requer inovação, planejamento e sustentabilidade, assegurando recursos para as futuras gerações.

Experiências e políticas públicas em destaque

O Rio de Janeiro desponta como referência nacional na economia do mar, com iniciativas que podem inspirar Alagoas a explorar seu potencial marítimo. Um dos projetos de destaque é a reativação de estaleiros com foco para o descomissionamento de plataformas de petróleo e a reciclagem de embarcações abandonadas, atividades que geram empregos e revitalizam áreas degradadas. Essa estratégia, que combinada com o reaproveitamento de materiais como o aço das plataformas, gera créditos de carbono e fomenta a economia circular, contribuindo para a sustentabilidade.

Outro exemplo bem-sucedido é a criação de um polo pesqueiro num antigo estaleiro no bairro do Caju e a polos tecnológicos, como o de Angra dos Reis, que reúne startups voltadas para a inovação marítima e promove o desenvolvimento de cadeias produtivas locais. Esse modelo de integração entre pesquisa, indústria e comunidades pesqueiras é uma via promissora para estados costeiros como Alagoas.

O incentivo à cultura oceânica também será um fato transformador no Rio de Janeiro. Prestes a ser incluído nas Escolas Públicas do Estado do Rio, aulas de remo e vela visa popularizar atividades marítimas entre os jovens, despertando o interesse por profissões relacionadas à economia azul. Além dessa iniciativa se planeja a criação de uma Escola Técnica voltada às atividades marítimas, para complementar a missão já feita pela Marinha do Brasil na profissionalização dos pescadores e profissionais marítimos. Essa abordagem educacional não só enriquece a formação dos estudantes e trabalhadores, como também cria uma mentalidade marítima essencial para impulsionar o setor.

CEDEMAR: Uma força estratégica para a economia azul

A Comissão Estadual de Desenvolvimento da Economia do Mar (CEDEMAR) surgiu como um elemento central para impulsionar o aproveitamento sustentável do potencial marítimo do Rio de Janeiro. Atuando como um fórum colaborativo nas instalações da Escola Superior de Guerra (ESG), a CEDEMAR reúne governo, setor privado, academia e sociedade civil para discutir, planejar e implementar políticas públicas voltadas para a economia azul. Seu papel é coordenar iniciativas que promovam a geração de empregos, renda e inovação, alinhadas à preservação ambiental.

Entre as principais ações da CEDEMAR estão a elaboração de estratégias de longo prazo para setores como pesca, turismo náutico, transporte marítimo e energias renováveis. A comissão também fomenta a cultura oceânica, promovendo a inclusão de programas educacionais sobre o mar e incentivando a formação de mão de obra especializada. Além disso, a CEDEMAR atua para atrair investimentos e captar recursos nacionais e internacionais, estruturando projetos que atendam às demandas globais por uma economia azul sustentável.

Alagoas e o futuro da economia do mar

Com 230 km de litoral e uma das orlas mais belas do país, Alagoas possui um vasto potencial para se consolidar como referência na economia azul. O Porto de Maceió, com sua infraestrutura de excelência e localização estratégica, pode ser um motor de crescimento econômico. Com a atração de novas rotas marítimas internacionais, pode aumentar o fluxo de cargas, gerando empregos diretos e indiretos no setor portuário e em sua cadeia produtiva.

O turismo costeiro, um dos carros-chefe da economia de Alagoas, também pode ser integrado à economia azul. Investimentos em marinas, infraestrutura para esportes náuticos e passeios de barco sustentável têm potencial para ampliar as oportunidades de renda para comunidades locais, além de atrair um público mais diversificado e qualificado.

Fonte: Defesa em Foco