Dia Nacional da Amazônia Azul: Marinha anuncia avanços estratégicos e novos meios navais
O Dia Nacional da Amazônia Azul ganha relevância especial em 2025, com a Marinha do Brasil anunciando uma série de avanços estratégicos destinados a ampliar a presença, a capacidade operacional e a proteção dos mais de 5,7 milhões de km² de águas sob jurisdição brasileira. As iniciativas reveladas neste 16 de novembro reforçam a importância econômica, ambiental e geopolítica da Amazônia Azul, área responsável por grande parte da energia, da conectividade e do comércio exterior do País.
Instrumentos legais, capacidades navais e expansão estratégica
A consolidação da Amazônia Azul como eixo estratégico nacional passa por uma robusta arquitetura normativa e operacional. Em 2025, dois marcos regulatórios redefiniram a governança marítima brasileira: a Política Marítima Nacional (PMN), que fixa diretrizes para soberania, segurança marítima, proteção ambiental e desenvolvimento sustentável; e o Planejamento Espacial Marinho (PEM), ferramenta técnico-científica que organiza, compatibiliza e regula os usos do mar, equilibrando exploração econômica, conservação ambiental e interesses geopolíticos. Ambos estabelecem bases modernas e integradas para a atuação do Estado no ambiente marinho.
No campo operacional, a Marinha ampliou substancialmente seu poder de dissuasão e capacidade expedicionária. A aquisição do HMS Bulwark, futuro Navio-Doca Multipropósito “Oiapoque”, representa salto significativo para operações anfíbias, resposta humanitária e apoio a desastres naturais, áreas críticas em um litoral com mais de 8.500 km. O lançamento da Fragata “Jerônimo de Albuquerque”, a incorporação do Submarino “Tonelero” e o lançamento ao mar do Submarino “Almirante Karam” reforçam a eficiência do PROSUB e aumentam a presença brasileira em águas profundas. Esse conjunto de meios eleva o nível de prontidão da Esquadra e fortalece o controle das Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB).
Impacto econômico, ambiental e científico da Amazônia Azul
A Amazônia Azul é um dos maiores ativos nacionais, sustentando diretamente setores que movimentam cerca de R$ 1,74 trilhão do PIB e empregam aproximadamente 20 milhões de brasileiros. A economia do mar engloba atividades portuárias, cadeia de petróleo e gás, pesca, biotecnologia, transporte marítimo e energias renováveis. Em um país onde 95% do comércio exterior depende de rotas marítimas e onde se produzem 97% do petróleo e 85% do gás natural, o fortalecimento das políticas oceânicas é decisivo para a estabilidade econômica.
No plano ambiental e científico, a Marinha exerce papel crucial. O PROARQUIPELAGO mantém presença ininterrupta no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, assegurando 455 mil km² de ZEE e sustentando pesquisas oceanográficas que envolvem mais de 2.000 cientistas. Já o Navio Polar “Almirante Saldanha”, em construção nacional, ampliará a capacidade brasileira na Antártica, reforçando a diplomacia científica e a presença estratégica no continente gelado. Os novos Conselhos Consultivos das áreas protegidas de Trindade, Martim Vaz e São Pedro e São Paulo fortalecem o diálogo entre governo, pesquisadores e sociedade, ampliando a governança ambiental em ecossistemas marinhos únicos do Atlântico Sul.
Geopolítica, soberania e a consolidação do Brasil como potência marítima
Celebrar o Dia Nacional da Amazônia Azul é reafirmar que o mar constitui um dos principais vetores de soberania do País. Com mais de 5,7 milhões de km² — área maior que a da Amazônia verde — o Brasil detém uma das maiores zonas marítimas do mundo, com potencial energético, mineral, biológico e logístico estratégico. A aprovação pela Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU, garantindo ao Brasil cerca de 360 mil km² adicionais na Margem Equatorial, representa um dos maiores triunfos diplomáticos da história recente e amplia a fronteira marítima nacional de maneira inédita.
Com programas estruturantes como SisGAAz, PROSUB, PNM, construção de fragatas classe Tamandaré, navios-patrulha e a modernização integral da Esquadra, o Brasil avança para consolidar sua posição como potência marítima regional. A combinação de ciência, presença militar, política externa ativa e sustentabilidade transforma a Amazônia Azul em um projeto nacional de longo prazo. O futuro estratégico, econômico e ambiental do País passa, inevitavelmente, pela capacidade de proteger, desenvolver e compreender essa imensidão atlântica.
Fonte: Defesa em Foco






