Com Brasil em crise, concessão de visto de trabalho para estrangeiros cai 21%
O Brasil perdeu atratividade na rota de trabalho internacional. A concessão de visto de trabalho para estrangeiros caiu 21,12% em 2015, último dado disponível, somando 36.868 autorizações. O levantamento foi feito com base em estatísticas da Coordenação Geral de Imigração (CGIg) do Ministério do Trabalho. Quase metade desses profissionais foram para o Estado do Rio de Janeiro.
“É uma queda natural que acompanha o momento econômico que estamos vivendo”, afirma Luiz Alberto Matos dos Santos, coordenador geral substituto de imigração do Ministério do Trabalho.
Segundo Marta Mitico, sócia-fundadora do escritório BR-Visa, empresa que presta consultoria e assessoria em imigração, o cenário econômico internacional e a crise no país contribuíram para a queda. “A crise internacional somada a crise de credibilidade institucional traçaram caminho para a queda de investimentos no Brasil e da vinda de estrangeiros. Com a economia tão volúvel, os empregadores estão mais conservadores”, afirma.
A variação cambial também pesou nesse movimento. Muitos desses expatriados buscam fazer sua poupança em dólar. Em 2015, a moeda brasileira perdeu 48% do seu valor na comparação com o dólar. Ficou, portanto, menos interessante para um estrangeiro receber em real.
Mudança de rota
Quando a economia brasileira ia bem, o país ganhou destaque internacional e foi apontado como um mercado emergente e atrativo para investimentos. Um dos momentos mais emblemáticos foi em novembro de 2009, quando o país ganhou a capa da revista The Economist, com uma foto do Cristo Redentor “decolando”. Entre 2008 e 2013, o Brasil era uma promessa de crescimento em um contexto em que os Estados Unidos e a Europa enfrentavam um cenário de crise.
Nesse contexto, o Brasil viveu um “boom” de profissionais estrangeiros entre 2011 e 2013, quando mais de 198 mil chegaram ao país, segundo dados do Ministério do Trabalho. Foram 69.077 em 2011, passando para 67.220 em 2012 e 62.387 em 2013.
Raphael Falcão, diretor da consultoria de carreiras Hays, explica que os estrangeiros chegavam ao Brasil por três motivos: empresa enviava funcionário de confiança para liderar operação no país, deslocava jovens talentos para projetos com potencial de crescimento para lançamento de serviço ou produto ou trazia do exterior profissionais com conhecimentos técnicos que não eram encontrados aqui.
Mas, a partir de 2014, a crise política e econômica fez o Brasil sair do radar das empresas e investidores. Com esse cenário, investimentos foram deslocados para outros países e os profissionais estrangeiros também mudaram a sua rota.
Além disso, o custo de manter um expatriado no Brasil fez com que muitas empresas reavaliassem o seu quadro de expatriados. “Todas as empresas repensaram o seu modelo de negócio”, afirma Falcão.
Fonte: G1






