Cabotagem cresce 27% no Brasil no primeiro trimestre de 2014
Navegação doméstica oferece uma série de vantagens para o transporte de mercadorias no País
O transporte de mercadorias via navegação costeira (realizada em portos interiores do país ou por vias fluviais) também denominado de cabotagem, apresentou crescimento de 27% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo intervalo de 2013, chegando a 165 mil Teus (contêiner de 20 pés). Os dados foram compilados pelo armador Mercosul Line, do grupo Maersk, a partir de levantamento feito pela consultoria de comércio marítimo Datamar.
Segundo informações divulgadas pelo Jornal Valor Econômico, a estimativa é que o ritmo de crescimento diminua no meio do ano, justamente devido às compras já feitas durante a Copa, mantendo-se estável no segundo semestre. A expectativa também é de que o transporte marítimo doméstico cresça 16% em 2014, chegando a quase 650 mil Teus.
De acordo com o estudo da CNT (Confederação Nacional de Transportes), apenas em relação à capacidade de carregamento, uma embarcação tem capacidade para transportar cinco mil toneladas. Para deslocar a mesma quantidade por outros modais, são necessários 72 vagões com 70 toneladas cada ou 143 carretas com 35 toneladas cada.
Ainda conforme o levantamento da CNT, no ano de 2012 foram investidos R$ 357,1 milhões no transporte marítimo, o investimento médio anual entre 2002 e 2012 foi de R$ 299,7 milhões. Além disso, o transporte via cabotagem tem sido considerado bom por 66,3% das empresas que só veem como principais entraves à burocracia, a carência de infraestrutura portuária e a ausência de equipamentos adequados para a movimentação de cargas.
Desenvolvimento e vantagens
O Brasil é um país extremamente favorecido para a navegação de cabotagem por suas condições naturais e distribuição demográfica. O país conta com uma costa navegável de 7.500 km de extensão, mais de 30 portos organizados e inúmeros terminais de uso privativo.
Hoje, a cabotagem representa menos de 10% da matriz brasileira de transporte de carga e isso significa bem menos do que os 37% movimentados na União Europeia e os 48% transportados pela China.
Em recente pesquisa realizada pelo Instituto de Logística e Supply Chain – ILOS, a cabotagem apontou diversos benefícios para o transporte de mercadorias, tais como: grande capacidade de carregamento, menor consumo de combustível e redução de poluentes, baixo índice de acidentes e roubos de carga. Entretanto, o modal enfrenta alguns entraves que freiam o desenvolvimento da atividade. Dentre eles, o preço do combustível do navio, carência de oficiais para guarnecer as embarcações, custo da tripulação, custos com praticagem e a burocracia na liberação de carga e navio.
A atividade só é permitida para empresas brasileiras de navegação autorizadas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários – Antaq, ou em navio estrangeiro fretado por essas empresas. Pressupõe uma quantidade mínima de tripulantes, a qual deve ser composta por pelo menos 2/3 de brasileiros.
Fonte: SINCOMAM / Margarida Putti






