Cabotagem avança no Nordeste com novas linhas e custo menor

Cabotagem avança no Nordeste com novas linhas e custo menor

Custo menor de transporte e a ampliação de escalas marítimas, entre outros fatores, têm feito a cabotagem avançar no Nordeste. Segundo operadores, há cada vez mais adesão essa modalidade de transporte, bem presente nos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), dois dos mais importantes da região, onde 82% e 72% dos contêineres movimentados, respectivamente, são por cabotagem, de acordo com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

E há espaço para crescimento. Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que menos de um terço das indústrias do Nordeste utilizam o modal. Mesmo assim, impulsionado pela posição geográfica da região, o transporte de volumes consideráveis de mercadorias de alto valor agregado (eletrônicos e produtos industrializados) e de consumo (alimentos, bebidas, vestuário) por embarcações que fazem a navegação costeira no Nordeste saltou de 8,94 milhões de toneladas, em 2021, para pouco mais de 10 milhões de toneladas em 2024.

Luis Fernando Resano, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), defende que esse avanço se deve também ao menor custo para distâncias acima de 1,5 mil km. O modal ainda é considerado mais seguro, com índice de roubo praticamente nulo, e tem oferta de serviço porta a porta.

“Quando se avalia o impacto econômico da cabotagem, é importante considerar que a redução de custos não se limita ao valor do frete, mas a toda eficiência gerada pelo modelo marítimo”, diz Felipe Gurgel, diretor comercial da Log-In Logística Integrada, que atua na região. Segundo ele, o modal traz ganhos em previsibilidade, segurança e controle operacional, com menor incidência de avarias, redução de riscos logísticos e, em consequência, redução nos custos de seguros.

A empresa registrou crescimento de 36% no volume de cargas destinadas aos portos nordestinos entre 2021 e 2024, reflexo de um relativo fortalecimento da infraestrutura portuária e de uma maior adesão das empresas locais a esse modal. Gurgel afirma que, desde 2023, cerca de 68,5% de toda a carga movimentada pela companhia por cabotagem teve origem ou destino entre os portos da região.

Ainda há entraves, porém. Segundo a CNI, empresários locais citam principalmente incompatibilidade geográfica com rotas existentes (45%), indisponibilidade de serviços regulares (39%), tempo de trânsito elevado (15%) e distância entre fábricas e portos (15%). Infraestrutura portuária insuficiente, qualidade de estradas que prejudicam o acesso aos terminais e limitada integração multimodal, que aumentam custos e tempo de transporte, também são citados como parte dos problemas.

A Log-In recentemente lançou uma nova escala em Suape, ampliando a capacidade de atendimento, e a Aliança Navegação & Logística destaca que a movimentação no porto deverá ficar ainda maior com o início das operações da APM Terminals Suape, primeiro porto 100% eletrificado da América Latina, que entrará em operação no segundo semestre de 2026. Suape bateu recorde nos primeiros sete meses do ano, com pouco mais de 389 mil TEU’s (unidade de medida para a capacidade de carga de contêineres marítimos) movimentados.

“Com localização privilegiada, infraestrutura modernizada e eletrificada e uso de tecnologia de ponta e soluções sustentáveis, o terminal será ponto-chave na integração das cadeias produtivas do Nordeste”, diz José Roberto Duque, diretor comercial da Aliança Navegação & Logística. “Para que a cabotagem seja mais utilizada no Nordeste, é necessário avançar em investimentos em infraestrutura, ampliar linhas, reduzir custos e burocracia e fortalecer a integração tecnológica e logística, garantindo maior competitividade e eficiência frente a outros modais”.

Duque completa afirmando que a modernização tecnológica dos terminais tem ritmo desigual, com poucos portos totalmente automatizados ou eletrificados. Gurgel, da Log-In, cita ainda os custos operacionais elevados nos portos da região. O executivo, por outro lado, afirma que o programa BR do Mar, do governo federal, tem contribuído para a expansão das operações. A companhia, afirma, aumentou sua capacidade ofertada na região em mais de 75% desde que o programa foi lançado.

Fonte: Valor Econômico