Brasil quer reforça Cultura Oceânica e convida todos a conhecer a Amazônia Azul
O Brasil intensificou a divulgação da Cultura Oceânica, reforçando a necessidade de que toda a população compreenda o valor da Amazônia Azul, área marítima de 5,7 milhões de km² que concentra petróleo, gás, biodiversidade e 95% do comércio exterior. A nova campanha, que traz o lema “o mar está em tudo”, aposta em vídeos, materiais educativos e um hotsite especial para aproximar os brasileiros das águas que movem grande parte do País.
A dimensão técnica e estratégica da Amazônia Azul
A Amazônia Azul representa um dos maiores patrimônios estratégicos do País. São 5,7 milhões de quilômetros quadrados que incluem o mar territorial, a Zona Econômica Exclusiva (ZEE) e a plataforma continental estendida, cujo reconhecimento internacional é fruto de décadas de estudos conduzidos pela Marinha do Brasil em parceria com instituições civis e o Ministério das Relações Exteriores. Apenas essa área ampliada soma 2,1 milhões de km² além das 200 milhas náuticas.
A relevância econômica é imensa: 97% do petróleo, 85% do gás natural, 95% do comércio exterior, 45% do pescado consumido no País e praticamente todos os cabos submarinos de dados passam pela Amazônia Azul. A infraestrutura marítima — portos, terminais, sistemas de navegação, plataformas e rotas comerciais — é o coração invisível da economia nacional.
A campanha utiliza peças digitais, tecnologia audiovisual e linguagem acessível para explicar ao público como essa imensa área demanda vigilância constante, meios navais capazes e estímulo ao desenvolvimento científico. Para isso, a MB emprega navios-aeródromo, fragatas, navios-patrulha, submarinos, aeronaves de asa fixa, helicópteros e, cada vez mais, sistemas de inteligência e monitoramento.
A força institucional e social da Cultura Oceânica no Brasil
A campanha “O mar está em tudo”, desenvolvida pelo Centro de Comunicação Estratégica da Marinha (CCEM), amplia o alcance da Cultura Oceânica no Brasil ao dialogar diretamente com o cidadão comum, especialmente os jovens. A iniciativa reúne hotsite interativo, posts estáticos, vídeos, cortes de videocast e entrevistas com especialistas em oceanografia, gestão marítima e políticas públicas.
Participaram da ação nomes como Rodrigo Thomé, idealizador do movimento Euceano, e o Capitão de Mar e Guerra (Reserva) Rodrigo de Campos Carvalho, integrante da SECIRM. O objetivo é aproximar a sociedade de temas como soberania, economia do mar, preservação ambiental e ciência oceânica — elementos que impactam diretamente o cotidiano da população, mesmo daqueles que vivem longe do litoral.
“O mar sustenta vidas, conexões e riquezas. Queremos que os brasileiros se sintam parte dele”, reforçou o Contra-Almirante Alexandre Taumaturgo Pavoni, diretor do CCEM. A campanha mobiliza narrativas que mostram que o oceano está presente no alimento, na energia, na internet, no transporte e em praticamente todos os setores econômicos do País.
Soberania marítima, geopolítica e a construção histórica da Amazônia Azul
O conceito de Amazônia Azul surgiu em 2004, em artigo publicado na Folha de São Paulo, como uma metáfora para despertar a sociedade para a importância estratégica do mar — tão vulnerável e essencial quanto a Amazônia Verde. Desde então, o Brasil vem consolidando seu espaço marítimo por meio de pesquisas científicas, missões hidrográficas, operações de presença e negociações internacionais.
O episódio de 2023, quando uma fragata brasileira dissuadiu um navio estrangeiro que realizava pesquisas não autorizadas na Elevação do Rio Grande, mostrou o peso geopolítico da área e a necessidade permanente de presença naval. O cinturão marítimo brasileiro abriga recursos críticos como manganês, níquel, cobalto, platina, terras-raras e áreas de valor ambiental incomparável.
Outro eixo estratégico é o Planejamento Espacial Marinho (PEM), iniciativa conduzida pela Marinha e pelo Ministério do Meio Ambiente que organiza o uso múltiplo do mar — pesca, navegação, energia eólica, circulação portuária, cabos e exploração mineral — garantindo sustentabilidade e segurança jurídica.
A soberania marítima brasileira também se apoia na participação em exercícios como ASPIRANTEX, ADEREX, UNITAS, GUINEX e Fraterno, que elevam o nível de adestramento das tripulações e integram o País à comunidade marítima internacional, reforçando a presença no Atlântico Sul e no entorno estratégico brasileiro.
Fonte: Defesa em Foco






