BNDES lança estudo de R$ 8 milhões sobre transição energética e futuro da indústria naval brasileira

BNDES lança estudo de R$ 8 milhões sobre transição energética e futuro da indústria naval brasileira

O BNDES lançou a seleção de parceiro executor para um estudo técnico estratégico sobre a indústria naval brasileira. Com orçamento de até R$ 8 milhões, o projeto faz parte da iniciativa BNDES Azul e terá como foco a transição energética e a descarbonização da frota, apontando caminhos para a retomada do setor com geração de empregos e inovação.

Objetivos e alcance do estudo técnico
O estudo será financiado pelo Fundo de Estruturação de Projetos (BNDES FEP) e terá como principal missão mapear as condições atuais da indústria naval, identificando oportunidades de modernização em sintonia com as metas globais de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Entre as ações previstas estão: criar uma base de dados atualizada sobre a construção naval no Brasil e no mundo, diagnosticar gargalos produtivos, analisar experiências internacionais de sucesso — como as da Coreia do Sul e da China — e propor uma estratégia governamental de estímulo ao setor com metas de curto e longo prazo.

Parceria estratégica com a Transpetro e desafios estruturais
O projeto será desenvolvido em parceria com a Petrobras Transporte S.A. (Transpetro), que integrará o grupo de apoio técnico ao lado de funcionários do próprio BNDES. Essa colaboração é considerada estratégica devido à experiência da estatal na logística multimodal de combustíveis.

Entre os pontos críticos a serem analisados estão a dependência de aço a preços competitivos, o desenvolvimento da cadeia de fornecedores, a absorção de novas tecnologias e o aumento da produtividade nos estaleiros. O estudo também deve propor formas de coordenação entre governo, empresas e centros de pesquisa para enfrentar esses gargalos estruturais.

Oportunidades globais e metas ambientais
O transporte marítimo é responsável por mais de 80% do comércio mundial e representa cerca de 2,89% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo a Unctad. O setor, que opera uma frota envelhecida movida majoritariamente a combustíveis fósseis, precisa se adaptar às novas metas da Organização Marítima Internacional (IMO), que prevê emissões líquidas zero até 2050.

Para o Brasil, o cenário abre duas oportunidades estratégicas: fornecer biocombustíveis e combustíveis de baixa emissão para a frota internacional e reestruturar a indústria de construção naval, aproveitando a demanda crescente por navios mais eficientes e sustentáveis. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o estudo “servirá de bússola para orientar uma estratégia de transição energética para o setor naval”, alinhando competitividade, inovação e segurança nacional.

Fonte: Defesa em Foco