Arte em tanques gigantescos em Polo Industrial muda a cara de Cubatão
Artista e equipe demoraram 60 dias para finalizar as pinturas
O artista brasileiro Eduardo Kobra coloriu dois tanques gigantescos de uma empresa do Polo Industrial de Cubatão (SP). Por meio de sua arte, caracterizada por tons fortes e marcantes, ele quis contrapor o ambiente mais pesado, característico das grandes indústrias, com um cenário um pouco mais agradável e vibrante.
O artista e sua equipe do Studio Kobra começaram a realizar o trabalho em junho deste ano. Dois grandes tanques de armazenamento de gases da empresa Linde, cada um com cerca de 14 metros de altura por 17 de diâmetro, serviram como tela. A empresa fica às margens da Rodovia Cônego Domênico Rangoni, trecho do Sistema Anchieta-Imigrantes que liga Cubatão a Guarujá, no litoral de São Paulo, por onde passam diariamente milhares de veículos.
Kobra conta que teve total liberdade para criar o desenho. Por isso, resolveu falar sobre a questão ambiental em Cubatão, cidade que já foi conhecida como uma das cidades mais poluídas do mundo. “Eu tenho alguns projetos que falam de meio ambiente. Acho que todo o Brasil acompanhou as várias fases de Cubatão, desde a mais crítica até agora. Passou a existir essa consciência do meio ambiente, até por parte das indústrias da região”, diz.
Os tanques receberam as figuras de crianças e objetos ao vento, para contrapor o ambiente mais pesado do local. “Elas aparecem brincando com o ar, que sempre foi uma questão discutida na região. Tenho certeza que Cubatão está melhorando nesse aspecto, e meu trabalho veio para somar com esses esforços”, explica.
Mesmo com muitas experiências nacionais e internacionais, essa foi a primeira vez que Kobra fez arte em tanques como esses. “Trabalhamos com todos os equipamentos de segurança, com todo o cuidado. É totalmente diferente de pintar um painel em São Paulo, por exemplo”, comenta.
Cerca de 70 litros de tinta poliuretano, normalmente utilizada em estruturas metálicas industriais, foram usadas no trabalho. Segundo Kobra, o fato da obra estar próxima ao litoral faz com que ela sofra com as condições climáticas, exigindo mais cuidados. Foram empregadas técnicas variadas e instrumentos diversos, como compressor, spray, pincéis e rolos. O trabalho foi concluído em 60 dias.
Os painéis proporcionaram um ambiente mais agradável para trabalhadores e para a comunidade local. Kobra afirma que o importante é que a arte está chegando a lugares, cidades e países em que era pouco vista. Ele acabou de voltar de uma viagem pela Suécia, Polônia, França e Estados Unidos. Ainda neste mês, vai realizar trabalhos em São Paulo e depois segue para São Francisco, nos Estados Unidos, e para a Colômbia.
Fonte: G1 Santos






