ADS-B avança sobre o mar e fortalece operações offshore no Brasil
O controle do espaço aéreo brasileiro dá um salto estratégico ao avançar sobre áreas oceânicas críticas para a economia nacional. Com a ampliação da cobertura ADS-B, o Brasil fortalece a vigilância aérea offshore, eleva os padrões de segurança operacional e garante maior previsibilidade às operações nas principais bacias petrolíferas do litoral sudeste.
Tecnologia ADS-B e vigilância além do radar
O sistema ADS-B permite que aeronaves transmitam automaticamente dados como posição, altitude, velocidade e identificação, ampliando significativamente a consciência situacional dos controladores de tráfego aéreo. Em áreas oceânicas, onde a cobertura radar é limitada ou inexistente, essa tecnologia se torna decisiva para o monitoramento contínuo das operações.
A iniciativa é conduzida pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo, por meio da Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo, e prevê a instalação de estações ADS-B em 11 plataformas offshore e quatro sítios em terra, ampliando significativamente a área de vigilância.
Impacto direto nas operações offshore
A ampliação da cobertura contempla as bacias de Santos, Campos, Campos Sul e Espírito Santo, regiões responsáveis por mais de 100 mil voos de helicópteros por ano, segundo dados do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea. Esses voos conectam o continente às plataformas de petróleo, operando em ambientes de alta densidade e meteorologia variável.
Para os operadores, o ganho é imediato: maior previsibilidade, melhor gestão do tráfego aéreo e redução de conflitos em corredores críticos. A ampliação da consciência situacional contribui diretamente para operações mais seguras e eficientes, especialmente em cenários de elevada complexidade operacional.
Defesa, indústria e alinhamento internacional
Em 2024, o Ministério da Defesa autorizou o procedimento licitatório para a aquisição do sistema, classificado como Produto Estratégico de Defesa. O projeto é viabilizado por um Termo de Licitação Especial (TLE) — o primeiro executado pela CISCEA — mecanismo que garante aderência às exigências de segurança, inovação e defesa nacional.
Além do reforço operacional, a iniciativa estimula a Base Industrial de Defesa e assegura a integração progressiva ao Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro entre 2026 e 2027, em conformidade com as práticas recomendadas pela Organização da Aviação Civil Internacional.
Fonte: Defesa em Foco






