OPP tem 5 blocos no pré-sal arrematados e R$ 104 milhões em bônus
Cinco empresas, em consórcio ou individualmente, arremataram cinco dos sete blocos do 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha (OPP), todos no polígono do pré-sal: Esmeralda e Ametista, na Bacia de Santos; e Citrino, Itaimbezinho e Jaspe, na Bacia de Campos. Ao todo, oito empresas concorreram ao leilão, realizado nesta quarta-feira (22) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no Rio de Janeiro. Duas das vencedoras — Karoon e Sinopec — são estreantes no regime de partilha no Brasil. A assinatura dos contratos está prevista para acontecer até 29 de maio de 2026.
A Petrobras foi um dos destaques, arrematando sozinha o bloco de Citrino, na Bacia de Campos, e o bloco de Jaspe, também em Campos, com 60% (operadora) de participação no consórcio com a Equinor (40%). A empresa norueguesa também venceu sozinha o bloco de Itaimbezinho, na Bacia de Campos. Já a Karoon arrematou 100% do bloco Esmeralda e o consórcio formado pela CNOOC Petroleum (70%/operadora) e Sinopec (30%) ficou com o bloco Ametista, ambos na Bacia de Santos.
Os bônus de assinatura dos cinco blocos, que são fixos e determinados no edital da OPP, somaram R$ 103,7 milhões. Os investimentos previstos na primeira fase dos contratos (fase de exploração) são de R$ 451,5 milhões. De acordo com a ANP, o quantitativo atual de blocos exploratórios no regime de partilha da produção foi ampliado em 50%, passando de 10 para 15 blocos. Como resultado, a área exploratória da partilha também será ampliada em cerca de 50%, passando para 24,8 mil km².
A ANP avalia que, após as recentes mudanças no edital da OPP, o certo ficou mais atraente, tendo, pela primeira vez, empresas independentes inscritas, além das grandes petroleiras. Todos os blocos arrematados tiveram ofertas de excedente em óleo para a União maiores do que o mínimo do edital. O ágio médio do excedente em óleo foi de 91,20%. O maior ágio foi de 251,63%, no bloco de Citrino, vencido pela Petrobras.
Nenhum regime de partilha da produção, parte do petróleo e do gás produzido pelas empresas é designado à União – o chamado “percentual do excedente em óleo”. O percentual desse excedente que irá para a União é oferecido pelos licitantes no leilão, a partir do mínimo determinado em edital, e é o seletivo para determinar os vencedores.
Itaimbezinho e Jaspe estão localizados no pré-sal da Bacia de Campos, onde a Equinor iniciou suas operações no Brasil com o campo de Peregrino e onde desenvolve o projeto Raia. Itaimbezinho fica a cerca de 15 quilômetros de Raia, projeto com previsão de entrada em operação em 2028, capaz de escoar 16 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. De acordo com a Equinor, o volume será equivalente a 15% da demanda nacional de gás brasileira à época.
A empresa destacou que é um novo marco que reforça o compromisso com o Brasil, o que considera um país-chave no portfólio internacional. “Estamos adicionando novidades ao nosso portfólio, ao mesmo tempo em que provamos que somos capazes de executar projetos complexos e de larga escala, como fizemos com Bacalhau na última semana”, afirmou a presidente da Equinor no Brasil, Verônica Coelho.
A Petrobras informou ao mercado que sua participação no 3º ciclo da OPP está alinhada à estratégia de longo prazo da companhia e que fortalece seu perfil de principal operadora de campos de petróleo localizados em águas ultraprofundas, potencializando a recomposição de reservas para o futuro da companhia. “A Petrobras atuou de forma seletiva no leilão de forma para garantir a incorporação de quase 2.300 km² em seu portfólio de áreas exploratórias”, afirmou a operadora em comunicado.
Na avaliação da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o arremate de blocos em mais de 70% mostra o interesse das empresas petrolíferas continua firme para o pré-sal brasileiro e sinaliza a manutenção de um ciclo de investimentos relevantes para o país. “A forte competição observada em alguns blocos e os percentuais expressivos de excedente em óleo oferecido para a União e de ágio, como o caso do bloco Citrino com mais de 250%, evidenciam a visão otimista das empresas quanto ao potencial das áreas”, afirmou a gerente de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso.
A Firjan também destacou a diversificação de operadoras no regime de partilha do pré-sal. A leitura é que as movimentações da Karoon e da CNOOC junto à Sinopec, somadas à atuação de players consolidados como Petrobras e Equinor, reforçam a atratividade do pré-sal para diferentes perfis de investidores, além de contribuir para a dinamização da cadeia de fornecedores.
A análise da federação também celebra que a continuidade do calendário de licitações, reforçada pelo sucesso deste ciclo e pela perspectiva de um quarto ciclo com um número potencialmente maior de blocos, oferece previsibilidade para que a indústria planeje seus investimentos a longo prazo. “A manutenção das atividades exploratórias é passo fundamental para a reposição de reservas, a segurança energética nacional e o desenvolvimento econômico e social, consolidando o papel estratégico do setor de petróleo e gás para o Brasil e, em especial, para o Rio de Janeiro”, reforçou Karine.
Após o leilão, a Shell Brasil declarou que a decisão de não apresentar proposta no 3º ciclo da OPP refletiu a ‘abordagem disciplinada’ da companhia em relação à alocação de capital e uma avaliação estratégica das oportunidades disponíveis nesta rodada. “A Shell parabeniza os vencedores desta rodada e reafirma seu compromisso com o desenvolvimento sustentável do setor de energia offshore do Brasil”, manifestou em nota.
Para o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha, 18 blocos já foram aprovados pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O Ministério de Minas e Energia (MME) informou que solicitou a emissão dos pareceres ambientais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) para incluí-los na OPP de 2026.
Fonte: Revista Portos e Navios






