Termina protesto de pescadores em Santa Catarina; grupo cercava navio com 2,3 mil passageiros
Transatlântico com bandeira maltesa deixaria a cidade na noite de segunda-feira. Pescadores são contra portaria do Ministério do Meio Ambiente que proíbe a captura de diversas espécies ameaçadas de extinção
Terminou na tarde desta terça-feira, após cerca de 30 horas, o protesto organizado por pescadores e representantes das empresas de pesca de Itajaí, litoral norte de Santa Catarina, que bloqueava o canal Itajaí-açú, que dá acesso ao complexo portuário da cidade. Em meio à manifestação, um transatlântico foi impedido de sair do terminal de passageiros. Cerca de 2,3 mil pessoas que já haviam feito os despachos de embarque na Alfândega não poderam deixar a embarcação de bandeira maltesa, informou um funcionário do prefeitura de Itajaí. Os pescadores protestavam contra a portaria 445 do Ministério do Meio Ambiente, que proíbe a captura de diversas espécies ameaçadas de extinção. Eles querem a revogação da medida imediatamente, pois defendem que haverá prejuízos ao setor.
O ingresso ao terminal portuário chegou a ficar fechado por cerca de 100 embarcações pesqueiras. O grupo descumprira na manhã desta terça-feira a decisão da Justiça estadual que determinou, na noite desta segunda-feira, a desobstrução imediata do canal.
Por volta das 15h30m, com a promessa de que os manifestantes participariam, em Brasília, de um grupo de trabalho para discutir assunto, o comando de greve dos sindicatos dos armadores e dos pescadores anunciou às 15h30m o fim do protesto.
A Pullmantur Cruzeiros, empresa que opera o transatlântico Empress, com sede em Madri, emitiu uma nota em que lamenta os inconvenientes causados.
A coordenação do Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Sudeste e Sul (Cepsul) e o Centro Especializado do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com sede em Itajaí, registraram ocorrência na Polícia Civil sobre um possível ataque, com rojões, ao navio de pesquisa Soloncy Moura.
Segundo o coordenador substituto do Cepsul, Felipe Albanez, foram duas duzias de fogos de artifício que passaram próximas ao comandante da embarcação e atingiram o casco e o convés. Para ele, foi um ato criminoso.
– É um ato criminosos de alguns poucos. Protestar é justo, é democrático, mas aterrorizar as pessoas ao jogar rojões de forma proposital e direcionada é criminoso.
O coordenador disse que a Cepsul faz pesquisa de espécies em extinção. Mas não quis falar sobre a portaria do Ministério do Meio Ambiente. Ele não participa dessa pesquisa, mas afirmou que o estudo é feito por vários pesquisadores do Brasil.
A multa diária estabelecida pela justiça pelo descumprimento da liminar é de R$ 50 mil. A Capitania dos Portos também vai aplicar multa a cada embarcação por interromper o tráfego ao porto, com valores que podem variar de R$ 40,00 a R$ 1.600,00.
Segundo a assessoria de imprensa do Complexo Portuário de Itajaí, dois navios, além do transatlântico, não conseguiram sair e chegar ontem ao cais e hoje estavam previstas mais seis operações. Informou ainda que, de acordo com os armadores, um dia de navio parado representa prejuízo entre US$ 15 mil e 50 mil.
Fonte: O Globo






