Marinha ativa Centro Internacional de Fusão de Informações para ampliar a segurança e a cooperação no Atlântico Sul
Uma das regiões mais estratégicas do planeta, o Atlântico Sul, recebe diariamente intensa movimentação de embarcações destinadas ao transporte de mercadorias, à exploração de recursos naturais e à conexão entre países.
Com o propósito de ampliar a Consciência Situacional Marítima, identificar possíveis ameaças e antecipar riscos às atividades marítimas a partir da integração de tecnologias e de capacidades de parceiros e nações, a Marinha do Brasil (MB) ativou, nesta terça-feira (3), o Information Fusion Center (IFC) Atlântico Sul.
Instalado nas dependências do Comando de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul (COMPAAz), na cidade do Rio de Janeiro, o IFC Atlântico Sul constitui um Centro Internacional de Fusão de Informações. Sua finalidade é integrar dados de diferentes fontes, transformá-los em informações de interesse marítimo e apoiar a identificação de situações que possam comprometer a segurança da navegação, das atividades econômicas e das infraestruturas no mar.
A iniciativa amplia a capacidade de integração entre instituições nacionais e internacionais, Marinhas, Guardas Costeiras, órgãos governamentais, empresas e centros especializados, fortalecendo a atuação coordenada diante de desafios que ultrapassam fronteiras nacionais.
A importância dessa ativação foi destacada pelo Ministro da Defesa, José Mucio Monteiro.
Mais informação, menos riscos no mar
Com aproximadamente 40,3 milhões de quilômetros quadrados, a área marítima do Atlântico Sul reúne rotas comerciais, atividades pesqueiras, exploração de petróleo e gás e interesses estratégicos de diferentes países.
Parte dessa extensão compreende a Amazônia Azul, área marítima de cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, onde se concentram riquezas naturais, atividades produtivas e infraestruturas essenciais ao Brasil.
Nesse cenário, acompanhar o que acontece no oceano representa um desafio permanente. Por isso, o funcionamento do IFC Atlântico Sul se baseia em três pilares: fusão de dados, integração entre parceiros e cooperação.
A partir desses pilares, informações provenientes de múltiplas fontes poderão ser correlacionadas, analisadas e apresentadas no Centro Operacional, contribuindo para identificar comportamentos atípicos, riscos e situações que demandem atenção das autoridades competentes.
Na prática, a integração de dados poderá apoiar a identificação de embarcações com comportamentos suspeitos, atividades ilícitas e possíveis ameaças às instalações marítimas. Ao reunir informações de diferentes instituições, o Centro contribuirá para que situações de risco sejam identificadas com maior antecedência e encaminhadas aos órgãos responsáveis.
Para o primeiro Diretor do Centro e Comandante de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul (COMPAAz), Contra-Almirante Luciano Calixto de Almeida Junior, o valor do IFC Atlântico Sul também está nos produtos que serão gerados por essa integração.
As análises produzidas poderão subsidiar o planejamento e o emprego de navios, aeronaves e equipes de fiscalização, permitindo direcionar recursos disponíveis para situações que demandem maior atenção. Dessa forma, a integração e o compartilhamento de informações contribuem para ampliar a eficiência das operações e a capacidade de resposta das instituições envolvidas.
A proposta não é substituir as atribuições dos órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo controle marítimo, mas aproximá-los, tornando o intercâmbio de informações mais ágil, seguro e eficiente.
Oceano que conecta países e responsabilidades
A criação do IFC Atlântico Sul foi concebida para atuar em colaboração com Marinhas, Guardas Costeiras, órgãos públicos, comunidade marítima, empresas e centros internacionais de fusão, análise e coordenação de informações.
O Centro integra um ecossistema de cooperação voltado ao fortalecimento da paz, da estabilidade e da segurança marítima no Atlântico Sul. Essa rede permitirá ampliar o intercâmbio de conhecimentos, experiências e informações de interesse comum, respeitando as competências, responsabilidades e procedimentos de cada instituição participante.
Para o Contra-Almirante Sacheus Randy Gonteb, Comandante da Marinha da Namíbia, a cooperação vai fortalecer a segurança marítima na região.
O modelo de cooperação do IFC Atlântico Sul reúne instituições com diferentes competências, capazes de contribuir para uma compreensão mais completa das atividades desenvolvidas no oceano. Nesse contexto, o COMPAAz atuará como ponto de integração de informações de interesse marítimo, respeitando as atribuições legais de cada órgão participante.
A diversidade de instituições envolvidas reflete a abrangência da segurança marítima, que contempla dimensões econômicas, ambientais, logísticas, energéticas e de segurança pública.
Nesse contexto, o Delegado da Polícia Federal, Alexandre Custódio Neto, acredita na parceria estratégica. “Esse intercâmbio de informação, principalmente num ambiente de força-tarefa, como é o IFC, é fundamental para o trabalho de combate aos ilícitos. Não somente no ambiente marítimo, mas temos outras experiências com forças integradas, em que você reúne diversas instituições, cada uma com suas bases de dados, com a sua expertise, num mesmo ambiente. E isso tem potencializado muito os trabalhos de investigação, de repressão a ilícitos”.
Tecnologia e conhecimento a serviço da proteção marítima
Para o acompanhamento do ambiente marítimo, a estrutura do IFC Atlântico Sul contempla uma Sala Operacional equipada com estações de trabalho, sistemas de integração e visualização de dados, além de sala de reuniões, espaço destinado à recepção de representantes internacionais e áreas de apoio.
O emprego de ferramentas de integração de dados, análise e compartilhamento de informações permitirá ampliar a compreensão do cenário marítimo e apoiar a coordenação entre instituições autorizadas.
A proposta é criar um ambiente permanente de colaboração. Para o Brasil e para os demais países do Atlântico Sul, iniciativas dessa natureza contribuem para a proteção das rotas de navegação, dos recursos naturais e das infraestruturas marítimas essenciais.
Fonte: Agência Marinha de Notícias






