Marinha amplia Comunicação Estratégica e aproxima Defesa e academia
Depois de 65 anos de atuação em Comunicação Social, a Marinha iniciou um processo para elevar a comunicação a um novo patamar institucional. O movimento ganhou uma nova etapa em Brasília com o primeiro Simpósio de Comunicação Estratégica, que reuniu militares, acadêmicos, especialistas e estudantes para discutir como comunicação, Relações Institucionais e Governamentais e diálogo com a sociedade podem contribuir para os objetivos da Força.
Realizado no dia 26 de agosto, o encontro foi promovido pelo Centro de Comunicação Estratégica da Marinha (CCEM) em parceria com o Centro Universitário de Brasília (CEUB).
A programação reuniu diferentes perspectivas sobre Comunicação Estratégica, incluindo a visão institucional da Marinha, sua relação com as Relações Institucionais e Governamentais (RIG) e abordagens provenientes do meio acadêmico.
Por trás do evento, porém, existe uma transformação que começou antes do simpósio.
O que está mudando na comunicação da Marinha?
Em outubro de 2025, o então Centro de Comunicação Social da Marinha passou a ser denominado Centro de Comunicação Estratégica da Marinha.
A alteração poderia parecer apenas administrativa, mas a própria Força afirma que existe um processo mais amplo em andamento.
Durante o simpósio, o Diretor do CCEM, Vice-Almirante Vagner Belarmino de Oliveira, explicou que a transformação busca levar a Comunicação Social realizada pela Marinha há 65 anos para um patamar adequado às atuais necessidades institucionais.
A proposta é fazer da comunicação uma ferramenta de fomento e desenvolvimento da instituição.
Segundo o Vice-Almirante, essa transformação não ocorre instantaneamente, e o primeiro simpósio representa uma das etapas desse processo.
Comunicação Estratégica vai além da divulgação de notícias
A mudança ajuda a compreender uma distinção importante.
Comunicação Estratégica, dentro da perspectiva apresentada no evento, não se resume à produção de notícias, fotografias, vídeos ou divulgação das atividades realizadas pela Força.
A iniciativa envolve também alinhamento conceitual, relacionamento com públicos de interesse e articulação institucional.
O simpósio faz parte das ações destinadas ao aprimoramento técnico das atividades de Comunicação Estratégica e de Relações Institucionais e Governamentais.
Outro objetivo é ampliar a divulgação da Política de Comunicação Estratégica da Marinha entre seus públicos de interesse.
Assim, a comunicação passa a ser tratada dentro de um processo institucional mais amplo.
Relações Institucionais e Governamentais entram no debate
Um dos eixos do simpósio foi justamente a relação entre Comunicação Estratégica e RIG.
Representando a Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais, o Secretário de Comunicação Internacional da ABRIG, Thomaz Pires, abordou a necessidade de diálogo entre essas áreas.
A perspectiva apresentada no encontro é de que Comunicação Estratégica não deve ser compreendida apenas sob a ótica das narrativas.
Questões institucionais, relacionamento e cooperação também entram nesse ambiente.
Para uma organização como a Marinha, isso amplia o conjunto de atores envolvidos no processo comunicacional e aproxima a atividade de outras dimensões da gestão institucional.
Academia entra na discussão sobre Comunicação Estratégica
A realização do evento em parceria com o CEUB colocou a comunidade universitária diretamente no debate.
O professor Bruno Nalon, coordenador de cursos de graduação na área de Comunicação Social da instituição, participou como palestrante e ressaltou o potencial de compartilhamento de conhecimentos entre universidade e Marinha.
Essa aproximação funciona em duas direções.
A instituição militar pode compartilhar experiências acumuladas em sua atuação, enquanto professores, pesquisadores e estudantes oferecem perspectivas provenientes do ambiente acadêmico.
O resultado pretendido é ampliar o intercâmbio profissional e intelectual sobre um campo que passa por transformação dentro da própria Força.
Por que aproximar Defesa e universidade?
A relação entre Defesa e academia possui um efeito particularmente relevante quando o assunto é comunicação.
Instituições militares trabalham com atribuições, estruturas e terminologias que nem sempre são plenamente compreendidas por quem está fora desse ambiente.
Ao aproximar estudantes e professores, a Marinha abre espaço para explicar melhor sua atuação e, simultaneamente, ouvir percepções externas.
Esse ponto apareceu inclusive nos relatos dos alunos presentes no simpósio.
Estudantes conhecem novas dimensões da Marinha
Frederico Filho, estudante do segundo semestre de Direito do CEUB, relatou que o interesse em seguir carreira militar esteve entre os motivos para participar.
Segundo o estudante, o encontro permitiu aprofundar seus conhecimentos sobre a Marinha e compreender melhor a função da Comunicação Estratégica dentro da Força.
A estudante de Marketing Digital Joana Batista Mizuno também destacou a contribuição do evento para sua formação acadêmica e para o desenvolvimento de uma visão mais crítica sobre estratégias de comunicação.
Sua percepção trouxe ainda outro aspecto importante: muitas pessoas conhecem a existência da Marinha, mas não necessariamente compreendem a extensão de suas atividades.
Esse desafio ajuda a explicar por que uma Força Armada pode considerar a comunicação uma questão estratégica.
Explicar a Marinha também é um desafio de comunicação
Para uma instituição de abrangência nacional, comunicar significa lidar com públicos muito diferentes.
A realização do simpósio indica que a Marinha pretende aprofundar a discussão sobre como essa comunicação se relaciona com seus objetivos e com seus diferentes públicos de interesse.
Nesse contexto, o desafio deixa de ser apenas transmitir informações.
Também passa pela necessidade de estabelecer diálogo, ampliar compreensão e coordenar relacionamentos institucionais.
O simpósio reuniu justamente atores com experiências distintas: militares, profissionais da área, representantes da sociedade civil, professores e estudantes.
Primeiro simpósio materializa processo iniciado em 2025
O caráter inédito do encontro também possui significado dentro da transformação do antigo Centro de Comunicação Social.
A mudança de denominação ocorreu em outubro de 2025.
Em agosto de 2026, o primeiro Simpósio de Comunicação Estratégica da Marinha aparece como uma das ações concretas desse processo.
O próprio Diretor do CCEM caracterizou o evento como parte de uma transformação maior em andamento na Força.
Isso significa que o simpósio não deve ser analisado isoladamente.
Ele está inserido na busca por aprimoramento técnico, alinhamento conceitual e disseminação da nova política de comunicação.
Fonte: Defesa em Foco






