Equinor vê Brasil como motor de crescimento fora da Noruega

Equinor vê Brasil como motor de crescimento fora da Noruega

A Equinor espera que o Brasil seja um dos principais impulsionadores do crescimento internacional da empresa até 2030, com uma produção própria próxima a 200 mil barris óleo equivalente por dia (boepd), a partir do desenvolvimento dos projetos de Bacalhau, já em operação, e de Raia, nas bacias de Santos e Campos, respectivamente.

O volume previsto representa cerca de 21% da meta de produção externa da petrolífera norueguesa empresa no período, de 950 mil boepd, de acordo com a estratégia de reformulação do portfólio internacional da petrolífera anunciada nesta terça-feira (25) pelo vice-presidente executivo de Exploração e Produção Internacional da Equinor, Philippe Mathieu, em coletiva de imprensa na Offshore Northern Seas (ONS), em Stavanger, na Noruega.

Em comunicado divulgado pela empresa, com o título “Menos países, maior produção a partir de um portfólio internacional reformulado”, a Equinor resumiu a entrevitra do executivo no evento sobre a estratégia da petrolífera para o crescimento de 26% da sua produção fora da Noruega e os países que sustentarão essa meta, como Estados Unidos, Brasil, Angola.

“O portfólio internacional de petróleo e gás da Equinor está simplificado, aprimorado e preparado para um crescimento significativo. Estamos no caminho certo para aumentar a produção própria fora da Noruega para 950.000 barris de óleo equivalente por dia (boepd) até 2030, gerando cerca de US$ 20 bilhões em fluxo de caixa livre de 2026 a 2030”, disse Philippe Mathieu na ONS.

Segundo a Equinor, a produção própria da petrolífera fora da Noruega foi de 750.000 boepd no segundo trimestre de 2026, um crescimento de mais de 10% em dois anos, apesar da saída de posições antigas com ativos de classe mundial no Azerbaijão e na Nigéria.

A empresa acrescentou que o portfólio internacional está se tornando mais focado e competitivo por meio de otimizações, incluindo a criação da Adura no Reino Unido e investimentos em projetos de última geração em todo o negócio internacional.

“Não se trata apenas de crescimento da produção. Através da otimização do portfólio, estamos construindo um negócio com margens mais robustas e maior fluxo de caixa. O fluxo de caixa da produção deverá crescer cerca de 80% até 2030, significativamente mais rápido do que a produção, refletindo um portfólio mais competitivo e resiliente”, afirmou Philippe Mathieu.

A empresa destaca como principais países da sua operação internacional os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Angola e Namíbia, com o Brasil ganhando destaque na meta de expansão.

Motor de crescimento do Brasil

A aposta da Equinor de que o Brasil seja um dos principais impulsionadores do crescimento internacional da sua produção está sustentada em dois projetos offshore que possui no país.

O campo de Bacalhau, operado pela Equinor e o primeiro campo do pré-sal brasileiro desenvolvido por uma empresa internacional, entrou em operação no final de 2025 e continua aumentando a produção de poços que estão superando as expectativas, segundo a empresa.

O desenvolvimento do campo de Raia, acrescenta, está progredindo bem rumo ao início das operações em 2028. “Uma vez em funcionamento, poderá suprir cerca de 15% da demanda total de gás projetada para o Brasil”, prevê.

A companhia destaca que tanto Bacalhau quanto Raia utilizam tecnologia de turbina a gás de ciclo combinado para melhorar a eficiência energética e reduzir a intensidade das emissões, com emissões de CO₂ previstas de menos de 6 kg por barril para Raia e cerca de 9 kg por barril para Bacalhau.

“A instalação do trecho em águas profundas do gasoduto de Raia foi concluída neste verão. Em seu ponto mais profundo, o gasoduto atinge 2.735 metros abaixo do nível do mar, tornando-se o gasoduto mais profundo do mundo”, ressaltou..

Atualmente, a maior produção própria da Equinor é nos Estados Unidos, que no segundo trimestre de 2026 chegou a 433.000 boepd, cerca de 100.000 boepd a mais do que no mesmo trimestre de 2024.

“Os EUA são, de longe, o nosso maior país fora da Noruega em termos de produção. Consolidamos a nossa posição em ativos de gás natural em terra numa região de crescente procura, onde também podemos utilizar a exposição da empresa ao marketing, comercialização e geração de energia para captar mais valor em toda a cadeia de valor do gás. A posição recentemente anunciada no setor de energia nos EUA é mais um exemplo desta estratégia em ação”, afirmou Mathieu.

“Em alto-mar, estamos entusiasmados em apoiar a operadora Shell no avanço do projeto Sparta, no qual detemos 49% de participação. Com previsão de entrada em operação em 2028, o Sparta se tornará um novo pilar fundamental para nós no Golfo do México, nos EUA.”

A Equinor afirma que Angola tem sido importante para a empresa desde a sua entrada no país em 1991 e continua a ser um país fundamental, com elevada produção e novas oportunidades. “Estamos apoiando as operadoras em seus esforços para prolongar a vida útil dos campos produtores e desenvolver novas oportunidades. Nossa experiência na plataforma continental norueguesa é muito relevante, visto que os campos angolanos estão amadurecendo”, disse Mathieu.

Em junho, a Equinor, juntamente com a operadora Azule Energy, aprovou o projeto Greater PAJ (Palas, Astrea e Juno). Com previsão de entrada em operação em 2029, o projeto liberará cerca de 250 milhões de barris de recursos e contribuirá para consolidar Angola como um importante polo de produção para a Equinor.

Intensificando a exploração

Para o crescimento futuro, Mathieu destacou o importante projeto Bay du Nord, no Canadá, bem como a exploração direcionada. “Estamos buscando oportunidades de exploração no Brasil e em Angola e esperamos amadurecer e testar vários candidatos à perfuração nos próximos dois anos”, disse Philippe Mathieu.

“Na semana passada, firmamos um contrato de exploração com a Chevron na Namíbia, em uma área com potencial para perfuração, que está previsto para ser testado até o final do ano. Também estamos avaliando e amadurecendo oportunidades de exploração na Argentina e nos EUA. Estamos intensificando gradualmente nossas atividades de exploração para fortalecer e renovar nosso portfólio internacional”, informou o executivo.

Fonte: Brasil Energia