Porto de São Francisco conclui engordamento da Praia de Itapoá
As obras de dragagem de aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga, iniciadas em outubro do ano passado, sob a responsabilidade do Porto de São Francisco do Sul (SC), atingiram 88% de execução. A draga Galileo Galilei, da empresa Jan De Nul, já realizou a retirada de 10,6 milhões de metros cúbicos (m³) de sedimentos, do total previsto de 12 milhões de metros cúbicos.
Parte do material retirado foi destinada à recomposição da orla de Itapoá, serviço concluído nesta segunda-feira (24), quando foi alargada a área próxima ao Porto Itapoá. A etapa de engordamento da praia alcançou 100% de conclusão, cobrindo uma extensão de 8,8 quilômetros. A finalização total da obra de dragagem está prevista para o segundo semestre de 2026.
Com o encerramento dos trabalhos, o complexo portuário terá estrutura para receber embarcações de até 366 metros de comprimento e capacidade de carga de até 16 mil TEUs por navio. Atualmente, o limite operacional do canal permite a atracação de navios de até 336 metros, com capacidade para cerca de 10 mil TEUs.
O diretor de operações do Porto de São Francisco do Sul, Guilherme Medeiros, informou que o avanço dos trabalhos marca a fase final da intervenção no canal de acesso. Conforme o dirigente, a obra expande a capacidade operacional do complexo portuário, promove a redução de custos para os usuários e eleva o nível de competitividade dos portos instalados na Baía da Babitonga, mantendo o cumprimento do cronograma estabelecido.
A obra de R$ 333 milhões foi viabilizada por meio de uma parceria inédita entre os portos de São Francisco do Sul e Itapoá. O contrato prevê que o porto público de São Francisco aportará R$ 33 milhões, enquanto o terminal privado Itapoá, que financiará R$ 300 milhões.
Esse investimento privado será devolvido de modo parcelado até 2037. O ressarcimento para Itapoá será em cima do adicional de tarifas portuárias geradas pelo acréscimo no número de navios que atracarem no porto e pelo aumento no volume de carga movimentada, a partir da conclusão da obra de aprofundamento.
O aprofundamento do canal também eliminará a necessidade de fundeio intermediário para embarcações que operam no Porto de São Francisco, o que representa uma economia estimada em R$ 20 milhões por ano para os navios que utilizam as instalações portuárias.
A recomposição da faixa de areia acompanha a dragagem do canal e utiliza parte dos sedimentos retirados do fundo do mar. Os trabalhos começaram na Praia Pontal do Norte, seguiram para a Praia Princesa do Mar e estão concentrados atualmente na Praia Figueira do Pontal, último trecho contemplado pela obra. Será a primeira vez no Brasil, e a segunda no mundo, que sedimentos provenientes de uma dragagem portuária são utilizados no alargamento de uma praia. Em extensão, trata-se da maior obra de engordamento de praia já realizada no país.
O projeto também prevê ainda a recuperação da vegetação de restinga. Até o momento, mais de 180 mil mudas de seis espécies já foram plantadas em 31 áreas ao longo da orla.Também está sendo implantado um sistema contínuo de dunas, com altura entre um metro e um metro e meio e cerca de 26 metros de largura. A estrutura tem a função de auxiliar na fixação da restinga e contribuir para a estabilidade da nova faixa de areia.
Fonte: Portos e Navios






