Ingresso das mulheres na Marinha completa 45 anos
A incorporação das mulheres à Marinha do Brasil (MB) teve início em 1980, com a criação do Corpo Auxiliar Feminino da Reserva da Marinha (CAFRM), por meio da Lei nº 6.807. O ingresso das primeiras militares ocorreu por concurso público de âmbito nacional. No ano seguinte, as Oficiais concluíram o curso de formação e iniciaram uma trajetória que, ao longo das décadas seguintes, ampliaria a presença feminina em diferentes áreas de atuação da Força.
Na sexta-feira (14), ex-integrantes da primeira turma retornaram ao CEFAN, no Rio de Janeiro (RJ), 45 anos após a formatura. O encontro reuniu 98 pioneiras e contou com o descerramento de uma placa comemorativa em homenagem à Turma “Princesa Isabel”, que concluiu o curso de formação na mesma data, em 1981.
As primeiras Oficiais de nível superior integraram o Quadro Auxiliar Feminino de Oficiais (QAFO) e realizaram o curso de formação no CEFAN. Em 1981, concluíram o curso e iniciaram a carreira na Marinha. No mesmo período, as militares de nível técnico ingressaram no Quadro Auxiliar Feminino de Praças (QAFP) e integraram a Turma “Maria Quitéria”, no Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia, atual Centro de Avaliação da Ilha da Marambaia (CADIM).
Inicialmente, as mulheres atuaram em áreas de apoio, como saúde, engenharia, administração e atividades técnicas em terra. Ao longo das décadas, a participação feminina foi ampliada para outras áreas, acompanhando mudanças na estrutura da Força.
Também integrante da primeira turma de Oficiais mulheres, a Capitão de Mar e Guerra (Enfermeira) Kátia Garcia Lopes recorda uma situação vivenciada no período em que era obrigatório usar o uniforme branco para retornar a casa. “Era um acontecimento todas as vezes que saíamos fardadas do centro de formação para irmos para casa, era a primeira vez que a sociedade brasileira via mulheres fardadas circulando nas ruas, e chegando em suas casas e prédios”, relembra.
Ampliação das áreas de atuação
As possibilidades de carreira para as mulheres foram ampliadas ao longo das décadas. Em 1997, a Lei nº 9.519 reestruturou os Corpos e Quadros de Oficiais e de Praças da Marinha e extinguiu o CAFRM. Com a mudança, as militares passaram a integrar os Corpos de Engenheiros, de Saúde e do Corpo Auxiliar de Oficiais.
Naquele período, instalações de quartéis, escolas de formação e bases militares precisaram ser adaptadas para receber as mulheres. Além disso, havia limitações à atuação feminina previstas na legislação. Em 2012, Dalva Maria Carvalho Mendes se tornou a primeira mulher das Forças Armadas brasileiras a alcançar o posto de Oficial-General, ao ser promovida a Contra-Almirante.
Ao recordar os primeiros anos da presença feminina na Força, a Contra-Almirante Dalva destacou os desafios enfrentados.
Em 2014, a Escola Naval recebeu as primeiras aspirantes femininas no Corpo de Intendentes da Marinha. Em 2017, a Lei nº 13.541 ampliou as possibilidades de ingresso de mulheres na Marinha, incluindo o Corpo da Armada e o Corpo de Fuzileiros Navais. Em 2023, mulheres passaram a ser admitidas no Colégio Naval e nas Escolas de Aprendizes-Marinheiros. Já em 2024, 114 mulheres foram formadas como Soldados Fuzileiros Navais.
Mais recentemente, a Portaria nº 270/MB, de 2025, ampliou as possibilidades de atuação feminina para áreas como operações especiais, submarinos e mergulho. Mulheres passaram a participar de capacitações em outras áreas, como o Curso de Aperfeiçoamento de Aviação para Oficiais (CAAvO), o Estágio de Qualificação Técnica Especial de Operação da Viatura Blindada Leve sobre Rodas (JLTV), o Estágio de Qualificação Técnica Especial de Auxiliares de Carro Lagarta Anfíbio e o Curso Expedito de Operações no Pantanal.






