Escala 6×1: 68% dos brasileiros não conseguem descansar nas folgas

Escala 6×1: 68% dos brasileiros não conseguem descansar nas folgas

Novos dados de uma pesquisa do site de empregos Indeed mostram que muitos brasileiros têm dificuldade de desconectar do trabalho e manter equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Quase sete em cada dez entrevistados (68%) dizem não conseguir descansar plenamente nas folgas, já que usam esse tempo para tarefas pessoais. Outros 64% relatam impactos negativos na saúde mental, como estresse, ansiedade ou depressão.

A jornada de trabalho também influencia diretamente a forma como os profissionais enxergam qualidade de vida. Quando questionados sobre o uso de tempo livre adicional, os entrevistados citaram principalmente passar mais tempo com familiares e amigos (49%), praticar exercícios físicos (39%) e descansar ou dormir (37%).

As percepções sobre jornada de trabalho variam entre gerações, embora o tema do equilíbrio entre vida pessoal e profissional esteja presente em todas.

Entre a Geração Z, 61% discordam que o fim da escala 6×1 teria impacto negativo na economia brasileira. Entre Baby Boomers, esse índice é de 36%. Já 46% dos Baby Boomers acreditam em impactos negativos, percepção compartilhada por 25% da Geração Z.

As diferenças também aparecem no uso do tempo livre. Se tivessem jornada reduzida, 38% da Geração Z priorizariam a saúde mental, o maior índice entre as gerações. Entre Baby Boomers, 27% usariam o tempo para buscar uma segunda fonte de renda. Entre Geração X, Millennials e Z, os índices são de 18%, 17% e 16%, respectivamente.

Os dados indicam uma mudança na forma como diferentes gerações definem sucesso profissional. Mais do que uma diferença etária, há expectativas distintas convivendo no mesmo mercado de trabalho e tensionando modelos tradicionais de jornada, remuneração e carreira.

As mudanças nas expectativas dos trabalhadores também pressionam empresas e recrutadores a revisarem a forma como atraem e comunicam vagas. Em um cenário em que diferentes gerações valorizam fatores distintos, a proposta de valor de uma posição vai além da remuneração.

Descrições de vagas ganham relevância quando deixam claros pontos como jornada, flexibilidade e benefícios ligados ao bem-estar. A forma como o trabalho é apresentado passa a influenciar diretamente a decisão dos candidatos.

Para recrutadores, isso reforça a importância de alinhar expectativas desde o início do processo seletivo, em um mercado em que fatores não financeiros têm peso crescente na escolha de oportunidades.

No conjunto, os resultados indicam que o debate sobre trabalho no Brasil vem se deslocando de uma lógica centrada apenas em produtividade e impacto econômico para uma discussão mais ampla sobre qualidade de vida e prioridades cotidianas. Assim, a escala de trabalho deixa de ser apenas um modelo operacional e passa a funcionar como ponto de partida para refletir sobre como o trabalho se organiza no país.

O estudo foi realizado com 1.014 trabalhadores brasileiros, através de questionário aplicado por meio de formulário virtual em 27 de maio e ouviu 52% de mulheres e 48% de homens.

Entre os participantes da amostra, 25% tinham entre 18 e 27 anos (Geração Z), 35% entre 28 e 45 anos (Millennials), 27% entre 46 e 61 anos (Geração X) e 13% tinham 62 anos ou mais (Baby Boomers).

FUP pressiona Senado a votar PEC de redução de jornada antes do recesso

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos pressionam o Senado federal para que vote a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1, antes do recesso parlamentar que terá início no próximo dia 18.

“O avanço tecnológico e o aumento da produtividade têm que se transformar em menos horas de trabalho, sem redução de salários, e melhor distribuição da riqueza”, destaca a coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira. Para ela, é urgente a votação da matéria. “É essencial que todos tenham mais tempo para dedicar a suas vidas”, diz.

A PEC 221/19 foi aprovada na Câmara dos Deputados em maio passado, estabelecendo jornada de trabalho de 40 horas semanais em cinco dias com dois de descanso, acabando com a escala 6×1 (um dia de descanso e 44 horas semanais).

Na Petrobras, a jornada já é de 40 horas semanais para os trabalhadores próprios. E as despesas com o trabalho, considerando apenas trabalhadores da ativa, representam apenas 6% das despesas totais do sistema Petrobras.

Nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) já havia mostrado que reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais teria impacto baixo na economia. Na indústria e no comércio, que somam mais de 13 milhões de empregos formais, o aumento no custo operacional seria inferior a 1%. Para o instituto, o efeito seria parecido com o de reajustes históricos do salário-mínimo, ou seja, sem “choque” para o mercado.

O estudo usou dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2023 e rebate o discurso alarmista sobre os impactos da mudança, que afeta principalmente quem está na escala 6×1.

Fonte: Monitor Mercantil