Porto Sudeste atrai consórcio liderado por BlackRock, Vale e Gerdau para oferta de US$ 5 bilhões
A Global Infrastructure Partners, braço de infraestrutura da BlackRock, articula um consórcio com a Vale e a Gerdau para apresentar uma oferta vinculante pelo Porto Sudeste, terminal de minério de ferro no Rio de Janeiro avaliado em cerca de US$ 5 bilhões e hoje controlado por Trafigura Group e Mubadala Capital.
De acordo com informações divulgadas pela Bloomberg, o consórcio liderado pela GIP/BlackRock disputa o ativo com outros grandes investidores globais de infraestrutura. Stonepeak participa do processo associada à australiana de logística M Resources, enquanto o fundo I Squared Capital também se posiciona como potencial comprador do terminal. As ofertas vinculantes devem ser apresentadas até o fim de julho, marcando uma nova fase no processo de venda conduzido por Trafigura e Mubadala.
Porto Sudeste é um terminal dedicado à exportação de minério de ferro localizado em Itaguaí, na Baía de Sepetiba (RJ), ligado por ferrovia às minas de Minas Gerais, principal região produtora do país. O ativo é considerado estratégico para o escoamento das exportações brasileiras, especialmente para mercados do Sudeste Asiático, e integra um pacote de venda que inclui também a Mineração Morro do Ipê.
Em 2025, Porto Sudeste movimentou um recorde de 27,8 milhões de toneladas de minério de ferro, superando as 21,9 milhões de toneladas registradas no ano anterior, num cenário de aumento da demanda internacional pela commodity. Mesmo com o crescimento, o terminal ainda opera abaixo da capacidade instalada, estimada em cerca de 50 milhões de toneladas por ano, o que indica amplo espaço para expansão do uso da infraestrutura.
A combinação entre capacidade ociosa, localização estratégica e ligação ferroviária com Minas Gerais reforça o papel do porto na cadeia logística da mineração e explica o interesse de fundos globais e empresas do setor em participar da disputa. Para potenciais compradores industriais, controlar o ativo significa assegurar corredor de exportação e limitar o acesso de concorrentes a um terminal chave para o minério de ferro brasileiro.
Trafigura e Mubadala Capital adquiriram o controle de Porto Sudeste em 2014, em operação que marcou a saída da MMX Mineração & Metálicos, do empresário Eike Batista, e o “resgate” de um dos principais projetos portuários voltados à exportação de minério no Brasil. Desde então, o ativo passou por investimentos e ajustes operacionais que ajudaram a consolidar o terminal como referência para o embarque de minério de ferro.
O forte interesse atual de fundos internacionais, como GIP/BlackRock, Stonepeak e I Squared, evidencia o apetite por ativos logísticos ligados à mineração, especialmente aqueles com capacidade disponível para absorver o crescimento projetado das exportações brasileiras. Para Trafigura e Mubadala, a transação se insere em um movimento de reciclagem de portfólio, em linha com processos de venda já em curso em outros ativos de infraestrutura.
Fonte: Portos e Navios






