Dia Mundial de Conscientização do Autismo reforça compromisso com inclusão e garantia de direitos
O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado nesta quinta-feira (2), celebra o acolhimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e enfatiza a importância em combater o preconceito.
De acordo com o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 2,4 milhões de pessoas têm diagnóstico de TEA no Brasil, o equivalente a aproximadamente 1,2% da população. Desse total, 1,4 milhão são homens e 1 milhão são mulheres, com maior prevalência entre crianças de 5 a 9 anos.
Mesmo com maior acesso à informação, comportamentos característicos do autismo ainda são frequentemente mal interpretados, e podem gerar julgamentos, isolamento e atrasos no diagnóstico.
A psicopedagoga e analista de comportamento, diretora da clínica Nuno Desenvolvimento, Cinthia Cardoso, alerta que em muitos casos, inclusive, sinais claros da condição são ignorados ou minimizados. Isso compromete o desenvolvimento e o acesso a intervenções adequadas.
“Nesse contexto, a condição pode estar mais perto do que se imagina e, em muitos casos, permanece sem diagnóstico e tratamento adequado por anos”, explica.
Sinais para prestar atenção
Caracterizado por diferenças no desenvolvimento neurológico, o autismo afeta a comunicação, comportamento e interação social em diferentes níveis de suporte, e acompanha a pessoa ao longo da vida.
A especialista alerta ainda para os sinais que o autismo pode apresentar desde o início da vida – e como percebê-los é importante para o diagnóstico e bem-estar da pessoa com TEA.
“Cada caso é único. Alguns precisam de pouco suporte, enquanto outros precisam de muito. As habilidades e desafios variam bastante, mas, com apoio adequado, há desenvolvimento e qualidade de vida”, afirma.
Diferentes graus de autismo e necessidades de suporte
Nos Estados Unidos, estima-se que uma em cada 36 crianças de 0 a 8 anos tenha algum grau de autismo. No Brasil, a falta de pesquisas dificulta o planejamento de políticas públicas e o acesso a tratamentos adequados.
O autismo é classificado em três graus, que exigem diferentes níveis de suporte. O grau 1, considerado leve, muitas vezes é confundido com outras condições, como depressão ou esquizofrenia. Já os graus 2 e 3 requerem um nível de suporte muito maior, o que pode resultar em custos elevados para as famílias.
Desafios jurídicos e acesso a tratamentos
Muitas famílias enfrentam batalhas judiciais com planos de saúde para garantir o tratamento adequado para crianças e adolescentes com autismo. A judicialização tornou-se um caminho comum para assegurar o acesso a terapias e intervenções necessárias.
Amanda Marqueureto, mãe de Léo, uma criança com autismo que requer maior nível de suporte, destaca a luta constante das famílias: “É um desafio, são obstáculos, mas estamos aqui nesse 2 de abril reafirmando que nós vamos continuar”.
A importância da rede de apoio
Frederico Afonso, pai de três crianças com autismo, ressalta a importância da rede de apoio para as famílias atípicas: “Eu enxergo hoje como o maior problema de uma família atípica é a rede de apoio, a rede de suporte. E mais do que olhar para a criança, o grande problema é a própria família”.
O médico Antônio Geraldo, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, alerta para a dificuldade no diagnóstico de adultos com autismo. Muitos desenvolvem estratégias de camuflagem ao longo da vida, o que pode mascarar os sinais do transtorno.
À medida que a ciência avança na compreensão do autismo, espera-se que o diagnóstico e o tratamento melhorem. No entanto, é fundamental que a sociedade continue se conscientizando sobre o tema, evitando julgamentos e preconceitos, e oferecendo o suporte necessário às pessoas com TEA e suas famílias.
Fonte: CNN Brasil






