Rios da Amazônia superam rodovias em eficiência logística e ambiental

Rios da Amazônia superam rodovias em eficiência logística e ambiental

Com a expansão do agronegócio e o fortalecimento dos portos do Arco Norte, o transporte fluvial amazônico viveu um salto estrutural na última década. Além de reduzir custos logísticos, os comboios de barcaças destacam-se pelo desempenho ambiental: emitem até 73% menos CO₂ que o modal rodoviário e 36% menos que o ferroviário, segundo estudo da Future Climate Group, consolidando-se como eixo estratégico de competitividade, sustentabilidade e integração nacional.

Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) indicam que, em 2024, as hidrovias das regiões Amazônica e Tocantins–Araguaia movimentaram 107,4 milhões de toneladas, o que representa 89% de toda a carga fluvial do Brasil. Soja e milho respondem por cerca de metade desse volume, mas o modal também é vital para a logística do Polo Industrial de Manaus, com contêineres seguindo por barcaças até os grandes portos do Norte.

Amazônia concentra a espinha dorsal hidroviária do Brasil

O Brasil possui 20,1 mil km de vias economicamente navegáveis. Desse total, cerca de 16 mil km estão nos rios da Amazônia — 80,79% da malha hidroviária nacional. Essa geografia explica por que o transporte fluvial sempre foi essencial às cidades ribeirinhas e, mais recentemente, tornou-se vetor decisivo para o escoamento do agronegócio rumo ao mercado externo.

Segundo especialistas, o “boom” do transporte hidroviário ocorreu a partir de 2014, com a entrada de grandes operadores de granéis agrícolas, impulsionados pela abertura de corredores logísticos até os portos do Arco Norte.

Eficiência ambiental e escala logística

O grande diferencial do modal está na escala. Algumas composições — barcaças empurradas por um único rebocador — chegam a transportar 75 mil toneladas em uma única viagem. Há registros de comboios equivalentes a mil caminhões partindo de Porto Velho, pelo rio Madeira, rumo aos portos do Norte.

Além da escala, o ganho ambiental é expressivo. Menores emissões por tonelada transportada reduzem a pegada de carbono da cadeia logística, alinhando o transporte fluvial às exigências de ESG, mercados internacionais e metas climáticas.

Redução de custos e desafios estruturais

A eficiência do modal também se reflete no custo. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o transporte exclusivamente rodoviário pela BR-163 até Vila do Conde (PA) custa cerca de US$ 120 por tonelada. Quando a carga segue por caminhão apenas até Miritituba e completa o trajeto em barcaças, o custo cai para US$ 108 por tonelada.

Apesar das vantagens, persistem desafios históricos: sazonalidade dos rios, gargalos urbanos no acesso aos portos e ausência de gestão contínua das hidrovias. Projetos de concessão, dragagem e sinalização — como nos rios Madeira, Tapajós, Tocantins e Barra Norte — podem elevar ainda mais a eficiência, mas enfrentam entraves regulatórios e socioambientais. Enquanto isso, o governo anunciou contratos de R$ 370 milhões para dragagem e sinalização nos rios Amazonas e Solimões.

Fonte: Defesa em Foco