Governo americano apresenta Plano de Ação Marítima que prevê cobrança de taxas portuárias de navios construídos fora dos Estados Unidos

Governo americano apresenta Plano de Ação Marítima que prevê cobrança de taxas portuárias de navios construídos fora dos Estados Unidos

O governo americano anunciou novo Plano de Ação Marítima que prevê o restabelecimento das taxas portuárias sobre importações transportadas em navios construídos no exterior, informou na quarta-feira (18) a plataforma especializada em transporte marítimo Alphaliner. Segundo ela, a proposta, apresentada como parte de um programa para fortalecer a indústria naval dos Estados Unidos, depende ainda de aprovação do Congresso americano.
De acordo com a Alphaliner, o plano inclui a cobrança de imposto sobre as cargas que entram nos Estados Unidos transportadas em navios construídos em outros países. Como a maior parte da frota mundial de navios porta-contêineres foi fabricada fora dos Estados Unidos, a medida afetaria quase todo o setor, com exceção dos poucos navios construídos nos Estados Unidos que estão atualmente em operação.

O valor específico da tarifa ainda não foi determinado. O documento apresenta dois cenários de referência: uma tarifa de um centavo de dólar por quilo transportado, que poderia gerar 66 bilhões de dólares em dez anos; e outra, de 25 centavos de dólar por cada quilo, com receita estimada de 1,5 trilhão de dólares no mesmo período. O nível mais alto excederia as tarifas impostas em outubro de 2025, pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), sobre proprietários e usuários de navios construídos na China, que foram suspensas no mês seguinte.

A publicação do Plano de Ação Marítima dos Estados Unidos é consequência de ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em abril de 2025, que determinou o desenvolvimento de um programa marítimo nacional. O plano apresentado inclui ainda a proposta de cobrança de imposto sobre a propriedade, com objetivo de impedir o desvio de cargas para portos do Canadá ou do México como alternativa para contornar o novo regime tarifário.

Segundo a Alphaliner, o documento está estruturado em torno de quatro pilares: reconstruir a capacidade de construção naval dos Estados Unidos; expandir os programas de treinamento e desenvolvimento de pessoal marítimo; fortalecer o comércio e as compras federais para aumentar a demanda por embarcações construídas e registradas no país; e medidas focadas na segurança nacional e econômica.

O segundo pilar propõe aumentar a porcentagem de carga governamental que deve ser transportada exclusivamente em navios de bandeira americana, atualmente fixada em 50%. Propõe também a criação de um novo requisito denominado Requisito de Preferência Marítima dos Estados Unidos (USMPR, na sigla em inglês), que obrigaria as grandes economias exportadoras a aumentarem progressivamente a proporção de carga conteinerizada destinada aos Estados Unidos transportada em navios de bandeira americana que atendam a determinados critérios.

O plano prevê também financiamento para a construção e operação de uma Frota Comercial Estratégica (FCE), composta por navios construídos e registrados nos Estados Unidos que operam no comércio internacional. Inclui ainda propostas para incentivar o desenvolvimento do comércio em rotas pelo Ártico.

Fonte: Revista Brasil Energia