Vard enxerga oportunidades nas áreas de O&G e defesa
O Vard acredita não haver forte potencial no mercado de construção e reparo naval no Nordeste do Brasil e no país como um todo. Diante da redução de encomendas da indústria naval nos últimos anos, a empresa do grupo Fincantieri passou por um processo de reestruturação para enfrentar esse cenário desafiador. A adição afirma que uma empresa de capital mista sob controle estatal italiano apoia suas operações locais, a fim de garantir a continuidade das atividades e a prontidão industrial ao longo dos diferentes ciclos de mercado.
“Olhando para frente, vemos desafios positivos e oportunidades relevantes, especialmente impulsionados pelos mercados que fazem parte do core business do grupo: petróleo e gás (O&G) e Defesa”, projetou o gerente de vendas do Vard, Leonardo Alcântara. Ele ressaltou aos Portos e Navios que, no período de baixa da construção naval, a equipe manteve o foco nas atividades de reparo e manutenção naval, preservando o know-how técnico, a infraestrutura e a capacidade operacional, ao mesmo tempo em que se preparava para a retomada gradual das atividades de construção naval em seu estaleiro no Brasil.
“Essa estratégia contorno com o suporte contínuo do grupo Fincantieri, que mantém a presença industrial no país há mais de uma década por meio de sua participação (Vard), com a entrega de um portfólio diversificado de embarcações, incluindo seis gaseiros construídos para a Transpetro”, reforçou. Um deles, o Oscar Niemeyer (foto), construído no Vard Promar e entregue em 2015, retornou ao dique flutuante do estaleiro após 10 anos para docagem de aula.
Durante 40 dias de projeto, a equipe brasileira executou um amplo projeto de reparo e manutenção, abrangendo serviços estruturais, elétricos e de máquinas, além da modernização do Sistema de Gerenciamento de Água de Lastro (BWMS). O navio deixou o estaleiro no dia 14 de novembro de 2025, pronto para retomar suas transações. Para Alcântara, o grupo Fincantieri reforça sua posição junto à Transpetro, consolidando o Vard Promar como referência em manutenção e reparo de gaseiros no Brasil.
“A embarcação retornou ao estaleiro e teve a satisfação de constatar que, mesmo após 10 anos de operação, [a embarcação] continua a desempenhar plenamente o propósito para o qual foi projetado. Para o nosso tempo, foi motivo de orgulho receber novamente um navio que construímos e acompanhar seu desempenho ao longo do tempo”, acrescentou.
Os serviços executados foram necessários à renovação e à manutenção de sua classificação, incluindo: Limpeza, tratamento e pintura do casco; Remoção, limpeza, medição de folgas e substituição, quando necessário, de componentes do sistema de propulsão e governo; Abertura, limpeza, inspeção e fechamento das válvulas de fundo e de costado. Também foram realizados: Limpeza, tratamento e inspeção dos tanques de lastro;
Abertura, limpeza, inspeção e fechamento das bombas de carga, com substituição de peças em conformidade com o manual do fabricante; Manutenção da baleeira e do bote de resgate.
A equipe do Vard Promar ainda realizou serviços complementares de manutenção, especialmente nas comunicações expostas, considerando que o embarque opera com carga inflamável e perigosa. Alcântara explicou que essas atividades são mais complexas de executar durante a operação regular do navio, em razão das restrições de segurança que são inerentes a áreas específicas.
Durante os dias dessa docagem, foram mobilizados, em média, cerca de 230 profissionais, entre equipa própria e empresas subcontratadas, presentes de forma integrada na execução dos serviços. Alcântara disse que, apesar da oferta de fornecedores navais especializados na região ainda ser limitada, a empresa tem trabalhado no desenvolvimento de parcerias estratégicas, com o objetivo de fortalecer e qualificar o cluster naval local.
“Esse movimento já vem trazendo resultados positivos e seguirá sendo uma prioridade do nosso tempo nos próximos anos”, celebrou.
Em termos de infraestrutura, o Vard utiliza os principais ativos do estaleiro, incluindo um cais com 150 metros de extensão, um dique flutuante de 152 metros, com boca interna de 35 metros, além das oficinas de mecânica, estruturas e cabines de pintura. Para o gerente, essa combinação de ativos ajudou a executar os serviços com eficiência, segurança e elevado padrão de qualidade.
No segmento de reparos navais, o portfólio cultiva relações de longo prazo com empresas como Wilson Sons, Svitzer e Saam Towage, que recorrem ao estaleiro de forma recorrente. Além dos clientes de longa data, a empresa cita serviços para armadores de diversos segmentos, como Van Oord (apoio portuário), Bram Offshore, OceanPact, Oceânica e Posidonia (apoio marítimo offshore), Norsul, Transpetro, Elcano e Gávea Offshore (cabotagem), além de instituições como a Marinha do Brasil e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
“O aquecimento recente do mercado tem trazido novos clientes interessados em parcerias firmes, e mantemos uma postura aberta e colaborativa, estando sempre disponíveis para apoiar nossos parceiros nas mais diversas demandas de reparo, manutenção e serviços especializados”, salientou Alcântara.
Construção naval
Na construção naval, a empresa segue estratégia de retomada ‘gradual e saudável’, focada em projetos alinhados às bases históricas. No radar estão as licitações e projetos de embarques que o estaleiro já entregou com sucesso no passado, priorizando consistência técnica, previsibilidade e geração de valor aos clientes. “Temos acompanhado de forma muito atenta o aquecimento recente do mercado naval brasileiro, impulsionado principalmente pelas licitações da Petrobras e da Transpetro, que vêm mobilizando toda a cadeia produtiva nos últimos anos. Vemos nesse movimento uma oportunidade concreta de retomada sustentável da indústria naval no país”, afirmou Alcântara.
A participação nos recentes processos licitatórios da Transpetro está alinhada à estratégia do grupo de retomada gradual da construção naval. “Essa atuação se apoia em uma base sólida de experiência, com destaque para embarcações já entregues com sucesso, como os gaseiros construídos para a Transpetro, que seguem como referência de qualidade e desempenho operacional”, frisou Alcântara.
No mercado de apoio marítimo offshore, a equipe do Vard vem conduzindo estudos técnicos para viabilizar a entrada nesse segmento de forma estruturada e competitiva, em linha com as competências e com o suporte do grupo. “Estamos mobilizados tanto para a retomada da construção naval, quanto para o fortalecimento do estaleiro como referência em componentes e manutenção naval no Nordeste, com foco em crescimento consistente e parcerias de longo prazo”, apontou.
Fonte: Revista Portos e Navios






