Governo e Petrobras projetam indústria naval retomando patamar de empregos

Governo e Petrobras projetam indústria naval retomando patamar de empregos

O governo federal espera que o número de empregos na indústria naval volte a se aproximar gradualmente da casa dos 80.000 trabalhadores, como no final de 2014, antes da crise que afetou o setor e permaneceu por uma década sem encomendas para construção de ativos de grande porte a estaleiros nacionais. Durante evento da contratação de estaleiros nacionais para construção de gaseiros e embarcações hidroviárias, nesta terça-feira (20), em Rio Grande (RS), o ministro da Casa Civil, Rui Costa, lembrou que depois de ter esse efetivo, o número despencou para 15.000 trabalhadores.

Costa atribuiu essa queda à crise e à falta de estímulos ao setor e à cadeia produtiva dessa indústria no país. O ministro ponderou que, ao final de 2025, a indústria havia atingido 50.000 trabalhadores, considerando os principais polos navais, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia, além de São Paulo e outros estados que possuem investimentos vinculados à indústria naval, como a produção de componentes, motores e equipamentos.

Em sua fala no evento, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, lamentou que, com todo potencial de crescimento, a Petrobras tenha ficado 10 anos sem encomendar um único navio no Brasil. “Hoje temos encomendas no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, na Bahia e no Amazonas. Essas encomendas vão demandar um número significativo de profissionais qualificados já a partir de março deste ano”, projetou.

Magda acredita que os empregos dessa indústria, que em 2022 estavam na casa de 18.000 e fecharam 2025 em 50.000, serão ampliados em 2026, 2027 e 2028. “Vamos nos aproximar de volta daquele número original de 80.000 empregos na indústria naval brasileira”, afirmou. Ela contou que a Petrobras está apoiando um programa que vai oferecer mais 1.600 vagas em cursos de capacitação para a indústria naval. Uma nova escola do Senai será inaugurada em março, em Rio Grande, destinada a treinamentos preparatórios para profissionais nos próximos anos.

Ela considera que o crescimento de 180% em termos de emprego nos últimos quatro anos foi possível graças aos financiamentos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), à depreciação acelerada e às políticas de conteúdo local. O presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, reforçou que a demanda perene por embarcações é uma das principais alavancas de crescimento, o que só está sendo possível porque o sistema Petrobras priorizou a renovação e ampliação da frota própria. Ele também salientou que a retomada da indústria naval se dá por causa da política industrial específica para o setor.

“Sem política de conteúdo local, recursos do FMM e mecanismos como depreciação acelerada não seria possível assinar esses contratos, com geração de emprego recorde e aumento da renda. Com isso, estaleiros, empresas de navipeças e os demais elos da cadeia produtiva podem se planejar para fazer seus investimentos, retomando esse ciclo positivo”, defendeu.

Bacci também criticou o que chamou de ‘desinformação’ sobre o cronograma dos novos projetos. “Esses contratos que assinamos serão cumpridos, esses 9 navios [4 Handy e 5 gaseiros] serão construídos aqui [em Rio Grande] e haverá contratação de mão de obra local”, garantiu. “É natural a ansiedade para que ocorra rapidamente, mas processos produtivos de navios desse porte têm uma série de fases e, em breve, chegaremos ao momento mais intenso das embarcações”, acrescentou.

Fonte: Revista Portos e Navios