Escolas de Aprendizes-Marinheiro de Pernambuco forma primeiras marinheiras em turma mista inédita

Escolas de Aprendizes-Marinheiro de Pernambuco forma primeiras marinheiras em turma mista inédita

Quando as 44 novas marinheiras deram o passo final rumo à formatura, a história da Marinha do Brasil também avançou. A EAMPE, fundada em 1857 e tradicional na formação de jovens para a carreira naval, celebra agora sua primeira turma mista. O momento simboliza uma transformação estrutural: mulheres assumindo, em igualdade, funções operativas em navios, aeronaves e submarinos em todo o país.

A integração operacional das primeiras marinheiras

A formação das primeiras mulheres na EAMPE representa mais do que um avanço simbólico: trata-se de um salto operacional para a Marinha do Brasil. As 44 novas militares passaram pelo mesmo rigor técnico, físico e disciplinar que os homens, cumprindo grades curriculares que abrangem desde técnicas de navegação, comunicações navais e segurança de aviação até adestramento marítimo, sobrevivência e damage control. A igualdade na formação fortalece a interoperabilidade e reduz barreiras que, historicamente, afastavam mulheres de funções operativas.

Com a conclusão do Curso de Formação, todas estão aptas a integrar meios navais de alta complexidade, como navios de superfície, navios-patrulha, submarinos e aeronaves. A presença feminina traz impacto direto para a doutrina naval, exigindo adaptações logísticas e estruturais que já vêm sendo implementadas pela Força — alojamentos modernos, protocolos de segurança ajustados e rotinas integradas, especialmente em unidades embarcadas. A Marinha passa a operar com equipes mais diversas, o que amplia capacidades humanas e melhora a tomada de decisão em cenários complexos.

Para além da formação, a incorporação das marinheiras fortalece o ciclo de modernização buscado pela Força Naval. A partir de agora, mulheres ingressam organicamente em áreas críticas, como guerra eletrônica, manutenção aeronáutica, operações de bordo e tarefas específicas de faina, contribuindo para um contingente mais preparado e alinhado às demandas contemporâneas de Defesa.

O impacto social e humano da chegada das mulheres à EAMPE

A presença das 44 formandas na Turma ROMEO/2025 transcende números: ela altera o imaginário de uma geração inteira. Pela primeira vez, mães, pais, irmãos e familiares viram mulheres marchando lado a lado com homens no pátio histórico da Escola de Aprendizes-Marinheiros de Pernambuco, rompendo um ciclo de 168 anos de tradição exclusivamente masculina. A emoção presente na cerimônia, reforçada pela presença do Comandante da Marinha, Almirante Marcos Olsen, mostrou que a conquista não é apenas institucional — é profundamente humana.

A entrada feminina na EAMPE ecoa por todo o país, sobretudo entre jovens que há poucas décadas sequer podiam sonhar com uma carreira embarcada. A representatividade gerada por essa formatura sinaliza oportunidades reais: mulheres servindo em navios, aeronaves e, futuramente, assumindo postos estratégicos dentro da Força. A Marinha abre novas portas e, ao fazê-lo, legitima um processo de transformação cultural que dialoga com a sociedade brasileira.

O impacto social também se manifesta no ambiente interno da Escola. Instrutores, oficiais e praças adaptaram rotinas, linguagens e práticas para garantir um ambiente mais inclusivo — sem perder o rigor disciplinar que caracteriza a formação naval. As marinheiras, por sua vez, tornaram-se referência imediata: símbolos tangíveis de que a presença feminina nas Forças Armadas não é exceção, mas trajetória em construção.

O marco histórico da 1ª turma mista e o que muda na Marinha

A formatura da primeira turma mista da EAMPE é um divisor de águas na história da Marinha do Brasil. Desde sua criação, em 1857, a Escola se dedicou a formar marinheiros para atuar na defesa da Pátria. Contudo, foi somente em 2025 que mulheres cruzaram o portão como aprendizes e saíram como marinheiras plenamente qualificadas. O evento reforça uma linha evolutiva que já atinge outras áreas da Força — como a ampliação de vagas femininas em concursos, cursos e especialidades.

Com a conclusão da turma, as 96 praças — sendo 44 mulheres — serão distribuídas por unidades operativas em todo o território nacional. A partir de agora, navios como fragatas, corvetas e navios-patrulha contarão com equipes mistas, e setores antes ocupados apenas por homens passam a receber profissionais qualificadas para desempenhar funções essenciais ao cumprimento das missões navais.

O avanço também se conecta ao movimento estratégico de modernização das Forças Armadas, que busca alinhamento com tendências internacionais. Marinhas como as dos EUA, Reino Unido e França já operam com mulheres embarcadas há décadas. A EAMPE, ao formar sua primeira turma mista, posiciona o Brasil no mesmo eixo evolutivo — reforçando valores de profissionalismo, eficiência e representatividade.

Fonte: Defesa em Foco