Marinha realiza exercício em Iperó para reforçar segurança nuclear brasileira

Marinha realiza exercício em Iperó para reforçar segurança nuclear brasileira

A Marinha do Brasil conduziu, em Iperó (SP), a 6ª edição do exercício de Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica (NBQR), voltado ao fortalecimento da segurança física nuclear e à validação dos protocolos de resposta a emergências radiológicas e químicas. Realizada no Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), a atividade reuniu mais de 500 militares e civis, demonstrando o compromisso da Força com a proteção das instalações estratégicas do país e a evolução tecnológica do Sistema NBQR.

Simulações, protocolos e interoperabilidade do Sistema NBQR
Organizado pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), o exercício reuniu unidades de elite da Força de Fuzileiros da Esquadra, integrantes do Comando de Proteção e Defesa NBQR da Marinha e especialistas do 3º Batalhão de Proteção e Defesa NBQR de Brasília. Ao longo de cinco dias, as equipes participaram de simulações complexas de emergências nucleares, biológicas, químicas e radiológicas, com foco na prevenção, contenção e resposta integrada a incidentes de alto impacto.

As atividades incluíram contenção de vazamentos químicos e radiológicos, neutralização de ameaças cibernéticas, operações de descontaminação, atendimento médico em zonas controladas, controle de distúrbios e resposta a tentativas de intrusão e sabotagem. De forma inédita, o exercício também testou o Sistema de Acompanhamento de Respostas a Emergências Nucleares e Radiológicas Navais (SisCARE), integrando informações de unidades de todo o território nacional.

Segundo o Vice-Almirante (EN) Celso Mizutani Koga, diretor do CTMSP, o adestramento “evidencia a contínua evolução da Marinha na integração das áreas de defesa NBQR e segurança física nuclear, validando protocolos, reforçando a interoperabilidade e aprimorando a capacidade de resposta a emergências complexas”.

A importância do exercício para a segurança nuclear do Brasil
A realização da sexta edição do exercício NBQR reforça o papel central da Marinha do Brasil no Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (SIPRON) e nas ações de defesa NBQR. A presença inédita de observadores da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) e do Centro Regional de Ciências Nucleares do Nordeste (CRCN-NE) — órgão vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) — ampliou o caráter de integração entre os setores civil e militar.

O Contra-Almirante (FN) Roberto Lemos, Comandante de Proteção e Defesa NBQR da Marinha, destacou que o exercício “aprimorou a capacidade de apoiar a resposta integrada a emergências de segurança e proteção nuclear, validando procedimentos e o emprego conjunto dos 1º, 2º e 3º Batalhões de Proteção e Defesa NBQR de forma coordenada”.

Essas ações estão alinhadas à Estratégia Nacional de Defesa, que prevê o fortalecimento do aparato de proteção física e tecnológica das instalações nucleares brasileiras — incluindo as estruturas de enriquecimento de urânio e o laboratório de reatores do CTMSP —, garantindo prontidão e segurança em nível internacional.

O papel do CTMSP, do Programa Nuclear da Marinha e do PROSUB
O Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) é o núcleo científico do Programa Nuclear da Marinha (PNM), responsável pelo domínio completo do ciclo do combustível nuclear, desde o enriquecimento de urânio até a aplicação em reatores navais de propulsão. O programa simboliza a autonomia tecnológica brasileira em um dos setores mais sensíveis da Defesa moderna.

Integrado ao PNM, o Programa de Submarinos (PROSUB) — parceria estratégica com a França — prevê a construção de submarinos convencionais e do futuro Submarino com Propulsão Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA). O reator que equipará esse submarino está sendo desenvolvido no CTMSP e é um dos principais beneficiários dos protocolos de segurança testados durante o exercício em Iperó.

O adestramento de 2025 consolida o CTMSP e o Comando de Proteção e Defesa NBQR da Marinha como pilares da defesa nuclear nacional, integrando segurança operacional, inovação tecnológica e cooperação científica. Em um contexto global de ameaças híbridas e riscos NBQR emergentes, a prontidão das equipes brasileiras confirma o compromisso da Marinha com a proteção das pessoas, das instalações estratégicas e do meio ambiente.

Fonte: Defesa em Foco