Nova estação científica reforça soberania brasileira no Arquipélago de São Pedro e São Paulo

Nova estação científica reforça soberania brasileira no Arquipélago de São Pedro e São Paulo

A Marinha do Brasil e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) deram um passo decisivo para fortalecer a soberania brasileira no Atlântico. O projeto da nova estação científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo foi aprovado nesta sexta-feira (10), em Brasília, e as obras devem começar ainda este ano. Com investimento de R$ 7 milhões do Fundo de Compensação Ambiental, a nova estrutura vai garantir melhores condições para a pesquisa científica e o monitoramento ambiental em uma das áreas mais estratégicas do País.

Engenharia e desafios técnicos no coração do Atlântico

A construção da nova estação científica é considerada um dos maiores desafios de engenharia marítima e logística já enfrentados pelo Brasil. Localizada a cerca de 1.000 quilômetros do litoral de Natal (RN), a estrutura precisará resistir a condições extremas — ondas intensas, abalos sísmicos e ventos constantes —, exigindo tecnologia e precisão no planejamento.

O projeto foi desenvolvido pelo Laboratório de Planejamento e Projetos da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), sob coordenação da professora-doutora Cristina Engel de Alvarez, arquiteta responsável também pelo projeto da Estação Antártica Almirante Ferraz. Entre as principais inovações estão o uso de materiais leves e resistentes à corrosão, sistemas de tratamento sustentável de efluentes e mecanismos de baixo impacto ambiental.

A nova estação substituirá a estrutura atual, construída em 2008, que já apresenta desgaste acentuado. O novo projeto prioriza autonomia energética, redução de resíduos e eficiência térmica, permitindo que cientistas e militares permaneçam no local em segurança durante longos períodos.

Ciência e meio ambiente: pesquisa com soberania

O Arquipélago de São Pedro e São Paulo, situado em pleno Atlântico Equatorial, é um laboratório natural para o estudo da biodiversidade marinha e das dinâmicas oceânicas. O projeto aprovado pela Marinha do Brasil e pelo ICMBio impulsiona a capacidade nacional de realizar pesquisas ambientais, oceanográficas e climáticas com base em evidências produzidas em território brasileiro.

Segundo o presidente do ICMBio, Mauro Oliveira Pires, os recursos aplicados “atendem a três objetivos nacionais: promover a ciência, fortalecer as unidades de conservação e garantir a soberania do País sobre seu espaço marítimo”. A presença científica permanente contribui para políticas públicas de conservação, melhora o entendimento dos ecossistemas marinhos e reforça a gestão da Amazônia Azul — área que representa mais de 5,7 milhões de km² do território brasileiro no mar.

Além da pesquisa ambiental, a nova estação permitirá monitoramento meteorológico, coleta de dados sobre correntes oceânicas e estudos sobre espécies endêmicas, fortalecendo o papel do Brasil como referência em ciência oceânica e gestão sustentável dos recursos marinhos.

Estratégia e soberania: o papel da Marinha na Amazônia Azul

Para a Marinha do Brasil, o projeto tem valor estratégico inestimável. A ocupação permanente do Arquipélago de São Pedro e São Paulo garante ao País o direito sobre cerca de 455 mil km² de Zona Econômica Exclusiva (ZEE), área que permite a exploração sustentável dos recursos vivos e minerais do Atlântico.

O Contra-Almirante Ricardo Jaques Ferreira, secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), destacou os desafios e a importância geopolítica da presença no local: “Sem ciência e presença, não há soberania”. A nova estação representa, portanto, não apenas um avanço na infraestrutura científica, mas também uma fortaleza simbólica e operacional para a defesa dos interesses marítimos nacionais.

Com a iniciativa, a Marinha reafirma seu papel como guardiã da Amazônia Azul, promovendo a integração entre defesa, pesquisa e sustentabilidade. Trata-se de um marco para a presença brasileira no Atlântico Sul — onde ciência e poder marítimo se unem para projetar o futuro do Brasil como potência oceânica e ambiental.

Fonte: Defesa em Foco