Infraestrutura crítica: Marinha simulará incidente em cabos submarinos no Ceará

Infraestrutura crítica: Marinha simulará incidente em cabos submarinos no Ceará

Em novembro, a Marinha do Brasil realizará um exercício inédito de proteção a cabos submarinos na Praia do Futuro, em Fortaleza (CE). A operação vai simular incidentes em infraestruturas críticas de telecomunicações, reforçando a segurança do polo de conectividade que liga o Brasil à África, Europa e América.

Como será o exercício da Marinha

Marcado para os dias 24 a 28 de novembro, o treinamento terá duas frentes de atuação: em terra, com o Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais e o 3° Batalhão de Operações Litorâneas, responsáveis pela segurança das instalações de telecomunicações; e no mar, com a proteção da área onde os cabos chegam à costa.

A simulação, inspirada em protocolos europeus, mobilizará navios-patrulha do 3º Distrito Naval, aeronaves da Esquadra, equipes do GRUMEC (Grupamento de Mergulhadores de Combate) e representantes de empresas estratégicas como Petrobras, Blue Marine, Angola Cables e o Comitê Brasileiro de Proteção a Cabos Submarinos. Será o segundo exercício do tipo no Brasil — o primeiro ocorreu no Rio de Janeiro, em 2024.

Importância dos cabos submarinos para o Brasil

A Praia do Futuro é considerada o maior hub de conectividade do país, com 16 cabos submarinos que ligam o Brasil à África Ocidental, Europa, América Central e América do Norte. Essa infraestrutura garante o tráfego de dados para 181 milhões de brasileiros e conecta empresas como Google, Angola Cables, América Móvil (Claro), Ellalink e China Unicom.

Segundo a Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), Fortaleza é a principal porta de entrada e saída de dados do Brasil, rivalizando em importância com hubs internacionais. A segurança desses cabos é vital para a economia digital, impactando setores como telecomunicações, finanças, comércio eletrônico e serviços de nuvem.

Cabos submarinos como infraestrutura crítica

Os cabos submarinos estão entre as infraestruturas mais estratégicas e vulneráveis do mundo. As principais ameaças são âncoras de navios, redes de pesca, atividades de sabotagem e terrorismo, além de falhas estruturais naturais. Ao contrário de mitos difundidos, animais marinhos como tubarões não possuem força suficiente para romper esse tipo de rede.

De acordo com o Capitão de Fragata Paulo Ricardo Rodrigues dos Santos, especialista em proteção de cabos submarinos do Comando Naval de Operações Especiais, a preservação dessa rede é uma questão de segurança nacional e econômica:
“Proteger a rede de dados por onde cerca de 181 milhões de brasileiros navegam diariamente é um desafio gigantesco. A conduta das guerras atuais é permanentemente afetada pela inovação tecnológica”, ressaltou.

Com o exercício em Fortaleza, a Marinha reforça a prioridade de proteger não apenas os cabos submarinos, mas também outras infraestruturas críticas como plataformas de petróleo, gasodutos, refinarias e usinas — pilares da soberania e da segurança energética do Brasil.

Fonte: Defesa em Foco