Brasil potência marítima? o que falta para transformar teoria em realidade?

Brasil potência marítima? o que falta para transformar teoria em realidade?

Desde Alfred Mahan, estrategistas defendem que o mar é a chave do poder global. O Brasil, dono de vasto território marítimo e recursos energéticos estratégicos, parece talhado para esse papel. Mas, entre potencial e prática, há desafios que ainda impedem o país de se consolidar como potência naval no Atlântico Sul.

O potencial marítimo brasileiro
O Brasil possui uma das maiores extensões de litoral do mundo, com quase 8 mil km de costa. Sua Amazônia Azul abrange mais de 5,7 milhões de km², área superior à da floresta amazônica, e guarda riquezas estratégicas: petróleo e gás do pré-sal, biodiversidade marinha e rotas comerciais que movimentam 95% do comércio exterior nacional.

Além disso, o país ocupa posição geográfica privilegiada no Atlântico Sul, um oceano cada vez mais valorizado por sua função como corredor energético, rota comercial e espaço de cabos submarinos que sustentam a internet global. Com tais atributos, o Brasil reúne todos os elementos teóricos para ser uma potência marítima regional, capaz de projetar poder e garantir soberania.

Os gargalos que limitam o poder naval
Apesar desse imenso potencial, o Brasil ainda não se consolidou como potência marítima. O primeiro grande obstáculo é o orçamento de defesa, frequentemente insuficiente para sustentar programas estratégicos de longo prazo. Isso resulta em uma frota defasada, com navios antigos em operação muito além de sua vida útil.

Outro desafio é a falta de uma cultura marítima nacional. Grande parte da população e mesmo setores políticos não percebem o mar como parte vital da soberania e da economia brasileira. Isso limita investimentos e reduz a pressão social por políticas consistentes de defesa naval.

Por fim, a presença brasileira em águas internacionais ainda é tímida. Missões de paz, operações conjuntas e exercícios navais globais são importantes não apenas para treinar, mas também para afirmar a posição do país no cenário marítimo.

O caminho para transformar teoria em realidade
Apesar das dificuldades, o Brasil tem buscado avançar. O PROSUB (Programa de Desenvolvimento de Submarinos), que inclui a construção do primeiro submarino nuclear do país, é um marco para a dissuasão no Atlântico Sul. As fragatas Classe Tamandaré representam a modernização da frota de superfície, ampliando a capacidade de defesa antiaérea e antisubmarino.

Outro passo essencial é o SisGAAz (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul), voltado para monitorar em tempo real atividades econômicas, ilícitos e ameaças no mar. Ao lado disso, a diplomacia naval busca reforçar a cooperação com países da África e da América do Sul, projetando o Brasil como líder natural do Atlântico Sul.

O que falta é transformar esses projetos em uma política de Estado de longo prazo, blindada de cortes orçamentários e descontinuidades políticas. Somente assim o Brasil poderá deixar de ser uma potência marítima em teoria e se afirmar como um ator de peso no cenário naval global.

Conclusão
O Brasil tem mar, recursos e posição estratégica para ser uma potência marítima. O que falta é constância e visão estratégica para transformar esse potencial em realidade. Entre a floresta amazônica e a Amazônia Azul, o futuro do país também depende de sua capacidade de dominar o Atlântico Sul.

No século XXI, ignorar o mar é abrir mão da soberania. Reconhecê-lo como prioridade é dar o primeiro passo para transformar o Brasil em potência marítima de fato.

Fonte: Defesa em Foco