Projeto promete transformar sonho de despoluição da Baía de Guanabara em realidade

Projeto promete transformar sonho de despoluição da Baía de Guanabara em realidade

Quem não quer poder tomar um banho de mar seja na Praia de Botafogo, Flamengo, na Baía de Guanabara e até em Paquetá, historicamente impróprias para banho? Agora isso está sendo possível. O programa Guanabara Azul vem dando resultados na recuperação de um dos principais cartões postais da cidade do Rio de Janeiro. Dessa vez, a aposta está na estruturação de uma governança capaz de viabilizar simultaneamente crescimento econômico e preservação ambiental. O desafio é grande. Embora na imagem aérea, a Baía de Guanabara abraçada pelo Cristo Redentor revele sua indiscutível beleza, o local sofreu uma intensa degradação ao longo das últimas décadas.

Desde os anos 1990, diferentes projetos, com a expectativa de mudar o cenário, foram lançados. Em meados de setembro de 2023, um novo passo foi dado com vistas à melhoria ambiental do corpo hídrico. A lei que criou o  programa Guanabara Azul foi assinada durante o Green Rio, evento voltado para negócios, inovação e pesquisa em bioeconomia e sustentabilidade.

Segundo o vice-governador, Thiago Pampolha, o programa Guanabara Azul se desenvolverá em várias frentes. Uma delas é diagnosticar a situação atual e elaborar um plano de ação, considerando os diferentes agentes que se  relacionam com a Baía de Guanabara, incluindo municípios do seu entorno e empresas sediadas na região.

“Nossa ideia é sistematizar tudo o que acontece na Baía de Guanabara de forma permanente e ao vivo. Por exemplo, se tiver um derramamento de óleo hoje, a gente tem dificuldade de descobrir sua origem. Se a gente não consegue  diagnosticar, a gente não tem como cobrar o responsável para reverter o dano no tempo adequado”, disse Pampolha.

Degradação

Para o secretário, as iniciativas de fiscalização e controle feitas em parceria com outros órgãos já estão dando certo. Ele cita o exemplo em que agentes públicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e da Polícia Militar foram mobilizados para fixar uma barreira sanitária que funcionará 24 horas por dia no bairro Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O objetivo foi bloquear pontos onde é comum o descarte irregular de detritos.

Repercussão

O programa do governo fluminense, por enquanto, é visto com desconfiança por pesquisadores e ambientalistas preocupados com a Baía de Guanabara. Para o Movimento Baía Viva, criado na década de 1980, trata-se de uma iniciativa de gabinete.

“É mais um programa governamental criado sem a participação da sociedade civil e das comunidades pesqueiras”, disse o ecologista Sergio Ricardo, cofundador do Movimento Baia Viva. Para ele, é preciso democratizar essas  decisões.

Por sua vez, o pesquisador, biólogo e ativista Mário Moscatelli vê boa vontade por parte do governo, mas manifestou receio: “Não basta só ter vontade política. Claro que vontade política é fundamental para as coisas andarem. Mas é preciso materializar em ações. Não dá mais para esperar projetos mirabolantes”, ponderou.

Praias de Paquetá próprias para banho

Um levantamento do Inea revelou que algumas praias da Ilha de Paquetá estão próprias para banho novamente. Elas apresentaram resultados favoráveis durante semanas consecutivas, o que permitiu a volta do banho de mar.

De acordo com Leonardo Fidalgo, gerente de Informações Hidrometeorológicas e de Qualidade das Águas do Inea, a situação ainda não está nem próxima do ideal, mas a melhora é perceptível.