Navio Hidrográfico “Sirius” completa 60 anos de incorporação à Marinha do Brasil

Navio Hidrográfico “Sirius” completa 60 anos de incorporação à Marinha do Brasil

Como um dos eventos comemorativos do Jubileu de Diamante do Navio Hidrográfico (NHi) “Sirius”, a embarcação ficará aberta para visitação pública até 15 de janeiro, das 8h às 17h, atracada no cais do Museu do Amanhã, na Praça Mauá, no Centro do Rio de Janeiro. Em 17 de janeiro, o Navio completa 60 anos de incorporação à Marinha do Brasil, data considerada um marco histórico, por sua imensa contribuição à atividade hidrográfica brasileira.

O NHi “Sirius” foi o primeiro navio da Marinha do Brasil especialmente projetado e construído para o serviço de hidrografia. Tem a finalidade de servir como plataforma flutuante capaz de efetuar a coleta de dados batimétricos, oceanográficos e geofísicos, bem como a manutenção de faróis, de forma a contribuir para o apoio à aplicação do Poder Naval, para a segurança da navegação e para o apoio a projetos nacionais de pesquisa.

Construído nos estaleiros de Ishikawajima Heavy Industries Co. Ltda, em Tóquio, no Japão, o Navio teve sua quilha batida no dia 13 de dezembro de 1956, foi lançado ao mar no dia 30 de julho de 1957 e incorporado à Marinha do Brasil no dia 17 de janeiro de 1958.

O contexto de sua aquisição remonta aos anos 50, período em que o Brasil figurou como um polo econômico em franca ascensão, com o fim da Segunda Guerra Mundial. A revitalização do fluxo marítimo, após as inúmeras baixas de navios mercantes na costa brasileira, ocasionadas pela ação do III Reich; a privilegiada posição militar-estratégica do litoral brasileiro; e o grande impulso industrial incentivado pela influência de intercâmbios econômicos com a Europa e os Estados Unidos criaram a necessidade de um incentivo ao estudo dos potenciais marítimos e do pronto estabelecimento de rotas de navegação utilizadas para o escoamento de suas mercadorias.

Em vista de tais necessidades, a Marinha do Brasil, por intermédio da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), decidiu pela aquisição dos Navios Hidrográficos “Sirius” e “Canopus”.

No dia 8 de fevereiro de 1958, o NHi “Sirius” seguiu para Kobe, no Japão, de onde iniciou sua viagem para o Brasil, em 15 de fevereiro do mesmo ano. Chegou ao Rio de Janeiro no dia 19 de maio de 1958, tendo visitado os portos de Honolulu, São Francisco, Acapulco, Balboa, Curaçao, Belém, Recife e Arraial do Cabo.

Com o nome da estrela “Sirius”, a mais brilhante do firmamento e pertencente à constelação do “Cão maior”, o Navio é chamado carinhosamente, por sua tripulação, de “Cachorrão”.

O “Sirius” foi o primeiro meio naval em que houve a realização de um pouso a bordo por uma aeronave de asa rotativa em um convoo de um navio da Marinha do Brasil, feito ocorrido ainda na cidade de Kobe, no Japão, em 1957; e o primeiro a ser dotado de aeronave orgânica.

Nomes importantes da Marinha do Brasil integraram sua tripulação, entre eles, o ex-Ministro da Marinha na década de 80, Almirante de Esquadra Maximiano da Fonseca, primeiro imediato do “Sirius” e Comandante do Navio no final da década de 50; e o Almirante de Esquadra Júlio de Sá Bierrenbach, renomada personalidade da política nacional entre as décadas de 50 e 80, sendo Presidente do Superior Tribunal Militar na década de 80.

Entre 16 de junho de 1982 e 30 de outubro de 1986, o NHi “Sirius” passou por um período de modernização, que possibilitou a otimização de sua capacidade operacional na atividade de hidrografia. O êxito e o investimento desta modernização possibilitaram ao Navio operar satisfatoriamente em levantamentos hidrográficos, até os dias de hoje.

O NHi “Sirius” totaliza mais de quatro mil dias de mar e mais de cem levantamentos hidrográficos concluídos, dentre os quais, destacam-se os realizados na Barra Norte do Rio Amazonas, na Elevação do Rio Grande e no porto da cidade de Walvis Bay, na Namíbia. É, sem dúvida, um dos navios da Marinha do Brasil que mais benefícios trouxe para o País, devido ao longo tempo de serviço e à eficiência, fator sempre marcante nas comissões realizadas.

Fonte: Comunicação Social da Marinha