Conselho da CNI considera “caminho inevitável “ privatização da administração portuária

Conselho da CNI considera “caminho inevitável “ privatização da administração portuária

O Conselho Temático de Infraestrutura a Confederação Nacional da Indústria (Coinfra) recomenda a privatização das Companhias Docas o mais rapidamente possível. Segundo o presidente do Coinfra, Olavo Machado, o setor público já se mostrou incapaz de administrar os portos e responder com agilidade às oportunidades de mercado.

“O setor privado tem mais condições de investir e mobilizar recursos para darmos a tão esperada eficiência que os exportadores e importadores brasileiros precisam. Não temos mais tempo para abrir mão de instrumentos que vão nos dar competitividade”, disse Olavo Machado durante reunião do Conselho, em Brasília.

Dados da CNI mostram que a execução orçamentária de investimentos da União, nos seis primeiros meses deste ano, foi 34% menor do que no mesmo período do ano passado. Foram investidos apenas R$ 13,8 bilhões, o menor valor dos últimos sete anos. No Ministério dos Transportes, os investimentos foram 38% inferiores do que entre janeiro e junho de 2016. E 80% deles foram para rodovias.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Adalberto Coelho, advertiu para o uso político do comando dos portos no Brasil. “Já tivemos pessoas sem o preparo necessário para administrar o porto de Salvador. Corremos o risco de um ter um bom gestor numa hora e um gestor péssimo no outro”, lembrou.

O superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Tessutti Dividino, falou dos avanços no porto nos últimos seis anos, que acabou de instalar 14 novos guindastes. Ele lembrou que há desafios com o inchaço da máquina e a burocracia no próprio porto. Além disso, também lamentou que o porto não tem a capacidade de portos desenvolvidos. “Em Paranaguá, nós fazemos nove manobras, em Santos são 30. Isso não é nada comparado com os portos asiáticos ou com Roterdã”, disse.

Negociações com armadores

 O chairman da LOG Z, Nelson Carlini,  alertou o setor empresarial para a concentração das empresas de navegação marítima no mundo. Segundo ele, três grandes grupos, que representam 10 empresas, movimentam 80% das cargas do mundo. “Diante disso, recomendo que o setor empresarial brasileiro faça como os japoneses e se organizem, senão, as indústrias vão virar subsidiárias”, ressaltou Nelson Carlini.

Uma forma de organização, segundo a proposta de Carlini, seria a criação de cooperativas de compra de frete e serviços nos moldes dos Freight Forwards e Non Vessel Operator Common Carrier (NVOCCs), com o setor privado unido autorizando e negociando suas cargas.

“Atualmente vemos a consolidação crescente das empresas de navegação, o que diminui as alternativas para os donos de carga. Se por um lado as empresas conseguem um serviço especializado e regular, por outro têm menos alternativas e estão pagando fretes mais caros. Isso ocorre porque os grandes armadores estão engolindo os concorrentes. A ponta de lá se organizou para sobreviver, vocês têm que se organizar”, aconselhou.

Fonte: CNI