Obra da bacia de evolução de Itajaí ameaça parar por falta de recursos

Obra da bacia de evolução de Itajaí ameaça parar por falta de recursos

Considerada vital para os portos de Itajaí e Navegantes, a obra da nova bacia de evolução está ameaçada por falta de recursos. Após o governo Temer ter negado os R$ 200 milhões confirmados pelo governo anterior para a segunda etapa da empreitada, agora o Estado anuncia que não tem como pagar os R$ 22 milhões necessários para uma obra de contenção, necessária para evitar que o trabalho da primeira fase, iniciado em junho, se desfaça.

Diante do cenário, uma reunião foi marcada às pressas na superintendência do Porto de Itajaí para discutir o que fazer entre duas opções delicadas: dar sequência aos trabalhos, mesmo sob o risco de perder o serviço executado, ou paralisar a obra de vez.

Para entender o caso, é preciso retornar a 2013, quando o projeto foi concluído. A ideia era fazer tudo em uma só empreitada, mas o alto custo, estimado em mais de R$ 300 milhões, fez com que a obra fosse dividida em duas fases. A primeira, de responsabilidade do Estado, abre caminho para navios de até 335 metros (hoje o limite é 305). A segunda, paga pelo governo federal, permitiria a entrada de gigantes com até 366 metros.

O acordo era que as duas fases ocorreriam simultaneamente por questões técnicas: para abrir espaço, é preciso remover boa parte do molhe Norte, em Navegantes, na primeira fase. Mas isso deixa o canal vulnerável às correntes marítimas. Então uma nova estrutura, que faz parte da segunda etapa, seria construída em paralelo.

O recuo de Brasília, porém, obrigou o Estado a projetar no mês passado um paliativo: dois molhes menores, orçados em R$ 22 milhões, para proteger os trabalhos de dragagem já executados e a região do Saco da Fazenda. E é exatamente este o recurso que está faltando.

O secretário de Estado de Planejamento, Cássio Taniguchi, dado à diplomacia, trouxe as opções como pressionar a frente parlamentar em Brasília ou tentar incentivos fiscais nos municípios de Itajaí e Navegantes para contar com o auxílio da iniciativa privada. Mas repetiu mais de uma vez que o Estado não vai bancar com o custo.

Situação é grave

As propostas pouco animaram o empresariado local. Os presidentes das associações empresariais de Itajaí e Navegantes, Eclésio da Silva e Rinaldo Araújo, fizeram duras críticas aos entraves que cercam o projeto:

_ Se essa obra parar será um desastre. Estaremos decretando a morte do Porto de Itajaí _ disse Silva.

A situação preocupa tanto o comando da APM Terminals, arrendatária do Porto de Itajaí, quanto da Portonave, em Navegantes. As duas empresas doaram os estudos preliminares do projeto, algo em torno de R$ 6 milhões, e contam com a conclusão da bacia para atrair novas linhas _ o que é fundamental para a manutenção de todo o trade portuário.

O início das obras tem sido usado, inclusive, como sinalização aos armadores de que haverá espaço para os gigantes no Itajaí-açu. Qualquer mudança de planos, portanto, pode ter reflexo negativo.

_ Já há navios com 334 metros navegando pela costa brasileira. Sem espaço para recebê-los, podemos perder serviços para Paranaguá e Itapoá.

O superintendente do Porto de Itajaí, Antônio Ayres dos Santos Junior, ficou de agendar uma reunião com parlamentares catarinenses para pedir um apoio efetivo na busca por recursos. A ideia é que o governo federal, se não pode mais arcar com R$ 200 milhões, envie pelo menos o suficiente para fazer as alterações necessárias ao projeto e mantê-lo em pé.

Obra é essencial para o Estado

A preocupação do trade local é deixar claro que não se trata de uma questão paroquial: o Complexo Portuário é essencial para a economia catarinense. Os portos de Itajaí e Navegantes respondem por 78% do comércio exterior do Estado. É o segundo maior complexo do Brasil em movimentação de contêineres, atrás apenas do Porto de Santos.

Em 2012, quando uma resolução obrigou os estados a extinguirem a redução de ICMS em transações interestaduais _ o que dava imensa vantagem competitiva a Santa Catarina _ o governo federal reservou recursos para os estados mais afetados. Definiu-se, então, que teriam prioridade a construção de uma via perimetral em Itajaí e as obras da bacia de evolução _ o que foi lembrado pelo prefeito Jandir Bellini (PP) como compromisso do governo federal.

A perimetral acabou morrendo na casca e os recursos jamais vieram. A luta é para que o mesmo não ocorra com a bacia de evolução.

Fonte: Clicrbs